O UFC Winnipeg aconteceu na noite de sábado (18 de abril de 2026), no Canada Life Centre, em Winnipeg, no estado de Manitoba, no Canadá, e deixou vários atletas lidando com o “pós-luta” difícil alguns dias depois do show. Entre eles, Mandel Nallo, que sofreu uma finalização com nocaute ainda no primeiro round diante de Jai Herbert, em sua estreia na organização. Também chamou atenção Dennis Buzukja, que foi nocauteado por Marcio Barbosa em apenas 80 segundos, em um combate que marcou a chegada do novato ao octógono. Mas, agora, com o evento já distante, uma pergunta passa a dominar as conversas: quem está atravessando o pior “balanço” depois do resultado? O nome que mais pesa é o de Gilbert Burns.
Antes do card, Burns vinha de um momento delicado na carreira: ele acumulava uma sequência de quatro derrotas seguidas, o maior pico negativo de sua história, e o último triunfo havia acontecido havia três anos. No caminho, o brasileiro acabou enfrentando adversários de peso e sofreu contratempos contra nomes fortes, como Jack Della Maddalena e Michael Morales, entre outros. Ainda assim, o período de “Durinho” era, segundo a leitura do momento, o mais difícil possível. O objetivo do lutador era virar a chave, voltar a vencer e entrar novamente na coluna dos resultados para convencer os dirigentes do UFC a manterem seu contrato — e, principalmente, para reafirmar para si mesmo que ainda tinha condições de atuar no mais alto nível.
O problema é que Burns não conseguiu alcançar esse retorno. Durante boa parte da luta, ele não conseguiu impor seu ritmo e tampouco teve controle suficiente para virar o cenário. Quem venceu as trocas na trocação foi Malott, mantendo melhor agressividade e conectando mais golpes enquanto o combate seguia. A história se encaminhou para o desfecho no terceiro round, quando veio um nocaute técnico (TKO), encerrando a luta e deixando o brasileiro “bombardeado”, machucado e sem alternativa na reta final.
O impacto do resultado foi sentido fora do octógono. De forma visivelmente emocional, Burns colocou as luvas no chão e foi acompanhado por familiares, até confirmar no pós-luta, no programa do evento, que havia decidido se aposentar das lutas após sofrer cinco derrotas seguidas.
Em declarações transmitidas na cobertura do pós-show, Burns explicou o sentimento que o levou a tomar a decisão. Ele disse que estava extremamente confiante na vitória, afirmando que chegava a acreditar que algo precisava dar muito errado para que o resultado não viesse. Segundo o atleta, o pensamento era não repetir um ciclo em que ele não entregaria seu “cem por cento” dentro do octógono — mencionando também a sensação de estar “preso” em algum nível, apesar de manter a chama acesa. Na sequência, ele afirmou que não quer continuar se não conseguir vencer e se não conseguir mostrar tudo o que tem, ressaltando que não pretende lutar apenas por um pagamento, mas sim por desempenho e entrega. Burns ainda completou que, se não for possível, ele seguirá em frente e que existem desafios que ele deseja encarar pela frente.
Com a idade chegando perto dos 40 anos, a aposentadoria pode ser o passo mais saudável para “Durinho”. Ainda assim, existe a chance de ele retornar ao esporte em um futuro mais distante ou buscar outro caminho competitivo — afinal, há alternativas para um lutador manter carreira sem precisar receber golpes de forma direta como acontece em lutas. Ao mesmo tempo, a própria dinâmica do MMA também mostra que voltar a competir pode acontecer, já que “tombos” em palcos e mudanças de rota fazem parte do cotidiano de atletas que passam por fases duras.
Mesmo sem uma trajetória que possa ser colocada no patamar de “Hall da Fama”, Burns encerra esse ciclo com a postura de quem deu tudo. Além disso, ele carrega a lembrança de ter imposto a maior dificuldade até então ao atual campeão mundial dos médios do UFC, Khamzat Chimaev, em um teste que evidenciou sua capacidade mesmo em um período turbulento. Agora, a pergunta que fica no ar é: o que mais será lembrado de uma carreira longa como a de Gilbert Burns?
Resultados completos do UFC Winnipeg, melhores momentos e discussões seguem disponíveis no acompanhamento do evento.

