Usyk e Verhoeven: juiz viu empate até nocaute técnico no cronômetro zerar

Oleksandr Usyk conquistou uma vitória memorável diante de Rico Verhoeven, mas o desfecho por nocaute técnico — com o cronômetro praticamente zerando — acabou destacando também uma questão curiosa: as pontuações dos jurados pareciam bem mais equilibradas do que o impacto do desempenho de Verhoeven sugeria. No evento da Glory em Gizé, realizado neste sábado, Usyk manteve o cinturão mundial dos pesos-pesados da WBC ao superar o veterano do kickboxing em uma luta decidida por nocaute técnico, com apenas um segundo restante do 11º round.

Ficha técnica

  • Resultado: Oleksandr Usyk venceu Rico Verhoeven por nocaute técnico (TKO)
  • Método: nocaute técnico
  • Round: 11
  • Tempo: 1 segundo restante no 11º round
  • Categoria: pesos-pesados
  • Título em jogo: defesa do cinturão WBC dos pesos-pesados

Defesa do cinturão e virada no fim

Apesar da conquista, a vitória de Usyk não parecia estar garantida em boa parte do combate. Verhoeven, maior e mais agressivo, conseguiu impor presença com frequência, pressionando e se lançando sobre o adversário em diversos momentos, além de acertar golpes que colocavam as defesas de Usyk sob incômodo constante.

Mesmo com essa pressão, Usyk conseguiu manter o controle o suficiente para transformar o final da luta em um capítulo decisivo. Com o combate entrando no 11º round e o relógio já próximo do término, ele acabou criando a oportunidade que culminou na finalização por nocaute técnico, exatamente no instante em que faltava apenas um segundo para a conclusão da parcial.

Placar dos jurados: empate e vantagem mínima

Após o fim da luta, as cédulas oficiais mostraram um cenário que reforça a leitura de que o desfecho poderia, em tese, ter sido diferente caso o combate tivesse passado dos minutos finais. Dos 10 rounds computados, dois jurados registraram igualdade: Manuel Oliver Palomo e Fabian Guggenheim deixaram a luta empatada em 95-95.

O terceiro juiz, Pasquale Procopio, marcou um quadro ligeiramente favorável a Verhoeven, com 96-94. Ou seja, havia equilíbrio no placar entre os pareceres, com uma diferença pequena no total que ainda poderia ser revertida caso o 11º round fosse concluído e pontuado.

O que aconteceria se o 11º round fosse pontuado

Com o fim acontecendo tão perto do encerramento, o 11º round não entrou do jeito tradicional na soma final. Ainda assim, a leitura indicada pelas pontuações é que, se a parcial tivesse sido registrada, o período teria sido marcado como 10-8 em favor de Usyk, em função do nocaute tardio que ele provocou no final.

Em outras palavras, Usyk estaria em uma posição bem favorável para vencer por decisão e, assim, reter o cinturão — mesmo considerando que, no placar até então, a luta não estava com uma vantagem clara e confortável para um dos lados.

Por que o placar gerou questionamentos

Mesmo com a polêmica do encerramento, há uma parcela de torcedores que, ao ver os cards numéricos, deve ter ficado com a sensação de que o combate foi mais equilibrado do que o impacto do desempenho exibido por Verhoeven indicava, especialmente diante do fato de Usyk ter parecido menos ativo do que o habitual. A surpresa fica ainda maior quando se olha para a proximidade dos números entre os jurados.

Dessa forma, é compreensível que a discussão ganhe força: se o placar já era apertado antes do final e o resultado foi decidido de forma dramática no último segundo, o mesmo tipo de reação do público poderia ter acontecido caso Usyk tivesse triunfado apenas pelos cartões. Ao fim, o que prevaleceu foi o momento decisivo no fim do combate, mas os números revelaram que a luta estava longe de ser um cenário unilateral.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.