Alex Perez viveu um período longo de sua carreira no qual praticamente não saiu do território norte-americano. Antes de chegar ao UFC, o lutador natural de Orange County, Califórnia, passou por 34 combates sem enfrentar adversários fora dos Estados Unidos — e, mesmo quando começou a ganhar espaço no circuito regional, nunca aceitou desafios que exigissem deslocamentos para competir no México nem atravessou a fronteira para lutar no Canadá.
- Resultado (última luta mencionada): Charles Johnson derrotado por Perez no UFC 324 (preliminar), com vitória no primeiro round
- Método: finalização/encerramento no primeiro round (Perez “despachou” Johnson na primeira parcial)
- Round: 1
- Cidade/Evento onde a luta ocorreu: T-Mobile Arena, em Las Vegas (UFC 324, preliminares)
- Próxima luta: Alex Perez vs. Sumudaerji no card principal do UFC Fight Night em Macau
- Idade/Contexto: Perez, 34 anos; Sumudaerji, 30 anos (“Tibetan Eagle”)
Roteiro internacional e novo compromisso no UFC Fight Night
Depois de conquistar uma vaga no elenco do UFC com uma vitória na primeira temporada do programa Contender Series de Dana White, Perez realmente só fez viagens que não iam muito além. As trajetórias citadas incluem deslocamentos para Philadelphia, na Pensilvânia, e Orlando, na Flórida, com a maior parte de suas aparições acontecendo em Las Vegas. A dinâmica começou a mudar na reta final de seu ciclo recente: no mês de novembro do ano passado, ele voltou a lutar em Doha, no Catar.
Agora, nesta semana, o nome do Top 15 volta a ganhar cor internacional. Perez está em Macau, na China, onde encara Sumudaerji no card principal do UFC Fight Night deste sábado, no Galaxy Arena.
Desafios na luta anterior e explicação sobre a pesagem
Em seu compromisso mais recente, Perez encarou um cenário difícil em múltiplas frentes. Ele vinha de uma derrota para Asu Almabayev em novembro, estava entrando na reta final do contrato e, além disso, lidava com as pressões e circunstâncias que acompanham a vida fora do octógono. Para completar, existia um fator pessoal relevante: Perez e Johnson eram amigos próximos, chegando a treinar juntos e morar juntos no passado.
Mesmo com uma conversa franca antes do combate e com a compreensão de que, no dia do duelo, tudo seria “negócio”, o acúmulo de questões acabou pesando. O lutador não bateu o peso: ele ficou 2,5 libras acima do limite, o que fez com que 25% de sua bolsa fosse descontada. Além disso, por conta do problema na pesagem, ele ficou fora da possibilidade de ganhar bônus extras em caso de desempenho na noite.
Em depoimento após a luta, Perez explicou que assumiu parte da responsabilidade pelos acontecimentos. Segundo ele, “se feriu” com algumas escolhas e a vida cobra consequências. Ele apontou que havia muitas batalhas acontecendo ao mesmo tempo no lado pessoal: precisava dar conta de ser marido, atleta, pai, amigo, irmão e parte da família, e tudo isso teria refletido no preparo. O resultado, conforme a fala do lutador, foi uma preparação mais desgastante, inclusive no corte de peso.
“Eu não me senti estressado, mas obviamente meu corpo sentiu. Por isso o corte ficou mais difícil”, disse Perez.
Ao detalhar o impacto de encarar o último combate do acordo antes da estreia prevista para 2026, ele afirmou que não via sua mentalidade como algo pressionado. Para Perez, entrar na luta como “o último compromisso do contrato” não tirou o foco; na verdade, ele enxergou o momento como uma oportunidade de apostar em si mesmo. A lógica, segundo ele, era clara: se estava colocado naquele ponto decisivo, precisava “sair para mostrar”. Para o lutador, a sensação não era de pressão — era uma postura constante de confiar na própria capacidade a cada vez que atravessa a porta do octógono.
Ele também reforçou que sua intenção é encerrar: “Quer ganhando ou perdendo, eu vou lá para finalizar”. Perez disse ainda que entende por que o UFC o reconduziu ao elenco: as pessoas gostam de vê-lo lutar porque, na maioria do tempo, ele busca resolver e cumprir a missão. E, no caso do confronto contra Charles Johnson, o desfecho veio do jeito que ele queria, deixando o caminho aberto para o novo capítulo agora.
Treino em duas cidades e preparação para Sumudaerji
Com o retorno à coluna de vitórias, Perez aproveitou um período de descanso antes de voltar à rotina. O foco passou a ser o mesmo modelo de preparação em duas cidades, que vem se consolidando como prática recente. Mesmo passando grande parte do tempo na Califórnia, onde trabalha com Colin Oyama, Giva Santana, Tyler Wombles e Corey Beasley, o antigo desafiante ao cinturão dos moscas adquiriu recentemente uma segunda residência em Las Vegas.
Nesse novo arranjo, ele costuma fechar os acampamentos de treinamento ao lado de Jason Manley, Billy Bigelow e Matheus Naccache. Ao mesmo tempo, ele aproveita as estruturas oferecidas pelo UFC Performance Institute.
Agora, o “time das duas cidades” direciona toda a energia para Sumudaerji. O adversário chega vivendo o melhor momento de sua passagem pelo UFC: são três triunfos seguidos, feitos que o colocaram na porta do ranqueamento. A leitura de Perez é que o duelo com ele pode ser a oportunidade para o lutador entrar no grupo restrito daqueles que avançam de vez na classificação.
Leitura de combate: “sniper”, pressão e possibilidade de trocação
Perez iniciou sua avaliação sobre Sumudaerji destacando a dureza do rival. Para ele, trata-se de um veterano, em sequência de três vitórias, já enfrentou lutas difíceis e viveu “combates de cachorro” dentro do octógono. Perez citou inclusive que assistiu a uma luta de Sumudaerji contra Matt Schnell e que enxerga evolução clara do período daquele duelo até agora. O brasileiro espera, por consequência, a melhor versão do adversário.
“Ele é um assassino. Eu espero que ele venha com a torcida empurrando”, projetou Perez.
O lutador também ressaltou a diferença de contexto: ele é o ranqueado, enquanto o oponente não teria nada a perder. Para Perez, isso costuma gerar fome de resultado. Ele afirmou que entende como esse tipo de posição afeta o comportamento de um atleta e acredita que Sumudaerji deve sair com a mesma postura que ele já demonstrou quando ocupou lugar semelhante na carreira. Ainda assim, declarou que está pronto para encarar essa versão agressiva.
Sumudaerji, por sua vez, tem 30 anos e ganhou tempo para se desenvolver depois de entrar no UFC no fim de 2018, ainda com 22 anos, como promessa na divisão de galos. O caminho do “Tibetan Eagle” incluiu mudança para a categoria dos moscas e também períodos marcados por lesões e inatividade, fatores que sempre limitam o crescimento de qualquer atleta. Apesar das idas e vindas, ele encontrou um ambiente de treino em Sacramento, na Team Alpha Male, e conseguiu três lutas em um mesmo ano em 2025 — a primeira vez que atingiu esse volume desde que chegou ao UFC.
Estilo de baixo volume, mas com precisão — e desejo de “briga” no pé
Apesar de alguns observadores rotularem Sumudaerji como um lutador de baixa produção, Perez enxerga o que chama de outra característica: precisão. O brasileiro disse que o adversário funciona como “um atirador de elite”, um “sniper”. Segundo ele, não é um atleta de alto volume, mas acerta no alvo e evita desperdício de movimentos. A pressão de Perez, de acordo com sua análise, tende a gerar problemas para os oponentes, mas Sumudaerji, mesmo assim, treinou com uma base que pode ajudar a lidar com esse tipo de dinâmica.
Perez apontou que o rival trabalha na Team Alpha Male, com vários atletas que lutam em estilo semelhante, além de pessoas com repertório de quedas e boa capacidade de grappling. Ele também afirmou que, na visão dele, o setor de luta agarrada do adversário evoluiu.
Apesar da leitura completa, o desejo principal de Perez é bem direto: ele quer ficar em pé e trocar. “Quero lutar de trocação com esse cara. Não me entenda mal: se eu conseguir uma queda, se eu achar uma finalização, ótimo. Mas eu estou a fim de ficar ali, sentar o braço e trocar”, concluiu, rindo, ao comentar que essa é uma característica cultural do jeito dele — “sou mexicano, então eu gosto de fazer isso”.
