Usman questiona se Gilbert Burns vai mesmo parar após a carreira no MMA

Kamaru Usman fez elogios a Gilbert Burns e desejou o melhor ao ex-companheiro de treinos, mas admitiu uma dúvida: o “Durinho” realmente está encerrando a carreira no MMA? Os dois tiveram uma trajetória marcada por caminhos que se alternaram fora e dentro do octógono, e o tema voltou à tona com discussões sobre o que vem depois do esporte para um lutador que viveu o auge e também a parte mais dura do profissionalismo.

Histórico entre Usman e Burns e o confronto que definiu o cinturão

A ligação entre Usman e Burns vai muito além da rivalidade. Os dois dividiram o tapete enquanto faziam parte do mesmo grupo, o Blackzilians, como parceiros de treino e, com o tempo, construíram uma relação próxima. Ainda assim, quando a oportunidade de título apareceu, a amizade precisou ficar do lado de fora: na luta pelo cinturão dos meio-médios no UFC 258, eles se enfrentaram, e o nigeriano venceu por nocaute técnico no terceiro round, defendendo seu posto de campeão.

  • Usman: cartel no MMA 21-4 e no UFC 16-3.
  • Burns: cartel no MMA 22-10 e no UFC 15-10.

Depois da derrota pelo título, Burns seguiu tentando novas oportunidades. Ele não conquistou o ouro no UFC, mas acumulou no cartel um conjunto de lutas contra nomes de ponta na divisão, o que reforça o peso da trajetória dele mesmo sem ter fechado o ciclo com o cinturão.

Legado na categoria e o impacto do possível retorno

O reconhecimento a Burns também apareceu em falas de Henry Cejudo, que destacou a amplitude de adversários enfrentados pelo brasileiro. Na conversa com Usman, Cejudo reforçou que Burns encarou praticamente todo tipo de desafiante relevante dentro dos meio-médios, citando uma lista de nomes que inclui figuras de diferentes fases e estilos, além de atletas que passaram pelo topo da categoria.

Apesar dessa história, Burns vinha de um momento complicado: após uma sequência de cinco derrotas, ele decidiu encerrar as atividades aos 39 anos. O último compromisso veio como luta principal no UFC Fight Night 273, em Winnipeg, contra Michael Malott. Mesmo com a despedida anunciada, Usman e Cejudo deixam no ar a possibilidade de que o “Durinho” possa, sim, voltar — nem que seja para reavaliar o que ainda faz sentido em sua vida dentro do esporte.

Cejudo e Usman também fizeram um raciocínio recorrente em carreiras de atletas: quando a pessoa para de treinar com constância, a rotina muda completamente. Sem a estrutura do camp, o dia a dia tende a perder ritmo, a motivação pode oscilar e a mente busca o ambiente que antes era parte central da vida. A partir daí, surge a tentação de voltar aos poucos: primeiro observando como a academia está, depois testando o sparring e, com o tempo, sentindo falta do que o combate entrega — não apenas como trabalho, mas como identidade.

Burns, por sua vez, já falou sobre o que pretende fazer fora do esporte. No âmbito profissional, ele demonstrou interesse em atuar na gestão do MMA. No lado esportivo, a postura dele é de estar “satisfeito” com o que conquistou na carreira. Ainda assim, o debate em torno do retorno existe porque, na prática, aposentadorias no MMA nem sempre se confirmam de forma definitiva na primeira tentativa.

O que Usman espera de Burns e qual seria o próximo passo

Usman afirmou que não vê motivo para duvidar da palavra do lutador. Ao lembrar dos anos de preparação ao lado de Burns, ele fez questão de explicar por que o brasileiro foi tão importante no desenvolvimento dele como atleta. Segundo Usman, Burns era um grappler de alto nível — com base forte no jiu-jitsu — enquanto ele próprio era mais focado na luta de wrestling. Esse contraste fazia com que os dois se cobrassem no que tinham de melhor, especialmente na dinâmica de controle de posição e na tentativa de levar a luta para o próprio cenário favorável.

Usman também comentou que, por mais que tenham se esbarrado no caminho com a disputa pelo título, a relação seguiu intacta depois do confronto. Ele classificou o cartel e a trajetória de Burns como algo excepcional e demonstrou ansiedade para saber qual será o próximo capítulo do “Durinho”: se realmente será a transição para a gestão ou se ainda existe vontade de competir novamente.

Em outras palavras, o resultado do passado no UFC 258 e a forma como Burns se colocou na elite por anos ainda deixam uma pergunta em aberto: mesmo com sinais claros de aposentadoria, há espaço para um retorno — ou o gerenciamento deve virar o foco principal do brasileiro. Para o ranqueamento dos meio-médios, o ponto central é simples: Burns sempre foi um adversário que muda a leitura de qualquer divisão por causa do seu jogo no chão. Se ele ficar fora, a categoria perde uma peça perigosa; se ele voltar, isso pode reacender discussões sobre novas lutas e possibilidades de reposicionamento.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.