Gabriel Bonfim chega pronto para seu segundo compromisso como principal evento no UFC e trata o momento como a continuidade do que viveu na primeira vez. O brasileiro, que desponta como um dos principais nomes do peso meio-médio, afirmou que a experiência adquirida no primeiro card estrelado o deixou ainda mais perigoso para este fim de semana.
Bonfim antecipa a rotina de main event
Na última vez em que foi o cabeça do card, Bonfim entrou no octógono para um duelo de cinco assaltos contra Randy Brown, no Meta APEX, em novembro do ano passado. Agora, repetindo a condição de main event, ele disse estar animado com a oportunidade e, principalmente, mais confortável diante das demandas extras que esse papel costuma trazer.
O lutador explicou que, ao liderar um evento, aumentam as obrigações: mais entrevistas, mais atenção e mais tempo dedicado a lidar com pessoas e compromissos fora do octógono. Ainda assim, após sentir esse peso pela primeira vez, Bonfim afirmou que a segunda semana de preparação como principal evento não o assusta tanto quanto a estreia.
“Com certeza, fica mais fácil. Nesse segundo main event eu já tenho a experiência do primeiro, então a gente se acostuma. Ajuda a diminuir a pressão. Eu acredito que estamos prontos para isso”, declarou.
Bonfim também detalhou que a preparação para o duelo de agora carrega lições do último camp, mas exige ajustes por se tratar de uma possibilidade real de cinco rounds. Para ele, a intensidade precisa ser diferente quando o combate pode passar do limite de três assaltos, influenciando diretamente o planejamento.
“A experiência do último camp eu trouxe para este aqui. É uma luta diferente quando você entra pensando em até cinco rounds. A estratégia conta, o plano de jogo conta. Eu acho que é mais intenso, então o treino precisa ser bem mais intenso para uma luta de cinco rounds do que para uma de três”, acrescentou.
O retrospecto no UFC e o que ele aprendeu na luta anterior
Essa chance como principal evento coincidiu com um dos melhores momentos da carreira do brasileiro na organização. Bonfim soma 6 vitórias e 1 derrota no octógono e, depois de ter sido superado por nocaute técnico por Nicolas Dalby em São Paulo em 2023, “Marretinha” reagiu com força.
Desde então, ele emendou triunfos sobre Ange Loosa, Khaos Williams, Stephen “Wonderboy” Thompson e Randy Brown. Ao lembrar especificamente o confronto com Brown, Bonfim disse que foi ali que conseguiu mostrar com mais clareza sua versão mais autêntica dentro do octógono.
“Eu tive uma luta bem difícil contra Thompson. Acho que era um adversário complicado de enfrentar. Mas na última, contra Randy Brown, eu consegui soltar um pouco mais, ser mais eu mesmo, e aí veio o nocaute”, afirmou.
Desafio do main event: duelo contra Belal Muhammad
Na noite de sábado, Bonfim vai dividir o octógono com um ex-campeão. Belal Muhammad deteve o cinturão mundial interino e, mais recentemente, esteve com o título absoluto do peso meio-médio até maio de 2025. Com um estilo de combate baseado em pressão constante e controle de ritmo, “Remember The Name” deve oferecer um desafio novo para o brasileiro enquanto ele busca avançar no topo da divisão.
Para encarar uma postura tão exigente, Bonfim ressaltou que precisava de um campo de treinamento no mesmo nível de intensidade. Segundo ele, os três meses anteriores ao combate foram moldados para lidar com a pressão e com o desgaste físico característico do adversário.
“A gente teve um camp muito intenso para essa luta. Os últimos três meses de preparação forte foram exatamente para o que o Belal traz. Tem pressão junto com isso. Nós estávamos prontos para esse cenário, para a intensidade e para a pressão, e eu acho que estamos realmente preparados”, explicou.
Ranqueamento, meta de cinturão e confiança no resultado
Os desempenhos recentes colocaram Bonfim na 11ª posição do ranking oficial do peso meio-médio do UFC. Com Muhammad atualmente ocupando o quinto lugar e bem perto da disputa pelo título, o brasileiro enxerga uma vitória como um passo decisivo para alcançar o objetivo de brigar pelo cinturão absoluto da categoria.
“Eu acho que uma vitória contra o Belal me coloca definitivamente no top cinco. Eu acredito que, se eu vencer, mais uma luta depois disso me permite lutar pelo cinturão”, disse.
Bonfim tratou o confronto como a maior oportunidade de sua carreira. Ele projeta que, caso saia vitorioso no sábado, grandes acontecimentos podem ficar próximos para o atleta de 28 anos de Brasília. Para ele, a missão é clara: conquistar seu 20º triunfo profissional e, ainda por cima, alcançar o 18º finalizador de sua trajetória.
“Você pode esperar um Gabriel preparado para uma luta de cinco rounds, se for necessário. Mas também pode esperar nocaute ou finalização”, concluiu.
