Zabit Magomedsharipov critica o UFC e explica saída precoce após adiamentos

Zabit Magomedsharipov, um dos maiores “e se” do MMA moderno, explicou por que decidiu encerrar a carreira de forma abrupta apesar de ter chegado ao topo da divisão peso-pena. Com histórico de 18 vitórias e 1 derrota no cartel geral e 6-0 no UFC, o russo-americano apontou uma sequência de adiamentos e desfechos envolvendo o rival Yair Rodríguez como fatores centrais para a frustração que culminou na aposentadoria em 2022.

O “what if” que não se concretizou: carreira interrompida mesmo com cartel forte no UFC

Magomedsharipov, atualmente com 35 anos, foi um dos nomes que mais chamaram atenção na categoria dos penas. Ele vinha de um momento de alta na elite, mas parou de competir de maneira repentina. A última luta aconteceu em novembro de 2019, quando ele derrotou Calvin Kattar em uma Fight of the Night.

Mesmo com desempenho dominante na organização — com campanha de 6-0 no octógono —, a trajetória foi marcada por oportunidades que não se transformaram em consistência de compromisso. O resultado foi um cenário clássico de “talento máximo que ficou pelo caminho”, justamente no período em que a carreira parecia prestes a atingir um novo nível.

Rivalidade com Yair Rodríguez: adiamentos, lesões e a quebra de expectativa por título

Na visão do lutador, a causa mais específica para a desistência envolveu negociações e marcações que não se concretizaram contra Yair Rodríguez. Ele afirmou que houve “vários motivos”, mas que o ponto decisivo foi a dificuldade de viabilizar o combate, com repetidos adiamentos e, em cada tentativa, o planejamento sendo recomeçado.

De acordo com o que Magomedsharipov descreveu, o UFC não conseguiu fechar a luta com Rodríguez. Ele contou que, por diversas vezes, foi necessário adiar o confronto mesmo depois de estar no caminho para competir — encarando a rotina completa do atleta: cortar peso, entrar em camp e viajar para os Estados Unidos. Quando chegava ao destino, a informação mudava, e a luta era postergada novamente com o argumento de que o adversário “estava lesionado”.

O lutador relatou que esse ciclo se repetiu “cinco vezes”, o que, segundo ele, gerou desgaste emocional e mental até o limite. Na prática, não era apenas perder uma data: era ter que retornar para casa, recomeçar a preparação e, novamente, passar pelo processo de corte e treinamento para então receber a notícia de que tudo seria adiado mais uma vez.

Contrato prometendo disputa de cinturão e o impacto no ranqueamento/rumo do cinturão

Magomedsharipov disse que existiam acordos com a organização relacionados ao desfecho de uma terceira desistência do rival. Segundo ele, ficou combinado que, se Rodríguez tirasse a luta pela terceira vez, Magomedsharipov ganharia automaticamente a chance de disputar o cinturão.

Ele afirmou que, na terceira vez, o adversário teria apresentado “desculpas” e levantado diversos motivos, o que teria frustrado o que foi discutido. A partir daí, o lutador passou a receber propostas de outros nomes para enfrentar — primeiro Chan Sung Jung e, depois, outros adversários. Ainda assim, Magomedsharipov sustentou que, naquele período, havia uma realidade diferente: na leitura dele, a disputa deveria ser entre os dois, já que ambos eram contendores, e a sensação era de que o plano não era colocar o russo-americano como campeão.

No mesmo contexto, ele explicou a lógica que acreditava existir nos bastidores: naquele momento, haveria muitos campeões vindos da Rússia — citou Khabib Nurmagomedov como campeão na época e também mencionou Petr Yan — e, por isso, não seria “vantajoso” para a organização ter um terceiro campeão do mesmo país.

  • Magomedsharipov relatou que a luta contra Yair Rodríguez não foi concretizada após múltiplos adiamentos.
  • Ele afirmou que existia um acordo para disputa de título caso houvesse uma terceira desistência do adversário.
  • Depois disso, outras opções foram oferecidas, mas ele disse que, naquele cenário, o foco deveria ser ele e Rodríguez.

O que vem depois: nova liga na Rússia e o legado deixado na divisão dos penas

Com a aposentadoria decretada em 2022, Magomedsharipov seguiu com a carreira em outro formato competitivo. Recentemente, ele assinou com a liga russa de grappling ACBJJ, que funciona como um desdobramento da promoção russa ACA.

Em entrevista recente, ele também foi abordado por seu histórico de saída do esporte. E, em um diálogo anterior, o empresário Ali Abdelaziz apontou razões semelhantes quando foi questionado sobre a aposentadoria do lutador.

Para o contexto do UFC e do MMA, o caso de Magomedsharipov continua sendo um “marcador de oportunidade perdida”: mesmo com campanha impecável na organização (6-0) e presença forte no topo dos penas, o caminho até o cinturão acabou não sendo fechado. Agora, o próximo capítulo ocorre fora do octógono, com a aposta em competição de grappling — enquanto a divisão peso-pena segue evoluindo sem a figura que, nas palavras dele, estava pronta para assumir o posto quando as negociações pareciam apontar para isso.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.