Masvidal provoca Covington em briga judicial e mira retorno ao UFC

Jorge Masvidal e Colby Covington ainda vivem um capítulo longe de ser encerrado, mesmo após quatro anos desde o último confronto direto entre eles no UFC. A rivalidade, que já nasceu carregada de provocações entre dois ex-companheiros da American Top Team, ganhou um novo impulso recentemente com uma disputa judicial envolvendo o desafeto fora do octógono.

Covington move ação milionária após episódio em Miami Beach

O mais recente ataque na guerra entre os dois partiu de Covington. O norte-americano entrou com uma ação na Justiça pedindo uma indenização que ultrapassa seis dígitos contra Masvidal, alegando que sofreu um atentado fora de uma lanchonete/restaurante na região de Miami Beach. O episódio teria ocorrido poucos dias depois da luta entre eles, realizada em 2022.

Ao longo do processo criminal, Masvidal acabou fazendo um acordo para encerrar a parte penal: ele declarou culpa em um caso de contravenção por agressão leve (crime menos grave), o que fechou o andamento criminal. Mesmo com essa resolução, Covington seguiu com a busca por reparação financeira, sustentando que teria sofrido “lesão corporal e as dores decorrentes”, além de outros impactos como incapacidade, deformidade, prejuízo físico, sofrimento mental, perda de capacidade para aproveitar a vida, custos com internação e despesas com cuidados médicos e de enfermagem e tratamento.

Masvidal: “eu não mexia com ele assim”

Mesmo sem conseguir comentar diretamente os termos das acusações no processo, Masvidal deixou claro que enxerga Covington como o único adversário, ao longo da carreira, com quem manteve um atrito contínuo mesmo depois do fim do combate.

“No geral, eu me dou bem com todo mundo”, disse Masvidal em participação no podcast Deep Waters. “Quem eu enfrentei, eu fico de boa depois. Se eu vejo, eu como junto. Às vezes eu saio, converso e ainda falo umas verdades.”

“Mas tem um cara… um filho da mãe… desses que são ratos”, completou, evitando citar diretamente em tom mais forte por entender que o assunto já está em andamento judicial. “O Colby Covington é o único que, de verdade, eu nunca mantive do mesmo jeito.”

Processo segue: quando pode virar tentativa de acordo (ou julgamento)

Como a ação civil ainda está tramitando no sistema judicial, não há um prazo definido para que o caso chegue a um julgamento, nem se as partes podem chegar a um acordo antes disso.

Enquanto a disputa legal segue, Masvidal trata do lado esportivo: ele vem se preparando para um retorno ao UFC, e Dana White confirmou no fim de semana do UFC 327 que as conversas entre as partes estão acontecendo.

Nas palavras de Masvidal: confiança, mas negociação “dá trabalho”

Questionado sobre a possibilidade de um acerto, Masvidal se mostrou confiante de que um acordo deve sair — ainda que ele admita que esse tipo de negociação com a organização costuma ser difícil.

“Estamos falando”, afirmou. “Eles também devem pra mim alguma coisa por conta de umas despesas de limpeza e essas coisas. A gente está conversando, sim. Faz um tempo que estamos no papo. Só não fechamos ainda.”

“Eu amo o UFC de verdade”, continuou. “Mas eles fazem você trabalhar por cada detalhe. Às vezes não é exatamente onde você gostaria que estivesse. Mesmo assim, a gente vai conseguir chegar em algo.”

Retorno: meio-médio, meio-médio (welter) ou meio-pesado? E a janela de preparação

Sobre possíveis categorias para o retorno, Masvidal disse que está aberto a competir tanto no peso-médio (middleweight) quanto no meio-médio (welterweight). Segundo ele, seria ideal ganhar mais tempo de preparação — algo em torno de “quatro ou cinco meses” — já que ele não luta no MMA desde 2023.

Apesar disso, Masvidal admitiu que existe um adversário no elenco do UFC que poderia colocá-lo de volta ao octógono imediatamente, mesmo que a preparação não envolvesse um ciclo completo de treino.

O “pedido” de Masvidal: Leon Edwards

“Pra ser bem sincero: se eles me darem a luta contra o Leon [Edwards], eu chego nos 170 amanhã”, disse Masvidal. “Eu quero essa luta. Ele não tem nada marcado. Depois daquele ‘trio com refrigerante’ que rolou [na prática, ele se refere ao confronto], agora é o buffet inteiro que eu vou atacar esse maldito aí. Eu adoraria.”

Ao fazer menção ao nome de Edwards, Masvidal se refere a uma confusão nos bastidores envolvendo os dois no evento do UFC em Londres, quando eles competiram em lutas separadas — uma como luta principal e outra como luta co-principal.

Durante uma entrevista pós-luta, Edwards começou a provocar Masvidal enquanto o brasileiro caminhava nas proximidades. A troca de farpas rapidamente escalou e virou confronto físico: antes que a segurança conseguisse intervir, Masvidal acertou Edwards com alguns golpes de soco. O brasileiro seguiu tentando avançar na briga até o momento em que encerrou sua fase de competições no esporte, mas acredita que um duelo entre eles agora faz ainda mais sentido.

O motivo, segundo Masvidal, é o momento recente de Edwards. Ele busca voltar ao ritmo após uma sequência de três derrotas consecutivas.

“Ele tinha falado que não ia lutar comigo porque eu tinha tipo três ou quatro derrotas seguidas”, lembrou Masvidal. “Eu acho que ele está com algo como quatro derrotas seguidas — e por nocaute. Isso é uma oportunidade fácil pro UFC. Me dá o que eu estou pedindo e a gente resolve.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.