A lutadora brasileira Larissa Pacheco, hoje free agent no MMA, quer integrar o UFC após conquistar sucesso no PFL com vitórias em duas categorias na mesma temporada. Ainda assim, a promoção parece não demonstrar interesse em fechar um contrato com a atleta, apesar do momento recente em que voltou a vencer com autoridade.
Retorno ao cage e tentativa de contrato
- Pacheco ficou fora do MMA desde outubro de 2024, quando sua série de dez vitórias foi interrompida por Cris Cyborg em luta de cinco rounds.
- Em 2025, ela se desligou do PFL e passou a buscar acordo com o UFC, agora mirando a divisão peso-galo.
- Para provar que consegue bater 135 libras, Pacheco escolheu disputar uma luta no Karate Combat.
- No último sábado, ela fez o peso e venceu, finalizando com nocaute violento a kickboxer polonesa Julia Stasiuk em Miami.
O confronto aconteceu em Miami e a vitória veio com nocaute contundente sobre a adversária do kickboxing. Mesmo assim, Pacheco afirmou que o matchmaker do UFC seguiu sem oferecer uma oportunidade após sua apresentação.
De acordo com a atleta, o contato foi encaminhado com empenho para tentar chegar ao staff do evento. Ela relatou que houve envio de mensagens com a proposta e que a resposta veio na forma de recusa direta: não havia interesse no momento.
“O Sam entrou em contato com o Mick, mandou um e-mail, colocou tudo o que podia na mesa”, disse Pacheco. “Mas a resposta foi: ‘não tenho interesse, mas obrigado’. E acabou aí.”
O que Larissa diz que já provou
Pacheco também insistiu que não entende quais pontos ainda estariam faltando para receber uma chance na organização. Para ela, o histórico recente e os resultados em alto nível deveriam pesar a favor na negociação.
“Eu não sei o que mais preciso provar ou explicar”, declarou. “Eu já fiz campanha para entrar, já mostrei meu valor. Desde que saí, que foi há 11 anos, eu mostrei evolução como atleta. Eu bati o campeão deles. Eu nocauteei Irene [Aldana] e finalizei Karol Rosa, que são atletas ranqueadas na divisão. Não sei o que mais teria que acontecer para assinarem comigo. Essa resposta ficou muito clara pra mim.”
Larissa ainda citou que, em sua visão, a recusa não muda o que ela considera ter apresentado dentro do esporte. Ela também reforçou que não enxerga um roteiro objetivo para o UFC justificar o “não” após o retorno com nocaute em evento fora do octógono.
“Não sei o que está faltando, qual é o problema”, acrescentou. “Eu queria entender melhor. Tipo: ‘Larissa, a gente não gosta de você, você não vende’. Eu não sei. Mas eu não acho que seja isso.”
Segundo a atleta, existe a possibilidade de o UFC tentar proteger Kayla Harrison ou mesmo direcionar a decisão para não substituir uma campeã específica. Ela também levantou a hipótese de o perfil de imagem pesar na escolha, citando características da campeã atual.
“Talvez eles estejam tentando proteger a Kayla”, disse. “Talvez seja isso. Mas eu gostaria muito de ter uma resposta sobre isso. E eu não sei se tem a ver com a minha aparência. Eu ouvi comentários de que pode ser por tentarem substituir uma campeã, ou até por acharem que a organização poderia terminar com uma campeã que tenha um aspecto mais masculino do que a atual, que é mãe, loira e tem olhos azuis.”
Mesmo com essas especulações, Pacheco afirmou não acreditar que tenha “algo restante” para provar. Em sua fala, ela entende que já cumpriu o que considerava necessário para ser considerada novamente.
Histórico no PFL e relação com Kayla Harrison
Pacheco enfrentou Kayla Harrison três vezes dentro do PFL entre 2019 e 2022. As duas primeiras lutas terminaram com derrota para Larissa, enquanto o terceiro encontro foi o momento em que ela conseguiu a vitória.
Já Harrison, por sua vez, seguiu com sequência invicta após essas disputas e, mais tarde, conquistou o cinturão do UFC em 2025, em luta diante de Julianna Peña. Esse contexto é usado por Pacheco para tentar entender por que sua própria trajetória não gera interesse semelhante.
“Eu não sei se é por isso”, disse Pacheco, mantendo o foco em buscar clareza para o que considera ser uma falta de explicação objetiva por parte do UFC.
Mensagem do e-mail e nova fase de preparação
O empresário de Pacheco disse que o e-mail teria sido enviado na terça-feira, após o contato mencionado pela atleta. A partir disso, a informação reforça a ideia de que a tentativa por uma oportunidade foi feita diretamente com o staff responsável por encaminhar negociações.
Paralelamente, a equipe segue trabalhando para que a brasileira volte a ser vista como opção relevante para o UFC. Para isso, também aponta mudanças no preparo e no ambiente de treino, que, segundo o grupo, se tornaram mais estruturados.
Na semana, Larissa chegou a participar do camp de Amanda Nunes para o UFC 324. Na ocasião, ela estava escalada para enfrentar Kayla Harrison. Atualmente, ela vive em São Paulo e treina em um ambiente descrito como mais profissional, ao lado de nomes experientes como Demian Maia e Lucas Martins.
Declaração do manager e defesa do “segundo chance”
- O manager Sam Lee afirmou que a exclusão de Pacheco “não faz sentido” para ninguém.
- Ele destacou que a atleta tem trabalho consistente e um cartel que, na visão da equipe, fala por si.
- Lee citou que Pacheco tem vitória sobre a atual campeã do UFC, além de nocaute em Irene Aldana e finalização de Karol Rosa.
- O dirigente reforçou que a lutadora nunca recusou luta e também não escolheu adversárias.
- Ele comparou a fase atual com a primeira passagem de Pacheco pelo UFC, quando ela tinha 19 anos e ainda estava em desenvolvimento físico.
- Segundo a equipe, as derrotas daquela fase teriam vindo apenas para campeãs futuras do UFC.
Sam Lee também argumentou que o peso-galo do UFC precisa de uma artista capaz de finalizar com impacto. Ele vinculou essa necessidade ao momento de transição vivido na categoria após a saída de Amanda Nunes.
“A divisão precisa de uma verdadeira especialista em nocaute — algo que não apareceu desde que Amanda se afastou”, escreveu Lee em nota. “Larissa seria um grande reforço para o peso-galo do UFC. Se existe alguém que merece uma segunda chance, é Larissa Pacheco.”

