O UFC volta a deixar de lado a rotina do centro de treinamento Meta Apex e viaja pelo mundo para mais uma edição do seu calendário. O destino é Macau, na China, onde o card do UFC Macau acontece no sábado, 30 de maio de 2026, dentro da Galaxy Arena, com o evento sendo comandado por um confronto nos 135 libras entre o brasileiro Deiveson Figueiredo e o desafiante chinês Song Yadong, ranqueado como número 5 na categoria. A luta principal reúne, de um lado, um ex-campeão do peso-mosca; do outro, um candidato que tenta transformar a boa posição no ranking em uma nova chance de disputar o título.
Antecedentes
O duelo entre Song e Figueiredo é encarado como um teste direto para o momento de cada um. Para o chinês, a missão é clara: sair de um cenário de derrotas recentes e colocar o nome de vez na rota dos principais nomes do peso-pena. Já para o brasileiro, a expectativa é que o salto de categoria não tenha tirado o que o levou ao topo no passado — especialmente no que diz respeito ao poder e à capacidade de decidir lutas a partir das trocas.
No programa principal, o co-evento principal também chama atenção por unir estilos agressivos nos 205 libras: Alonzo Menifield enfrenta Zhang Mingyang. O confronto coloca frente a frente um veterano conhecido pelo poder de impacto e chutes característicos contra um striker que vem produzindo resultados rápidos, ainda que tenha mostrado vulnerabilidades defensivas na luta mais recente.
A luta
135 lbs.: Song Yadong vs. Deiveson Figueiredo
- Song “Kung Fu Kid” Yadong: cartel 22-9-1 (1 NC), 28 anos; linha de apostas: -600. Vitórias: 9 por nocaute/técnico, 3 por finalização, 10 por decisão. Derrotas: 2 por nocaute/técnico, nenhuma por finalização, 6 por decisão, 1 desclassificação. Altura: 5’8”; envergadura: 67”; postura: ortodoxa. Estatísticas: 4,42 golpes significativos conectados por minuto (43% de acerto); 3,94 absorvidos por minuto; defesa de golpes de 55%. Média de quedas: 0,78 (39% de acerto); defesa de quedas: 73%. Ranking atual: #5. Última luta: derrota por decisão unânime para Sean O’Malley.
- Deiveson “Deus da Guerra” Figueiredo: cartel 25-6-1, 38 anos; linha de apostas: +440. Vitórias: 9 por nocaute/técnico, 9 por finalização, 7 por decisão. Derrotas: 2 por nocaute/técnico, 1 por finalização, 3 por decisão. Altura: 5’5”; envergadura: 68”; postura: ortodoxa. Estatísticas: 2,63 golpes significativos conectados por minuto (53% de acerto); 3,47 absorvidos por minuto; defesa de golpes de 49%. Média de quedas: 1,61 (35% de acerto); defesa de quedas: 57%. Ranking atual: #7. Última luta: derrota por decisão unânime para Umar Nurmagomedov.
- Contexto de Song Yadong: o lutador chega como uma espécie de “candidato” na divisão, já que ocupa o quinto lugar do ranking. Ainda assim, quando teve chances de fazer barulho em um cenário competitivo, não conseguiu transformar oportunidades em vitórias. Nos últimos seis compromissos, ele aparece com campanha de 3-3, com derrotas para Sean O’Malley, Petr Yan e Cory Sandhagen — adversários que estão entre os principais do peso-pena. Antes disso, Song também não emplacou afirmações convincentes com vitórias por decisão sobre nomes considerados fora do ritmo, como Henry Cejudo e Chris Gutierrez, o que aumenta a pressão por um resultado maior.
- Pressão e motivação declarada: aos 28 anos, Song entende que o momento para “passar do nível” é agora. Ele afirma que quer o cinturão como objetivo central e reforça que precisa vencer esta luta, destacando que o combate acontece em sua cidade. O chinês também comenta que já conheceu Figueiredo na última vez em que os dois estiveram no mesmo card e descreve o brasileiro como alguém amigável, mas ressalta a seriedade que pretende colocar no duelo. Song lembra que Figueiredo já enfrentou adversários de elite e, apesar de derrotas, segue como um nome perigoso e experiente.
- Contexto de Deiveson Figueiredo: a análise em torno do brasileiro passa pelo fato de que ele não se encaixa com conforto no peso-mosca, mas também não tem sido plenamente “encaixado” no peso-pena. Desde que subiu para 135 libras no fim de 2023, ele começou com três vitórias seguidas, vencendo adversários difíceis como Rob Font e Marlon Vera. Depois, porém, a sequência se quebrou: Figueiredo perdeu três das próximas quatro lutas, com uma decisão dividida apertada sobre Montel Jackson sendo o único triunfo no período. A leitura mais cuidadosa leva em conta que ele enfrentou nomes fortes, como Petr Yan e Umar Nurmagomedov.
- Preocupação principal para o brasileiro: a questão que pesa é a capacidade de finalizar. Ao longo dos últimos seis anos, Figueiredo teria conseguido apenas uma interrupção contra Cody Garbrandt, o que contrasta com o começo do seu ciclo no UFC, quando vinha com muitos resultados por finalização. A hipótese levantada é que o salto de categoria possa ter exigido ajustes — embora a matéria também sugira a existência de outros fatores, sem detalhá-los.
- Resposta de Figueiredo: o brasileiro diz que mudanças na vida e na mente exigem uma postura correta dentro do octógono. Ele afirma que precisa “ficar dentro das linhas”, fazer tudo do jeito certo e retomar o caminho para voltar ao cinturão. Figueiredo declara que se sente 100% e com a cabeça no lugar, dizendo que pretende mostrar sua melhor versão no sábado.
- Projeção do confronto: a expectativa é de que Song seja mais jovem e, em muitos aspectos, mais fresco, além de ser o lutador maior. A tendência apontada é que o chinês mantenha o controle do combate ao longo de cinco rounds e termine com vantagem clara nas pontuações dos jurados, mesmo que o brasileiro consiga manter-se competitivo durante boa parte da luta.
Previsão: Song vence Figueiredo por decisão.
205 lbs.: Alonzo Menifield vs. Zhang Mingyang
- “Atomic” Alonzo Menifield: cartel 17-6-1, 38 anos; linha de apostas: +210. Vitórias: 10 por nocaute/técnico, 3 por finalização, 4 por decisão. Derrotas: 4 por nocaute/técnico, nenhuma por finalização, 2 por decisão. Altura: 6’0”; envergadura: 76”; postura: ortodoxa. Estatísticas: 3,77 golpes significativos conectados por minuto (53% de acerto); 3,81 absorvidos por minuto; defesa de golpes de 50%. Média de quedas: 0,50 (31% de acerto); defesa de quedas: 78%. Ranking atual: #15. Última luta: derrota por nocaute para Volkan Oezdemir.
- Zhang “Mountain Tiger” Mingyang: cartel 19-7, 27 anos; linha de apostas: -260. Vitórias: 13 por nocaute/técnico, 6 por finalização, nenhuma por decisão. Derrotas: 4 por nocaute/técnico, 2 por finalização, 1 por decisão. Altura: 6’2”; envergadura: 75”; postura: ortodoxa. Estatísticas: 7,71 golpes significativos conectados por minuto (60% de acerto); 5,33 absorvidos por minuto; defesa de golpes de 43%. Média de quedas: 0,00 (0% de acerto); defesa de quedas: 75%. Ranking atual: sem ranqueamento. Última luta: derrota por nocaute técnico para Johnny Walker.
- Trajetória recente de Menifield: o norte-americano apareceu pela primeira vez no Dana White’s Contender Series no verão de 2017, durante a primeira temporada. Na ocasião, ele sofreu uma derrota por TKO (por lesão ocular) e voltou na segunda temporada, onde venceu Dashawn Boatwright em apenas oito segundos. Depois disso, Menifield acumulou 17 lutas dentro do octógono, com campanha de 10-6-1 e presença no grupo dos 15 melhores do peso-pesado. Apesar disso, ele vem de um momento irregular, já que caiu em três de suas últimas cinco apresentações — e todas essas derrotas aconteceram de forma contundente.
- Estilo e oportunidade em casa: aos 39 anos no período do outono, a expectativa é que Menifield não mude o rumo de forma imediata e não entre em uma trajetória de Top 5 tão rapidamente. A ofensiva dele, baseada em Muay Thai, não costuma ser “espetacular” em volume, mas tende a ser eficaz, e os chutes podem virar ferramenta decisiva contra o lutador da casa — desde que Menifield consiga manter-se inteiro e no ritmo para aplicar os golpes.
- Histórico que pesa antes do duelo: Volkan Oezdemir e Carlos Ulberg já mostraram facilidade diante de Menifield, e ele acabou sendo derrubado em todas essas ocasiões na primeira fase. Ainda assim, Menifield enxerga espaço para explorar oportunidades e acredita que o combate pode ser “um confronto entre titãs”, com expectativa de uma luta intensa e com entretenimento.
- Declaração de Menifield: o lutador comenta que existem chances no combate que Johnny Walker encontrou, e que ele também enxerga caminhos próprios. Ele ressalta que seu adversário é um lutador de primeira rodada, luta com intensidade e que, na visão dele, a ideia é competir para “colocar para dormir” cedo caso o cenário seja favorável. Menifield também cita ter experiência em território estrangeiro e reforça o desejo de chegar ao Top 10, além de mirar o papel de main event e um combate de impacto.
- Chegada de Zhang e sequência inicial: Zhang Mingyang entrou no radar ainda no Road to UFC, em junho de 2022, quando nocauteou George Tokkos no primeiro round. Com isso, ele foi promovido para o UFC e, rapidamente, emplacou três vitórias na primeira etapa, garantindo presença entre os 15 melhores da divisão.
- Queda após o confronto com Walker: no UFC Shanghai, em agosto do ano anterior, a sequência de Zhang desandou contra Johnny Walker. A luta foi marcada por um desempenho em que pareceu que ele não lidava bem com o tipo de golpe que vinha sendo aplicado — e Walker o desmontou com chutes e controle até a intervenção do árbitro. A análise destaca que, apesar do poder de nocaute e de ser um striker natural, a defesa do chinês tem “brechas” evidentes.
- Ajustes e leitura sobre o confronto: surge a questão de quais mudanças o córner de Zhang teria realizado após a derrota. A leitura é que Menifield, com experiência em Muay Thai, tende a procurar as pernas, cedo e com frequência. Ao mesmo tempo, não há grande expectativa de um duelo de quedas, já que ambos historicamente não parecem buscar o chão com foco, de acordo com o que foi visto dentro do octógono até aqui.
- Declaração de Zhang: Zhang diz que a derrota anterior foi uma experiência positiva e que ele ainda sente os ensinamentos do que aconteceu. Para ele, o revés precisa ser encarado como um teste: ou a pessoa se torna determinada a superar dificuldades, ou é “esmagada” pela derrota. Zhang afirma que treina para lutas completas, independentemente de serem 15 ou 25 minutos, e que os planos cobrem diferentes cenários. Ele ressalta que não se prepara especificamente para um encerramento precoce na primeira etapa, mas que, se a chance surgir, ele vai agarrá-la — podendo virar tanto um final antecipado quanto uma luta de três rounds.
- Projeção final: a análise indica preocupação por causa da forma como Walker venceu, mas também considera que Zhang enfrenta um adversário já no fim da carreira, que foi nocauteado em quatro das seis derrotas. Se Zhang entrar no ritmo agressivo, a previsão citada é de nocaute ainda no primeiro round, em uma comparação com o que Alex Pereira fez contra Magomed Ankalaev na revanche pelo cinturão. Por outro lado, se o chinês decidir “esperar”, a segunda etapa pode ficar complicada. Assim, a aposta final se inclina para o fator juventude e para as variáveis do duelo.
Previsão: Zhang vence Menifield por nocaute.
O UFC Macau também terá mais lutas no restante do card principal, com previsões para cada confronto além do main event e do co-evento principal.

