Whittaker provoca Adesanya: “ache a fome” se quiser encarar no octógono

Robert Whittaker sabe o que funciona e o que dá errado para Israel Adesanya com a mesma intimidade de quem já encarou um rival do mais alto nível. Os dois nomes, que marcaram uma geração no peso-médio, ficaram para sempre ligados por uma rivalidade de dois confrontos e também por carregarem com orgulho a representação da região da Oceania. Whittaker passou o bastão para Adesanya em uma disputa de unificação pelo cinturão no UFC 243, em 2019, quando “The Last Stylebender” anotou um nocaute impressionante. A história se repetiu em 2022, no UFC 271, quando a dupla voltou a se enfrentar, e Adesanya levou a melhor em uma decisão apertada na revanche.

Whittaker analisa derrota de Adesanya e aponta ajustes

Enquanto Whittaker se prepara para subir para o peso-meio-pesado, Adesanya atravessa a fase mais delicada de sua carreira: ele vem de uma sequência de quatro derrotas consecutivas, em um momento que foge do roteiro esperado para quem já foi protagonista absoluto. O último revés aconteceu no UFC Seattle, quando Adesanya foi superado por Joe Pyfer. Diante disso, Whittaker detalhou o que, na visão dele, saiu do controle na atuação mais recente do adversário e o que precisa mudar caso Adesanya queira seguir lutando.

“É muito parecido com o que acontece com qualquer um. No começo, houve uma confusão, porque o Izzy estava indo muito bem. Estava indo tão bem…”, disse Whittaker, ao comentar a vitória de Pyfer sobre Adesanya. “Mas eu acho que, no fim das contas, um dos golpes que encaixou naquela sequência final acabou machucando ele a ponto de colocar o combate no modo automático. Aí ele acabou levando a luta para um tipo de distância e para um cenário que o Pyfer gosta de enfrentar. Ele adora estar naquele espaço.”

“Eu acredito que um daqueles golpes foi o que colocou o Izzy nessa espécie de zona de automático, em que ele não conseguiu fazer as leituras com a precisão necessária. Ele é muito melhor quando está trabalhando a distância”, completou o australiano.

Para Whittaker, a questão não é apenas técnica, mas também mental e motivacional. “No fim, é o que é. Ele precisa reencontrar a fome. É fácil falar, mas talvez ele esteja um pouco confortável agora. Ele tem dinheiro, chegou ao topo, fez tudo o que tinha para fazer, marcou todas as caixinhas. E aí o que mais falta conquistar?”, argumentou. “Ele precisa achar essa condução de volta: retomar o impulso para continuar fazendo o que está fazendo, manter acesa a chama, a fome e o amor pelo esporte. Então eu não vejo como algo ruim. Todo mundo aprende com as derrotas, e eu penso que isso é um bom momento para ele tomar melhores decisões, descobrir para onde quer ir e o que deseja fazer.”

Adesanya não sinaliza aposentadoria

Adesanya, que completa 37 anos em julho, não demonstrou qualquer intenção de encerrar a carreira tão cedo. Mesmo sem existir um caminho claro para disputa de título no momento, ele segue com o foco em continuar competindo. Ao longo do tempo, o nigeriano radicado na prática do kickboxing e no MMA duas vezes segurou o cinturão do UFC no peso-médio (185 libras) e ficou por anos entre os nomes mais bem posicionados no ranking de melhores do mundo, o que, do lado de fora, fez crescer a interrogação sobre onde estaria a motivação para manter a rotina de lutas.

Whittaker diz estar ao lado do parceiro

Independentemente de quais sejam os planos do adversário, Whittaker deixou claro que apoia a continuidade. “Se ele quiser continuar, eu estou 100% com ele. Eu gosto muito de trabalhar com ele e adoraria ver essa jornada seguir. Também quero vê-lo voltar a estar lá em cima”, declarou.

“Sabe o que é insano? Eu olhei as posições do ranking e, de novo, nós dois aparecemos lado a lado. Isso é algo que eu não via há um bom tempo. Eu gostaria de fazer parte disso, mas no fim eu quero ver ele recuperar o amor pelo esporte, o amor pelo ofício, e voltar a sentir prazer pelo contato e pelo conflito. Ele precisa achar essa condução de volta. Muita gente que chega ao topo precisa reavaliar o que a move, porque, sem isso, fica muito difícil retornar ao nível em que estava.”

Parceria no City Kickboxing: preparação para o peso-meio-pesado

Whittaker e Adesanya construíram uma parceria nos últimos anos. O brasileiro? Não — Whittaker, que luta a partir da Austrália, passou a ser uma presença frequente no City Kickboxing Gym, em território neozelandês. Atualmente, o grupo tem ajudado Whittaker no planejamento para subir até 205 libras, com o novo campeão do peso-meio-pesado do UFC, Carlos Ulberg, e a promessa invicta Navajo Stirling atuando para recepcionar “The Reaper” na divisão.

“Eu comecei o ano no CKB (City Kickboxing). Eu pulei essa ‘ponte’ para a Nova Zelândia e passei um tempo com o Izzy, o Carlos e o pessoal, e também com o Navajo. São caras altos, bons corpos, e foi um jeito de se adaptar ao nível de hype que eu não vivia com frequência nos treinos de antes. Foi muito bom. Eles foram muito receptivos comigo e, falando a verdade, eu não vejo a hora de voltar. Nosso relacionamento de trabalho está bem forte agora”, disse Whittaker.

Estreia no peso-meio-pesado ainda sem adversário definido

Por enquanto, Whittaker não tem um oponente confirmado para a estreia no peso-meio-pesado. Ainda assim, ele tratou de derrubar um rumor que circulou sobre um possível confronto com Magomed Ankalaev, ex-campeão do peso-meio-pesado.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.