LAS VEGAS — Cody Durden admitiu que há alguns anos viveu em um parque de trailers sem clima de celebração, e essa lembrança ajuda a explicar por que a vitória dele no sábado, em uma noite de UFC Fight Night 274, teve um peso especial. Para o lutador, chegar como azarão e transformar a chance em resultado dentro do octógono fez a história parecer ainda maior do que o placar da luta.
Após o triunfo, Durden descreveu a própria confiança como o fator decisivo. “Eu era um grande azarão. Ninguém acreditava em mim. Eu era um azarão de oito para um, mas vim aqui, recebi a chamada na segunda-feira à tarde e fiz acontecer. Só existe uma pessoa que realmente precisa acreditar em você, e essa pessoa é você mesmo. Eu entrei e resolvi a parada”, afirmou, em conversa com a imprensa após o combate.
Com 35 anos, Durden entrou na luta depois de uma sequência negativa de quatro compromissos. Mesmo com a oportunidade chegando em cima da hora, ele conseguiu bater o peso e, na sequência, derrotou Jafel Filho por decisão unânime no Meta APEX. O resultado pode ter sido determinante para segurar o lugar do americano no UFC, especialmente diante do momento turbulento que vinha atravessando.
Durden comemorou o retorno com uma energia que transbordou durante a fala. “Eu estou de volta. Estou muito empolgado. Vocês nem fazem ideia. Eu deixo meus filhos em casa, meus dois filhos lindos. Eles têm 14 anos. Estão no ensino fundamental, na fase do oitavo ano. Eu vou para Coconut Creek e fico por meses. Eles ficam em casa, na Geórgia, com a minha esposa maravilhosa. Momentos como esse é que valem tudo. Eu consigo voltar e contar para eles. Eles sabem que eu saí do nada. Eu vivi em um trailer park. Não teve Natal no Natal, então conseguir chegar aqui e fazer o trabalho é tudo o que eu precisava”, disse.
O lutador ainda detalhou o quanto a rotina de aceitar lutas curtas faz parte do caminho dele dentro da organização. “Essa foi a minha sexta luta substituindo com poucos dias. Quando o UFC liga, eu apareço. Eu nunca falho no peso, nunca desisto. É a minha 16ª luta no UFC. Eu quero que a organização cuide de mim e mostre para os caras que entram na hora e aceitam o risco. Mesmo depois de uma sequência de quatro derrotas, eu ainda subo no chamado com quatro dias de aviso, bato o peso e vou lá para entregar um show”, completou.
Por conta da natureza da luta com pouca antecedência, Durden teve um detalhe diferente no canto. A esposa dele assumiu a função de corner durante o combate — algo que ela já havia feito uma vez antes. Durden comentou que o histórico dá confiança: ela vira uma espécie de amuleto, e ele mantém um retrospecto de 2-0 nesse cenário.
“Dessa vez, minha esposa foi minha cornerman, então eu trouxe ela. Quando eu lutei contra Matt Schnell com quatro dias de aviso, eu trouxe ela também e a gente ganhou o bônus naquele dia. Eu aceitei uma luta contra Alan Nascimento com seis dias de antecedência e estava acertando ele, estava dominando, até o segundo round. Aí fui pego com um golpe de cotovelo. Isso me derrubou, e eu acabei indo para uma queda, que no fim levou à minha derrota. Eu aprendo com isso e entendo que não posso ficar agressivo demais”, explicou.
Durden também projetou o próximo passo na agenda e disse que gostaria de retornar no UFC 329. O alvo dele, em Las Vegas durante a International Fight Week, é Ode Osbourne (13-9 no MMA e 5-7 no UFC). O americano afirmou respeito ao adversário e deixou claro que a expectativa é crescer ainda mais quando o confronto acontecer.
“Eu respeito demais ele. É um lutador bom, duro. Eu vou estar no meu melhor quando enfrentar o Ode. Então é isso: só respeito pelo Ode”, finalizou Durden.

