O UFC voltou ao Canadá pela primeira vez em mais de oito anos neste sábado, com a arena do Canada Life Centre, em Winnipeg, recebendo o UFC Fight Night: Burns vs Malott. Com o pano caindo na capital de Manitoba, a noite já tem seus destaques — e, principalmente, seus nomes que parecem ter ganhado tração imediata na corrida por posições mais altas no ranking.
Antecedentes
A semana em Winnipeg teve um peso extra para Malott. O evento foi construído em torno dele, e a missão era clara: desta vez, tentar superar um adversário experiente no peso meio-médio — após ter falhado na primeira tentativa contra Neil Magny em UFC 297, alguns anos atrás. Mesmo com o clima de pressão, Malott manteve a postura de sempre, carismático e grato durante os dias que antecederam a luta. No sábado, porém, a abordagem foi outra: foco total em executar.
Em outro recorte do card, Jourdain chegava após dois compromissos no peso galo que terminaram com finalização. Para ampliar a sequência para três vitórias consecutivas, o desafio era Kyler Phillips, duelo que colocaria à prova não só o desempenho no trocador, mas também a capacidade de gerir a luta em diferentes momentos.
Já Jasudavicius carregava uma história recente que aumentava o interesse do público. Ela havia sido superada e, em Vancouver, sofrido um revés pesado para Manon Fiorot no mês de outubro do ano passado. Em Winnipeg, a expectativa era entender como ela reagiria quando enfrentasse Karine Silva. Havia ainda a leitura de que, dependendo do resultado, o revés poderia virar um ponto que travasse o avanço na divisão.
Na sequência, Barbosa entrou em cena em meio à concorrência típica de estreantes e recém-promovidos. Entre os atletas que já haviam recebido convite para o octógono durante temporadas do Dana White’s Contender Series, era difícil chamar atenção sem uma atuação realmente acima da média — ainda mais com nomes como Jose Delano, Lerryan Douglas e Tommy McMillen entregando atuações fortes em sua estreia.
Por fim, o clima emocional ganhou força em torno da vitória de Valentin. O lutador chegou ao evento com uma trajetória marcada por altos e baixos: foi um dos grandes destaques do The Ultimate Fighter na 32ª temporada, alcançou a final e acabou derrotado por Ryan Loder, que o finalizou no segundo round. Depois, sofreu uma segunda derrota em sequência ao perder para Torrez Finney por decisão dividida em abril, antes de retornar ao UFC 318 em Nova Orleans e cair diante de Ateba Gautier. Winnipeg parecia ser um momento de “virada” — ou “tudo ou nada”.
A luta
- Malott x Gilbert Burns (evento principal) — Malott começou impondo o ritmo e venceu a maior parte das trocas nos dois primeiros rounds, chegando a causar sangramentos em Burns. À medida que a luta avançava, a intensidade aumentou: no terceiro, Malott voltou com mais força, derrubou duas vezes e fechou a conta com a finalização.
- Jourdain x Kyler Phillips (co-main) — A luta exigiu persistência. Embora o trocador tenha aparecido em alguns momentos e um joelho voador no fim ajudasse a encaminhar o desfecho, Jourdain precisou demonstrar maturidade: no primeiro round, trabalhou a partir da parte inferior, mostrou boa capacidade de se levantar, conseguiu “tirar as mãos” em situações de clinch e grappling e continuou encontrando formas de pontuar mesmo quando Phillips ditava algumas trocas no chão. O resultado saiu em decisão unânime, com vitória para Jourdain.
- Jasudavicius x Karine Silva — Após um início com momentos difíceis e pequenos erros que precisariam ser ajustados, Jasudavicius conseguiu controlar melhor os rumos e assegurar o resultado em decisão unânime. Nos dois últimos rounds, ela empurrou o ritmo, aumentou o volume de dano e voltou para a coluna de vitórias com uma atuação baseada em pressão e resiliência.
- Barbosa x Dennis Buzukja — Logo aos 80 segundos do combate, Barbosa conectou um gancho de esquerda no queixo do adversário, um golpe que interrompeu imediatamente a luta. Buzukja caiu forte e permaneceu desacordado por alguns segundos antes de recuperar a consciência e entender o que tinha acontecido. A vitória veio com direito a bônus pelo desempenho.
- Valentin x Julien Leblanc — Valentin acelerou o confronto aproximando-se rápido e, quando a luta foi para o chão, levou a disputa para uma sequência que terminou em controle dominante: ao cair na lona, ele subiu para a montada, transicionou para as costas e travou uma finalização por mata-leão.
O pós-luta
A grande noite de Malott foi tratada como um avanço imediato. A vitória encerrou o combate no terceiro round com superioridade e deve colocá-lo entre os nomes observados na atualização do ranking desta semana. Com isso, ele ampliou a sequência de triunfos para quatro e sinalizou que o próximo degrau pode ser ainda maior.
Para Jourdain, a decisão unânime sobre Kyler Phillips não garantiu vaga automática no ranking — ainda mais com a profundidade da categoria —, mas o triunfo sobre um adversário relevante na divisão pesa bastante. O resultado também rendeu Fight of the Night para o par, o que torna Jourdain 3 de 3 em bônus na divisão até aqui. Além disso, a atuação reforça que ele deixou de ser apenas um lutador de entretenimento constante para se apresentar como alguém com chance real de fazer barulho nos próximos compromissos.
No caso de Jasudavicius, o recado após a derrota anterior foi claro: ela reagiu, endireitou o caminho rapidamente e voltou a vencer. Ela havia mencionado acompanhar o confronto entre Song Yadong e Deiveson Figueiredo na semana — e a possibilidade de enfrentar o vencedor parecia “obrigatória”, independentemente de quem saísse com a vitória. Em Winnipeg, contra Karine Silva, Jasudavicius mostrou resiliência, retomou o ritmo e se mantém na faixa de cima da divisão, com o calendário ainda caminhando para o fim do primeiro mês do trimestre.
Barbosa, por sua vez, ganhou a atenção instantaneamente. O nocaute em apenas 80 segundos sobre Dennis Buzukja lhe rendeu bônus e deve acelerar a percepção do público sobre o que esperar dele em próximas lutas. O sucesso também foi visto como parte do crescimento de atletas da mesma leva: os graduados da temporada vêm apresentando números fortes e “Ticotô” adicionou mais um capítulo convincente ao histórico recente.
Já Valentin transformou o resultado em um momento marcante. Assim que o combate terminou, ele caiu em lágrimas e dedicou a vitória à mãe, que havia falecido durante o período do último campo de treino. Na sequência, agradeceu ao treinador Dewey Cooper e a quem permaneceu ao lado dele no começo turbulento na grande vitrine.
Com um caminho cheio de reveses recentes, Valentin também chegou a Winnipeg carregando o peso de uma luta que parecia decisiva para o futuro. Depois de ser eliminado na final do The Ultimate Fighter em uma derrota no segundo round para Ryan Loder, ele sofreu outra sequência ruim: perdeu por decisão dividida para Torrez Finney em abril, e, ao retornar ao UFC 318, encontrou dificuldades contra Ateba Gautier, que vinha em boa fase e acabou interrompendo o ritmo dele. Desta vez, Valentin aproveitou o momento ao máximo, saiu do jogo emocionalmente abalado e, ao mesmo tempo, finalmente do lado certo do placar dentro do UFC.

