Bisping estranha recuperação de Aspinall e questiona retorno ao octógono

Michael Bisping demonstrou bastante apoio ao campeão do UFC, Tom Aspinall, ao longo de uma longa novela envolvendo uma lesão grave no olho. O problema, porém, é que “The Count” passou a colocar em dúvida a explicação para a ausência do britânico no octógono, sete meses depois do episódio inicial. Aspinall teria sido atingido por um “poke” duplo nos olhos durante o UFC 321, contra Ciryl Gane, e desde então não conseguiu voltar a competir. O retorno, na prática, não veio: ele demorou para conseguir até mesmo fazer gestos comuns do dia a dia sem dificuldades, como cumprimentar alguém com segurança ou dirigir. Treino leve foi o máximo que o atleta conseguiu sustentar nesse período, mesmo após múltiplas cirurgias relacionadas à região ocular.

Bisping, por ter vivido uma situação parecida, sabe que lesões no olho não são “detalhes” do esporte. Ele sofreu um descolamento de retina em uma luta contra Vitor Belfort e, com o tempo, acabou perdendo a visão do olho afetado. Usar uma prótese em formato de lente, como ele descreve, dá uma noção muito íntima de como esse tipo de trauma deve ser tratado com seriedade. Ainda assim, agora o ex-lutador afirma que não consegue afastar a sensação de que pode existir algo além do que está sendo contado oficialmente.

Em suas falas, Bisping ressaltou que Aspinall não parece estar negando a necessidade de liberação médica, mas estaria sendo pouco específico. “Ele disse que ainda não está liberado para lutar, mas tem sido bem vago nos detalhes”, declarou o britânico. Para Bisping, o comportamento de Aspinall nas redes também chama atenção: “Ele tem um canal no YouTube, posta conteúdo o tempo todo. Quando você fala disso, você acaba vendo o que aconteceu, quais eram os procedimentos, as operações, o que quer que tenha sido.” Na sequência, o ex-campeão comparou o que passou com o que vê no caso do atual campeão: “Eu fiz uma cirurgia. Foi uma cirurgia muito, muito séria. Chama scleral buckle, procura isso. É algo bem nojento, o que eles fazem com o globo do olho. Eu não sei o que ele teve, mas ele não falou sobre isso. Eu fiz essa cirurgia, me recuperei e voltei para lutar em um período bem menor do que o tempo que está levando para essa história toda do ‘poke’ nos olhos.”

Ao concluir, Bisping disse que conhece Aspinall e que houve proximidade entre eles no passado, mas que os contatos diminuíram com o tempo. “Eu conheço o Tom, a gente tinha uma relação mais próxima. Não conversamos mais hoje em dia. Ele é uma pessoa ótima. Mas eu não sei… Quando você olha entrelinhas, tem algo bem estranho acontecendo. É isso que parece. É isso que dá para entender pelo que está sendo dito.”

Por enquanto, Aspinall mantém a mesma linha: afirma que ainda aguarda a liberação médica para voltar a lutar e, com isso, pretende encarar o vencedor do duelo entre Alex Pereira e Ciryl Gane marcado para o dia 14 de junho, em evento na Casa Branca. O cenário, contudo, segue incerto, caso Bisping esteja certo em suas suspeitas de que o bastidor possa ser mais complexo do que o público imagina. E, como se não bastasse a dúvida sobre a recuperação, entra ainda na equação a relação de negócios de Aspinall com Eddie Hearn, figura ligada ao UFC CEO Dana White por rivalidades no mercado esportivo — o que, para alguns, também pode influenciar a forma como o retorno do peso-pesado está sendo conduzido.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.