Verhoeven e Usyk no Egito: rematch pode repetir a “ressaca” de nocaute

O fim de semana passado, no sábado (23 de maio de 2026), reservou um confronto histórico de “grandes pesos” no combate em um cenário improvável: Rico Verhoeven e Oleksandr Usyk se enfrentaram em uma luta de alto impacto no Egito, em um evento que surpreendeu muita gente justamente pelo tamanho do desafio colocado para o público local. Programado para doze rounds, o duelo terminou com uma virada dramática no fim da luta — e, principalmente, com muita controvérsia envolvendo a interrupção do árbitro.

Verhoeven dominou, Usyk virou e a briga ganhou outro rumo

Durante a maior parte da luta, Verhoeven foi quem mais acertou, quem impôs ritmo e quem causou mais incômodo ao adversário. O holandês, conhecido pelo poder e pela eficiência, conseguiu manter a pressão e deixou Usyk em uma situação desconfortável, com “O Gato” visivelmente sem o mesmo encaixe e mais preso em sua movimentação de pés.

Mesmo com alguns momentos em que Usyk conseguiu ameaçar e produzir boas sequências, a condução geral do combate ficou com Verhoeven. O panorama era de vitória por decisão: tudo indicava que o campeão unificado dos pesados de boxe e o ícone do kickboxing fariam uma luta longa e controlada pelo europeu do kickboxing.

A queda no round anterior e o detalhe que mudou o tempo

O ponto de virada aconteceu no round penúltimo. Usyk conectou um golpe alto, com um uppercut que fez Verhoeven desabar no chão. Após a contagem em pé, o árbitro parou a ação para permitir que Verhoeven recolocasse o protetor bucal. A pausa, apesar de ser necessária, acabou virando um fator estratégico: deu tempo para o holandês se recompor, mas também ofereceu espaço para Usyk retomar o controle e tentar finalizar.

O clima de “virou a chave” ficou ainda mais evidente no fim do combate. Com cerca de dez segundos restantes no 11º round, o campeão voltou a pressionar com golpes em sequência. Nesse momento, o árbitro entrou para encerrar a luta, interrompendo o duelo antes do último assalto. A decisão foi amplamente criticada por ter sido, nas palavras do que se viu, uma das interrupções mais questionáveis dos últimos tempos.

Interrupção polêmica e o sentimento de “e se?”

Enquanto Usyk continuava acertando, Verhoeven tentava resistir e se manter de pé. A sensação entre muitos foi a de que o holandês teria condições de chegar ao round final caso o árbitro não tivesse interrompido a luta naquele instante. E, justamente por essa interrupção precoce, a pergunta que dominou o pós-luta foi inevitável: o que aconteceria se o cronômetro tivesse deixado o combate terminar?

Ninguém tem como responder com certeza, mas o debate ganhou força porque as anotações dos juízes foram reveladas depois. O que deixou parte do público ainda mais confusa foi o fato de dois jurados terem deixado o placar empatado, enquanto apenas um juiz marcou vantagem para Verhoeven após dez rounds. Esse tipo de cenário abriu espaço para a hipótese de que, além da interrupção, poderia existir distorção nas avaliações de alguns cards parciais.

Verhoeven quer recorrer; equipe entende que é uma batalha difícil

Com a derrota, Rico Verhoeven planeja recorrer do resultado. A ideia é tentar reverter a decisão dentro das regras e procedimentos cabíveis, mas a própria realidade do desfecho deixa claro o tamanho do desafio: reverter um resultado em esportes de combate costuma ser uma tarefa extremamente complicada, especialmente quando o tema envolve interrupção em luta.

Na prática, isso significa que Verhoeven e sua equipe não devem alimentar expectativas irreais quanto a uma mudança imediata. O mais provável é que o foco agora seja no que vem depois, e não apenas na tentativa de “corrigir o passado”.

Rematch é o caminho mais lógico — e a discussão já começou

Se existe uma direção clara após o que aconteceu diante do público no Egito — em um local que virou referência do evento pela própria grandiosidade do palco — a mais citada é a chance de revanche. Durante as entrevistas logo após o combate, Rick Reeno, CEO da The Ring, chamou atenção ao tentar conduzir a narrativa para um próximo encontro com Agit Kabayel, campeão interino dos pesados pela WBC. Reeno ainda orientou Usyk a considerar enfrentar Kabayel na sequência.

Essa movimentação, porém, não agradou Turki Alalshikh, que estava presente no ambiente e rapidamente encerrou a discussão. Ele foi direto ao afirmar que não era a hora de pensar nesse confronto específico.

“Verhoeven mereceu o imediato” — e Alalshikh reconheceu a revanche

Mesmo cortando a ideia alternativa, Alalshikh fez questão de reconhecer o ponto mais sensível do caso: segundo ele, Verhoeven realmente merecia uma revanche imediata. O raciocínio por trás disso é simples: o holandês venceu boa parte do combate, criou a maior parte do impacto e, mesmo com a virada de Usyk, estava resistindo e pontuando no momento em que a luta foi interrompida.

Com isso, a tendência ficou ainda mais clara. O caminho natural seria organizar um segundo duelo entre Verhoeven e Usyk, já que o primeiro encontro terminou com uma finalização interrompida, uma queda decisiva e um fim cercado de controvérsia.

O que muita gente acredita sobre o primeiro duelo

Apesar de todo o barulho e do desfecho, parte do público também acredita que Usyk não levou o duelo com a mesma seriedade que seria necessária para dominar desde o início. Essa leitura ajuda a explicar por que o desempenho do ucraniano nos primeiros rounds não pareceu tão avassalador quanto o que se esperaria de um campeão com esse nível de execução.

Ao mesmo tempo, esse tipo de interpretação também é considerado injusto para Verhoeven. Afinal, o holandês realmente impôs seu jogo por longos trechos, foi mais constante e se mostrou mais ativo e perigoso. E, caso um cenário de revanche se concretize com Usyk mais focado, existe a expectativa de que o campeão possa ajustar suas respostas e impor um ritmo mais eficiente — possivelmente com um domínio maior do que se viu anteriormente.

Por outro lado, o próprio Verhoeven também sai desse confronto com uma leitura valiosa do que “O Gato” oferece. Ele agora sabe, na prática, como Usyk reage no momento certo e quais são os pontos em que o perigo se transforma em finalização. Assim, a tendência é que os dois lados ajustem o plano, tornando um eventual segundo encontro o teste mais duro do holandês em algum tempo.

O que esperar de uma possível revanche

Se a lógica esportiva prevalecer, o próximo passo deve ser a revanche entre os dois. Verhoeven tem argumento para pedir a oportunidade, especialmente depois de ter sido o mais ativo e o mais produtivo em grande parte do confronto, e Usyk precisa responder ao que aconteceu no Egito, onde o fim do combate deixou uma sensação de “inacabado” para muita gente.

No fim, a pergunta que fica no ar é: haveria algo diferente a fazer? Com a repercussão e o reconhecimento público de que Verhoeven merecia imediatamente uma nova chance, o cenário mais plausível é mesmo o retorno do confronto — desta vez com menos espaço para dúvidas.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.