UFC Macau: notas e retrospecto dos 7 estreantes que entraram no octógono

O UFC realizou, no último sábado (30 de maio de 2026), um evento em Macau, com sete estreantes pisando pela primeira vez no octógono dentro do Galaxy Arena. O card aconteceu na China, mais precisamente em Macau (SRA), e, no geral, os novatos somaram um retrospecto coletivo de três vitórias e quatro derrotas.

Notas dos estreantes do UFC Macau

  • Luis Felipe Dias & Yi-sak Lee
  • Jose Henrique Souza & Meng Ding
  • Xiong Jingnan
  • Rodrigo Vera & Zhu Kangjie

Luis Felipe Dias vs. Yi-sak Lee

No duelo válido pela categoria dos meio-médios, o brasileiro Luis Felipe Dias enfrentou o sul-coreano Yi-sak Lee no combate principal do card preliminar. Dias começou impondo ritmo desde cedo e tratou de mostrar que sua presença no octógono seria ofensiva, mesmo com seu histórico fortemente ligado ao grappling.

Na prática, o lutador não precisou se apoiar nas quedas para fazer o serviço. Ele trabalhou primeiro com chutes fortes na perna e ao corpo, e, em seguida, derrubou o adversário com um golpe de direita. Yi-sak Lee, porém, se recuperou rápido e voltou a ficar de pé.

Já na sequência do primeiro round, Dias tentou um joelho voador, acertando perto do alvo, e completou com golpes de mão. Pouco depois, conectou outra direita pesada que girou o coreano, e em seguida partiu para a pressão para forçar a interrupção do árbitro — embora o desfecho tenha vindo um pouco antes do ideal.

Com esse desempenho, Dias deixou a impressão de que pode crescer ainda mais na divisão conforme se torne mais confortável trocando no striking. Além disso, o brasileiro é um dos principais parceiros de treino de Carlos Prates.

Para o futuro, a sugestão é que ele aceite uma luta em curto prazo contra Ismail Naurdiev em um próximo evento, como o UFC Baku. A nota atribuída ao desempenho do brasileiro foi A+.

Do lado de Yi-sak Lee, o cenário foi bem diferente: ele não conseguiu encaixar seu jogo e sofreu desde o início, parecendo sobrecarregado pela pressão do oponente. A avaliação foi de que dificilmente terá muito sucesso na organização, já que vinha de uma base mais regional e com pouca experiência para o patamar do UFC.

Para a próxima apresentação, a alternativa citada foi um confronto contra Ben Johnston, outro estreante recente que também não impressionou. A nota dada ao sul-coreano foi F.

Jose Henrique Souza vs. Meng Ding

Na luta de pesos leves do card, Jose Henrique Souza encarou Meng Ding e, apesar de haver algum movimento, o combate não agradou tanto. Ainda assim, o brasileiro saiu com o resultado em seu favor, vencendo por decisão dividida.

Durante o começo da primeira etapa, os dois trocaram chutes baixos e chutes tipo teep. Em um momento importante, Souza conseguiu derrubar Ding com uma direita. Mesmo caído, Meng Ding foi mais agressivo e frequentemente colocou golpes mais limpos na troca.

No segundo round, a tendência se repetiu. Souza voltou a ameaçar com um joelho encaixado com potência, atingindo a região da mandíbula, mas Ding continuou avançando com pressão e combinações, sustentando o controle do ritmo.

Nos minutos finais, Souza demonstrou sinais de que estava atrás no placar ao conversar com sua equipe. Ainda assim, achou resposta com um jab de canhoto mais longo e um cruzado firme de esquerda. Mesmo com os chutes na perna quase atrapalhando a base do brasileiro, Ding não conseguiu frear totalmente os contra-ataques — e no fim da luta Souza ainda conseguiu alguns momentos mais “descontraídos” antes do encerramento.

Ao final, a decisão foi para Souza, mas a avaliação geral apontou que não foi um triunfo convincente. O texto também destacou que Jose Henrique Souza é um meio-médio grande, que evoluiu e ganhou experiência desde sua participação no Contender Series, em 2022. Ele tem apenas 24 anos, mas o debut não deixou uma impressão forte.

Como encaminhamento para o próximo compromisso, a recomendação foi tentar marcá-lo contra Nikolay Veretennikov. A nota atribuída foi C.

Para Meng Ding, a leitura foi semelhante à do desempenho dele na rota anterior: o avanço existia, mas faltava impacto real. Apesar do cartel profissional de 45 lutas com 28 vitórias por nocaute, a percepção foi de que ele não parecia tão efetivo no octógono naquele momento.

A sugestão para o próximo confronto foi enfrentar Victor Valenzuela, que estreou na organização ainda neste ano. A nota dada ao chinês foi D.

Xiong Jingnan vs. Angela Hill

Na luta feminina dos pesos-palha, Xiong Jingnan fez sua estreia no UFC após quase uma década atuando na ONE Championship. Na organização anterior, ela acumulou sete títulos, mas a fase mais próxima do auge foi marcada por períodos de inatividade, o que acabou adiando o momento de testar seu jogo no principal palco do MMA.

O reencontro no octógono, porém, veio com um obstáculo grande: Angela Hill. A avaliação geral foi de que Hill entregou, aos 41 anos, uma das melhores atuações da carreira.

Jingnan iniciou com postura agressiva, mas Hill derrubou a adversária cedo e passou a castigá-la repetidamente no clinch do Muay Thai, com joelhadas ao corpo. Ao longo da luta, Hill ainda acertou múltiplos joelhos voadores.

O segundo round seguiu um roteiro parecido. Hill conseguiu a primeira queda, mas Jingnan voltou imediatamente à posição em pé. Mesmo assim, Hill seguiu encontrando espaço com golpes de cotovelo, joelhadas e também com a mão direita, chegando a ameaçar uma guilhotina em pé.

No terceiro round, a vantagem ficou praticamente toda com Hill. A leitura foi de que ela “triturou” Jingnan em qualquer cenário, seja na trocação ou nas movimentações do combate. Jingnan, por mérito próprio, continuou respondendo e, inclusive, provocou Hill ao aceitar o confronto no centro do octógono e trocar de forma mais direta.

Apesar de já ter 38 anos, Jingnan foi descrita como uma adição de alto nível para a divisão, com capacidade de entregar lutas empolgantes. A ressalva foi: se ela não conseguiu superar Hill, que tinha 41, qual seria o teto real da atleta dentro do UFC?

A projeção foi de que Jingnan talvez não cause grandes mudanças no topo da categoria, mas deve continuar sendo uma fonte de combates divertidos enquanto estiver na organização.

Como matchup futuro, a sugestão apresentada foi colocá-la frente a Loma Lookboonmee, que também perdeu no UFC Macau. A nota final atribuída foi C-.

Rodrigo Vera vs. Zhu Kangjie

Rodrigo Vera chegou ao evento com uma história de oportunidade no curto prazo. O peruano não foi selecionado para a próxima temporada do The Ultimate Fighter, mas recebeu um chamado em cima da hora para encarar o estreante Zhu Kangjie, que vinha com energia máxima para a estreia.

O que se viu, porém, foi uma atuação dominante de Vera. Zhu começou agressivo, trabalhando golpes de grande potência antes de as chutes nas pernas do adversário começarem a diminuir a intensidade do oponente. Em seguida, Vera misturou o jogo com uma tentativa de queda após algumas trocas, mas Kangjie se levantou rapidamente.

Quando a luta parecia ganhar um novo ritmo, Vera encaixou um gancho de esquerda como contra-ataque, derrubando Zhu Kangjie. A partir daí, o peruano pressionou no chão com golpes pesados de ground and pound até o árbitro interromper o combate — e a finalização aconteceu em um tempo extremamente curto, pouco antes de completar dois minutos.

A avaliação destacou o tamanho do feito de Vera, especialmente por ele ter entrado no UFC com um retrospecto de 22-1-1 e uma sequência de 14 vitórias consecutivas. Mesmo tendo lutado na categoria de cima no debut, a leitura foi de que ele é um atleta completo e muito experiente, com a característica de finalizar com eficiência, mas sem depender disso para encarar os 15 minutos.

Em resumo, foi apontado como uma grande adição à divisão dos galos. A nota atribuída ao desempenho de Rodrigo Vera foi A+.

Para Zhu Kangjie, o texto deixou claro que a derrota precoce não significa necessariamente que ele seja ruim. O ponto foi que Vera é muito bom e que o estilo agressivo do estreante tende a gerar lutas interessantes — apenas não ficou evidente no resultado do “Road to UFC”.

Como encaminhamento, a recomendação foi que a organização reagende o adversário em um confronto contra Ramon Taveras. A nota dada a Kangjie foi F.

Com o encerramento das lutas de estreia, o UFC Macau seguiu seu curso com novos nomes testados no octógono e resultados que já colocam alguns brasileiros em rota de crescimento dentro da organização.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.