Arman Tsarukyan, hoje o número 2 no ranking dos pesos leves no UFC, decidiu não ficar parado à espera de uma nova chance pelo cinturão e, por isso, se inscreveu no Real American Freestyle (RAF). A movimentação ocorre enquanto Justin Gaethje e Ilia Topuria unificam os títulos da categoria 155 libras em um evento marcado para junho, na capital de Washington, D.C., nos Estados Unidos. Antes mesmo de qualquer foco esportivo, porém, Tsarukyan voltou a chamar atenção — desta vez fora do octógono — com um episódio na programação do RAF08, que aconteceu em Filadélfia.
Tsarukyan desiste da espera e entra no RAF; episódio com Faber vira polêmica
O contexto é claro: Tsarukyan não quer “morar” na expectativa por mais uma disputa de título e, enquanto o UFC resolve a unificação na divisão dos leves, ele busca manter ritmo de competição no circuito do Real American Freestyle. Ainda que o objetivo seja seguir ativo, o desenrolar do RAF08 tomou outro rumo logo no início.
Na mais recente atração do evento, Tsarukyan e Urijah Faber protagonizaram uma cena que chamou a atenção do público durante o confronto do RAF08. Os dois, em vez de permanecerem apenas no ambiente de apresentação, “voaram” em direção à plateia durante a disputa. O incidente não deixou ninguém ferido, mas gerou um olhar negativo sobre o tipo de imagem que uma organização tenta construir — especialmente por se tratar de um projeto que busca atrair atletas com base sólida em competições colegiais e se consolidar como referência séria no cenário do wrestling amador.
A pergunta que ficou no ar, então, foi: o que aconteceu exatamente? No entanto, a explicação de Tsarukyan não foi recebida bem por todos os envolvidos.
Na coletiva do RAF08, o armênio afirmou: que não tinha controle total sobre si no momento e que, caso algo ocorresse, não seria uma ação planejada. Ele também sugeriu que o que aconteceu partiu de um impulso surgido “da mente” na hora e que, apesar do risco, foi positivo por ter terminado sem lesões — o que acabou contribuindo para viralizar. Tsarukyan resumiu a ideia destacando que “foi preciso” que Urijah não se machucasse e que o vídeo ganhasse repercussão.
Reação do staff do RAF e críticas sobre segurança e autocontrole
Por outro lado, o posicionamento da organização foi bem diferente. O executivo do RAF, Izzy Martinez, demonstrou descontentamento com a cena. Ele afirmou que não gostou do que viu e chegou a dizer, em tom direto, que a atitude seria comparável a “dar um soco” para que a pessoa conseguisse se proteger — ou seja, tratou a manobra como algo bastante sujo e inadequado.
Martinez deixou claro que não concorda com empurrar um adversário para fora de um palco e que não se agrada desse tipo de postura. Mesmo reconhecendo que o episódio viralizou, ele enfatizou que não precisa gostar de tudo o que acontece em um contexto promocional, deixando a mensagem de que o conteúdo repercutiu, mas não necessariamente do jeito que o RAF gostaria.
Além da crítica da cúpula, Urijah Faber também entrou na conversa. Ele não negou que Tsarukyan tem talento e mencionou que existe material suficiente para que o adversário seja campeão. O ponto central de Faber, porém, foi a falta de controle emocional e de autocontenção.
- Faber elogiou a base atlética de Tsarukyan, mas condenou o comportamento.
- Ele classificou o episódio como resultado de falta de autocontrole.
- O texano também fez comentários irônicos nas redes sociais, celebrando a ausência de lesão e associando a situação a “cuidado” demais para não dar errado.
Em postagem no Instagram, Faber destacou que Tsarukyan “tem tudo para ser campeão”, mas ressaltou que falta controle próprio. A publicação também mencionou a repercussão e brincou com a ideia de que o lutador teria “almofada” suficiente para evitar uma visita a um hospital — justamente reforçando a crítica ao risco desnecessário.
[Media: https://www.instagram.com/reels/DXTRzi7ERVS/]
O que isso significa para o cartel e o próximo passo no caminho do cinturão
Mesmo sem envolver uma luta no UFC neste momento, o episódio do RAF08 acaba mexendo com a narrativa em torno de Arman Tsarukyan. Por um lado, a decisão de entrar no Real American Freestyle mostra intenção de manter atividade e não perder tempo enquanto o cinturão dos leves passa por um capítulo decisivo com a unificação entre Justin Gaethje e Ilia Topuria em junho, em Washington, D.C. Por outro, o “circo” em torno de Tsarukyan evidencia um padrão: seu nome chama atenção não apenas por performance, mas também por situações que elevam a carga de exposição e podem impactar a percepção sobre maturidade competitiva.
No curto prazo, o principal desdobramento é esportivo e de planejamento: Tsarukyan está buscando manter o ritmo em um cenário alternativo enquanto a divisão dos leves se reorganiza no UFC. Isso tende a funcionar como uma ponte — seja para voltar mais afiado quando surgir uma nova janela no ranking, seja para construir ainda mais tração no cartel com vitórias e presença constante.
Já no aspecto promocional, a repercussão deixa um recado: o RAF pode ter alcançado viralização, mas a própria organização deixou evidente que não aprova esse tipo de atitude e que prefere um ambiente mais seguro e alinhado com a proposta de atrair talentos do wrestling amador. Para Tsarukyan, a próxima etapa mais provável passa por seguir competindo e, principalmente, demonstrar que consegue manter o foco e o controle dentro e fora do confronto — algo que, nas palavras de Faber, separa o “potencial de campeão” do comportamento de quem ainda precisa amadurecer.
Por fim, o texto original também aponta que há mais resultados e destaques do RAF08 disponíveis para consulta — indicando que, além da polêmica, o evento teve conteúdo competitivo que segue o fluxo normal do circuito.

