Alexander Volkov chega ao UFC 328 com o desafio mais relevante do fim de semana no card principal: encarar Waldo Cortes Acosta. Aos 37 anos e com 50 lutas profissionais no cartel, o russo ocupa o segundo lugar do ranking de pesos-pesados da organização, o que muda totalmente o peso da decisão para ele. Volkov não vê mais sentido em lutar “por lutar”; quando a oferta apareceu, a proposta chamou atenção justamente por colocar o nome dele no caminho certo dentro da divisão.
“Quando eu era mais jovem, eu lutava seis ou sete vezes por ano e era diferente. Hoje eu não preciso disso. Por causa da minha colocação, eu busco o cinturão. Mas, se existe alguém aqui que finge que está lutando por título, eu também estou aqui para lutar contra ele”, afirmou Volkov.
O recado de Volkov tem uma referência direta a declarações feitas por Cortes Acosta após a vitória sobre Derrick Lewis no UFC 324. Na ocasião, o dominicano sugeriu um confronto com Ciryl Gane pelo cinturão interino da categoria. Volkov, que já tem histórico com o francês, reagiu nas redes sociais e publicou um vídeo defendendo que Gane fosse “mantido no gelo” até o retorno do campeão Tom Aspinall, e deixou claro que topa encarar Cortes Acosta pelo interino.
Mesmo sem cinturão em disputa no compromisso deste sábado, Volkov entende que a luta contra Cortes Acosta é uma oportunidade para reforçar exatamente o que ele acredita ser: nível técnico, capacidade de competir com os melhores e lugar legítimo na hierarquia da divisão. Na visão do russo, o adversário vem com bastante exposição, mas nem por isso deve ser tratado como invencível.
“Ele tem hype, então todo mundo está de olho. E às vezes as pessoas esquecem que outros lutadores também estão aqui. Não é só vencer — porque dá para bater gente com nível não tão alto e achar que enfrentou adversários muito difíceis. Muita gente que ele venceu, eu também consigo fazer isso em cima, até em curto prazo. Então não é um grande problema… O ponto principal é que ele é muito confiante em si mesmo. A luta em que ele levou um golpe no olho e voltou mostrou isso. Ele é confiante até o fim, tem mão pesada, é resistente, mas eu preciso colocá-lo à prova”, disse Volkov.
Antecedentes
Volkov chega ao confronto como um dos nomes mais bem posicionados da categoria. Apenas Tom Aspinall e Ciryl Gane estão à frente dele no ranking. Para parte do público que acompanhou o duelo entre Volkov e Gane no UFC 310, houve entendimento de que pelo menos dois dos três jurados não teriam dado o resultado correto.
Logo acima no “degrau” seguinte ao de Volkov está outro russo: Sergei Pavlovich, que ocupa a posição imediatamente posterior na lista. Pavlovich vem de uma vitória sobre Cortes Acosta em agosto passado, mas já tem compromisso marcado para enfrentar Tallison Teixeira, número 14 do ranking, mais adiante neste mês em Macau.
Enquanto isso, Josh Hokit, ex-participante do Dana White’s Contender Series, entrou em alta após vencer Curtis Blaydes no UFC 327. Agora, ele está programado para enfrentar Derrick Lewis no UFC Freedom 250, e a sensação é de que Hokit pode tentar acelerar a fila com mais uma vitória.
Somando esses elementos, o contexto se torna ainda mais favorável para Volkov buscar afirmação com o desafio de Cortes Acosta. E existe outro fator que aumenta o interesse: Alex Pereira, ex-campeão do peso-meio-pesado, foi colocado diretamente em uma disputa de cinturão interino contra Gane logo na estreia dele na divisão. Com isso, Volkov enxerga o momento como propício para reforçar as próprias credenciais e lembrar que também está no radar para lutas grandes.
A luta
- Volkov destaca que pretende “testar” Cortes Acosta, ressaltando a confiança do adversário, a durabilidade e a capacidade de manter o ritmo mesmo após situações adversas, mas afirmando que o russo vai buscar colocar o dominicano em prova desde cedo.
- O brasileiro e o público em geral devem esperar um combate com tendência ao trocão, embora Volkov admita que a luta possa migrar para o chão: “Acredito que vai ser mais em pé, mas é possível descer também”, projetou.
- Sem prometer necessariamente uma finalização, Volkov reforça que vai com postura ofensiva e com intenção clara de buscar o fim quando surgir a oportunidade.
“Agora eu também deveria estar ocupado e essa luta faz sentido para pegar alguém que deve estar perto de uma disputa de título em breve. Isso não é um passo atrás: lutar com ele é uma forma boa de mostrar para todo mundo que eu continuo aqui, que eu ainda quero lutar pelo cinturão na sequência, e que todos prestem atenção nessa luta e me enxerguem também”, completou Volkov.
O pós-luta
Volkov admite que, mesmo com a vitória sobre Cortes Acosta no sábado, não consegue controlar o que virá depois. Ele tem objetivos mais claros — e uma lista de adversários que considera mais interessantes —, mas entende que o encaminhamento depende de fatores que fogem do que ele pode decidir.
Entre os nomes preferidos, Tom Aspinall aparece como prioridade. O motivo é direto: Volkov quer revanche do que aconteceu na derrota por finalização contra o inglês, além do fato de Aspinall ser campeão. Caso Aspinall ainda esteja lesionado e não retorne a tempo, Volkov diz que quer Alex Pereira se ele derrotar Ciryl Gane. Se Pereira perder e continuar na categoria, o russo afirma que também quer enfrentar o brasileiro, novamente por tratar-se de um nome grande e uma luta grande. Por fim, ele cita Ciryl Gane como última opção dentro desse cenário — observando que, nesse caso, o francês seria apenas o campeão interino.
“Para mim, a melhor forma é lutar com Tom Aspinall, porque ele tem o título. E eu perdi para ele por finalização, então eu quero a revanche e quero mostrar que consigo ser melhor. Essa luta faz mais sentido para mim, mas vamos ver… Se (Aspinall) ainda estiver machucado, não voltar e Alex Pereira (vencer) Ciryl Gane, claro que eu quero lutar com Alex Pereira. É um nome grande, uma luta grande. Se Alex Pereira perder e ficar na divisão, eu quero lutar com ele também, porque é um nome grande… A última opção é Ciryl Gane. Essa luta também faz sentido, mas ele seria só o campeão interino. Só espero que não seja mais um adversário jovem em ascensão; tem que ser alguém do número 1, 2 ou 3”, declarou Volkov.
Ele ainda resumiu a própria condição no tabuleiro: “Você falou certo: eu não controlo isso. E toda vez que eu quero alguma coisa, acontece o contrário.”
Por enquanto, Volkov foca apenas no compromisso imediato no Prudential Center, em Newark, neste fim de semana. Sobre como pretende vencer, ele voltou a enfatizar que a estratégia pode envolver tanto o confronto em pé quanto a possibilidade de descer para trocas no chão, mas sem detalhar planos específicos poucos dias antes do combate.
“Eu acho que vai ser mais em pé, mas é possível ir para baixo também; vamos ver. Falar meus planos agora, poucos dias antes de uma luta importante, é meio bobo. Mas eu vou vencer (risos). Eu vou ter várias oportunidades e chances de finalizar”, disse Volkov.
“Eu não sei se vou finalizar ou não, mas eu vou para cima com certeza.”

