Youssef Zalal costuma ser reconhecido antes mesmo de ser visto. Quem convive com “The Moroccan Devil” nos últimos anos relata que a presença dele vem acompanhada de voz marcante e um sorriso fácil, mas nem sempre foi assim. Em uma trajetória marcada por timidez, perdas e reencontros, o marroquino construiu uma versão mais confiante de si mesmo — e agora se aproxima de um marco enorme no UFC.
- Enfrentamento (main event): Youssef Zalal x Aljamain Sterling
- Estilo/rumo da luta: duelo com protagonismo do brasileiro de origem marroquina, mirando colocar o nome na disputa do topo do peso pena
- Contexto recente: Zalal vem de sequência vitoriosa no UFC, com finalizações no segundo round e em 2024, chegando ao top 10 do ranking do peso pena
- Data citada no texto: retorno ao octógono em 23 de março de 2024
- Local citado na matéria: Houston, Texas (estreia no UFC); Denver, Colorado (mudança e base)
Timidez, virada de chave e a descoberta do caminho
Zalal admite que, no começo da vida adulta, era extremamente reservado. Segundo ele, não falava com garotas e, na prática, não se comunicava com quase ninguém. O processo de amadurecimento começou depois de concluir o ensino médio, quando, aos poucos, sentiu que poderia “sair da casca” e passar a interagir com mais liberdade.
Apesar da história que o mundo do MMA conhece hoje, ele também deixa claro que a luta profissional não era um plano inicial. Ainda na infância, os pais colocaram ele e a irmã em aulas de kickboxing, e foi justamente aí que o contato com as artes marciais ganhou forma — dando início ao caminho que, anos depois, desembocaria no UFC.
Nos primeiros passos como competidor, Zalal sofreu uma derrota no torneio inicial. Mesmo assim, ele descreve o que veio depois: a “corrida de dopamina” ao vencer sua primeira luta foi decisiva. A partir desse momento, a forma de enxergar o combate mudou, e ele passou a perseguir o esporte com mais constância, até a fase em que decidiu levar a carreira adiante em tempo integral, chegando a se estabelecer em Denver, no estado do Colorado.
Perda do irmão aos 18 anos e o impacto em toda a vida
Quando completou 18 anos, a vida de Zalal virou de cabeça para baixo por um motivo trágico: o irmão dele morreu. O lutador, hoje com 29 anos, tem sido aberto sobre como esse acontecimento reverbera não só na carreira, mas no cotidiano, nas emoções e na maneira como ele encara desafios.
Ao falar sobre seu ciclo na organização, Zalal também conecta a mudança de postura com essa evolução interna. Ele afirma que, na primeira fase dentro do UFC, não tinha propósito claro. Para ele, a maior diferença veio ao perceber que precisava de sentido — e que o impacto do irmão ajudou a transformar a carreira em algo que vai além do jogo. A ideia central, na visão do marroquino, é que a luta virou aprendizagem e experiência de vida, e que ele espera carregar essa motivação até o fim.
Estreia profissional em 2017, sequência de vitórias e chegada ao UFC
Zalal fez sua estreia profissional em agosto de 2017. Naquele começo, embalou uma sequência impressionante: foram seis vitórias consecutivas, sendo cinco delas por finalização. O ritmo chamou atenção e, após cerca de dois anos e meio de carreira, surgiu o convite para estrear no UFC.
Na estreia, ele desembarcou em Houston, no Texas. Depois de vencer três lutas seguidas, o cenário ficou mais turbulento. O marroquino perdeu três combates em sequência e, em seguida, recebeu um resultado de empate. Esse conjunto de resultados acabou levando à decisão de cortá-lo do elenco.
O reencontro: volta ao UFC após campanha regional e finalização no octógono
Zalal reconhece que, para alguém ainda jovem, ele não lidou bem com a situação. Ele conta que não sabia o que aconteceria a partir dali e lembra da ligação recebida do empresário, perguntando o que ele gostaria que fosse pressionado. A resposta foi direta: ele queria recuperar o lugar no UFC e “tirar o gosto” ruim da experiência anterior, encontrando, nesse processo, uma razão mais firme para continuar.
De acordo com o relato, a nova chamada veio depois de três vitórias consecutivas no circuito regional do estado do Colorado, na categoria dos penas. Assim, em 23 de março de 2024, Zalal retornou ao octógono e conseguiu fechar a conta com uma finalização no segundo assalto. Ainda em 2024, ele emendou mais duas vitórias. Já no ano seguinte (citando o texto), encerrou a campanha de 2025 com uma finalização no primeiro round diante de Josh Emmett, ocorrida no mês de outubro, resultado que o colocou no top 10 do ranking do peso pena.
Dias para o primeiro main event: duelo contra Aljamain Sterling
Agora, Zalal está a poucos dias do primeiro main event no UFC contra Aljamain Sterling, ex-campeão do peso galo. O marroquino afirma que está vivendo o processo com entusiasmo, valorizando “as pequenas coisas” que constroem o momento até aqui.
Ele relembra uma tentativa anterior de chegar ao topo no Apex. Segundo o lutador, em uma ocasião durante a preparação para outro compromisso, foi levado a fazer uma entrevista e, naquele instante, ele sentiu que era a hora de encabeçar um card. A ideia era encabeçar naquele ano, mas não deu certo — e, mesmo assim, ele destaca o contraste: um ano depois, a chance de encabeçar agora está marcada para 2026.
Ambição no peso pena e crítica à subestimação
Uma vitória sobre Sterling, no sábado à noite, tende a colocar Zalal mais perto da conversa sobre quem poderia ser o próximo desafiante do título do peso pena — citando Alexander Volkanovski como referência. Ainda assim, ele diz sentir que muita gente ainda o subestima e que o trajeto dele até aqui merece ser reconhecido com mais atenção.
De forma pessoal, Zalal afirma que tenta transformar a pressão em combustível. Ele menciona que, muitas vezes, o público fala mais de Sterling do que dele, ou simplesmente deixa de lado o próprio nome. O lutador diz que guarda rostos, nomes e vozes como forma de manter o foco. A promessa é clara: quer silenciar os críticos e buscar o status de campeão mundial.
O “comeback” quase completo: falta apenas o cinturão
Na leitura do próprio caminho, Zalal se tornou uma espécie de outdoor de história de superação perfeita. O retorno dele, segundo o texto, está quase completo — faltaria apenas a conquista do cinturão. Para ele, levar uma faixa de volta ao Marrocos seria um momento de fechamento total de ciclo: uma reviravolta para o garoto que saiu de casa há muitos anos e agora conseguiu demonstrar capacidade de falhar e voltar ainda mais forte.
Ele também descreve a sensação como uma segunda chance de vida e de carreira. Na visão do marroquino, isso terá impacto para os fãs e para o povo do país, reforçando a mensagem de que é possível cair, levantar e mudar completamente a própria trajetória — algo que ele compara a um giro total.
Por fim, Zalal projeta o dia em que vai finalmente chorar no ombro da mãe e do pai, contando diretamente para eles que aquilo que foi prometido se concretizou. A ideia central é retribuir, diante deles, o apoio e a confiança que recebeu ao longo dos anos, transformando a própria história em prova de que ele conseguiu cumprir o que disse que faria.

