Ronda Rousey rebate críticas sobre idade e encara Gina Carano no retorno

Ronda Rousey volta a lutar após quase uma década afastada das lutas de MMA e, antes do retorno, deixou claro que não pretende entrar no debate sobre “idade” que vem acompanhando sua preparação. A ex-campeã do UFC encara Gina Carano em 16 de maio, em uma luta transmitida ao vivo pela Netflix, marcando um reencontro de duas pioneiras do esporte que também chegam ao combate após longos períodos sem atuar em competições.

Retorno após quase 10 anos: o que está em jogo para o ranqueamento e o impacto na divisão

O último contato de Rousey com o octógono aconteceu no UFC 207, em dezembro de 2016, quando ela foi nocauteada em apenas 48 segundos por Amanda Nunes. De lá para cá, a lutadora ficou distante do MMA: ensaiou um possível encerramento sem oficializar a aposentadoria, migrou para o entretenimento como estrela de eventos profissionais de wrestling na WWE e ainda participou de produções de Hollywood.

Agora, o cenário é de retorno em fase bem distinta. Rousey e Carano acumulam intervalos longos desde suas últimas lutas de alto nível, o que naturalmente coloca o combate mais no campo do “evento histórico” do que na disputa direta por posições do topo. Ainda assim, para quem acompanha a divisão feminina, a pergunta inevitável é como o tempo longe do octógono vai refletir em ritmo de luta, leitura de adversária e capacidade de converter vantagem em finalização ou nocaute.

  • Última aparição de Rousey no UFC: UFC 207 (dezembro de 2016), derrota por nocaute em 48 segundos para Amanda Nunes.
  • Contexto atual do retorno: combate marcado para 16 de maio, ao vivo na Netflix, contra Gina Carano.
  • Elemento de análise: o duelo é cercado de atenção, mas também de críticas por conta dos longos afastamentos das duas lutadoras.

Idade como tema: Rousey rebate questionamentos e mira um “final” do jeito que quer

Com a volta sendo amplamente discutida, Rousey reclamou publicamente do foco em sua idade como fator de desqualificação. Em entrevista ao programa “CBS Mornings”, ela afirmou que não enxerga coerência no debate e provocou comparações com outros nomes do esporte. Para ela, a idade não deveria ser tratada como uma barreira determinante, já que, no fim, quem “luta” é o corpo dentro do octógono, e não qualquer outra coisa.

Além da questão do tempo fora, o retorno também tem um componente emocional e de controle da própria narrativa. Em seu auge, Rousey foi uma das atletas mais dominantes do MMA. Ela defendeu o cinturão dos pesos galos do UFC por seis lutas seguidas, frequentemente finalizando adversárias em menos de um minuto, ao mesmo tempo em que se tornou uma das grandes atrações do evento e ganhou projeção para além dos círculos de fãs do esporte.

Mesmo assim, as duas últimas apresentações antes do afastamento recente deixaram marcas. Com as derrotas por nocaute em lutas memoráveis no fim da era em que competia com regularidade, Rousey passou a sentir que algo faltava para encerrar sua passagem pelo esporte. Ela explicou que sua volta não foi apenas uma decisão pontual, e sim o resultado de uma sequência de fatores — com a ideia central de “reescrever” seu próprio desfecho no MMA.

No relato, Rousey também mencionou que não anunciou formalmente a aposentadoria. Na visão dela, o caminho foi sendo construído de modo que o público — e até o próprio ambiente — acabou assumindo que ela tinha encerrado a carreira, principalmente por ter ficado muito tempo sem lutar.

“Eu quero conseguir mudar todas as associações negativas que eu tive no MMA”, disse Rousey, reforçando que o retorno tem a intenção de reorganizar a relação dela com o esporte. Segundo a atleta, o período acabou ficando “complicado”, com elementos demais desviando o foco do que ela realmente gostava nas artes marciais. Para ela, voltar ao treinamento e tornar a experiência novamente algo positivo, priorizando a alegria no processo, aparece como a melhor decisão que ela já tomou — mencionando inclusive que, na lista pessoal, isso vem logo abaixo do casamento com seu marido.

Próximo passo: duelo de retorno e a busca por uma nova identidade no octógono

Por enquanto, a volta de Rousey parece ter cara de combate único, com a lutadora querendo sair do jeito que considera correto para si. A expectativa é que o tempo tenha sido suficiente para que ela reencontre o prazer pela modalidade e a confiança necessária para competir com outro tipo de mentalidade.

Embora o confronto contra Carano tenha forte apelo simbólico e grande atenção do público, o resultado também pode influenciar diretamente a forma como o próprio cenário do MMA enxerga esse retorno: se Rousey conseguir impor ritmo, controlar a luta e apresentar eficiência compatível com o que fez no auge, ela reforça a tese de que o afastamento não apagou a essência; se não, o combate tende a ser tratado como um capítulo final de uma carreira marcada por pioneirismo e impacto cultural.

  • Combate: Ronda Rousey x Gina Carano.
  • Data: 16 de maio.
  • Transmissão: ao vivo na Netflix.
  • Motivação declarada do retorno: reescrever o encerramento no MMA, sem deixar que o foco seja apenas o passado e as críticas sobre o tempo fora.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.