Mark Hunt divulgou uma nota após ser detido em 15 de abril, em meio a uma acusação relacionada a violência doméstica. A informação que circulou na semana foi de que o australiano, de 52 anos, acabou preso em Sydney e, depois de ser formalmente indiciado, recebeu liberdade mediante fiança. O caso envolve uma denúncia de uma única imputação ligada a perseguição ou intimidação com a intenção de provocar dano físico, além de alegações de que ele teria enviado uma mensagem com ameaça de morte para a mulher envolvida por meio de mensagens de texto.
Segundo o que foi reportado, Hunt teria escrito na mensagem: “No fim eu vou te matar”. Na sequência, ele decidiu se manifestar publicamente para responder às acusações. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o ex-pesadista do UFC reconheceu que houve um desentendimento com sua parceira, mas sustentou que nunca existiu qualquer tipo de agressão física entre os dois. Hunt afirmou que a situação teria começado a partir de uma discussão mais acalorada envolvendo o encaminhamento de uma ação judicial, lembrando que eles costumam brigar, se afastar, retornarem e tentarem resolver, como acontece com casais que passam por problemas semelhantes.
De acordo com a versão apresentada pelo lutador, o problema teria sido o registro feito do outro lado durante um momento de irritação. Ele declarou que a discussão teria sido frustrante, mas que ninguém teria sido ferido e que ele não teria colocado as mãos em ninguém. Hunt também relatou que, após a briga, deixou o local ao dirigir e, quando percebeu a chegada da polícia, voltou para tentar colocar tudo em ordem. Ainda assim, segundo ele, acabou sendo encarcerado sob a acusação de violência doméstica.
Na primeira aparição em tribunal, Hunt não teria sido acusado de causar dano físico. A acusação, no entanto, aponta que ele teria ficado agressivo com a suposta vítima enquanto os dois trabalhavam em uma tarefa conjunta. O relato descreve um comportamento em tom “intimidante e de humilhação”, capaz de causar medo e angústia à parceira. A polícia teria sido acionada logo após o ocorrido e, conforme a narrativa de Hunt, ele teria saído de casa depois da discussão e sido detido quando regressou.
Hunt disse entender a acusação, mas demonstrou incômodo com o rumo que o caso tomou e com o fato de seus desentendimentos no relacionamento terem sido transformados em material registrado ou documentado. Ele argumentou que, em sua visão, mesmo com a lei sendo clara quanto ao impacto emocional que a vítima alega ter sentido, uma ordem de violência doméstica mudaria completamente a dinâmica do relacionamento, porque a outra parte poderia recorrer ao documento sempre que houvesse uma discussão. Assim, na leitura do lutador, isso faria o convívio ficar inviável, como se uma das partes passasse a agir sob uma espécie de “ameaça constante” de prisão.
Na sequência, Hunt reforçou que brigas acontecem em parcerias e que, no entendimento dele, o normal seria conversar, resolver e seguir em frente. Ele também disse que não é alguém perfeito, citando que erros podem ocorrer, mas destacou que, na sua percepção, poucas pessoas registram o que realmente aconteceu. O lutador afirmou que várias mensagens estariam sendo usadas de forma retroativa, como se tivessem relação direta com os fatos de alguns dias antes, enquanto, segundo ele, elas teriam sido trazidas do passado por alguém que estaria “mantendo um controle” das conversas.
Um relatório publicado por um jornal local de Sydney indicou que o advogado de Hunt espera um pedido de culpa do atleta em relação ao delito de perseguição e intimidação. Ainda assim, a defesa sustenta que o fato de ele ter sido um lutador aposentado do UFC não o torna automaticamente um autor de violência doméstica. Hunt repetiu a mesma linha de raciocínio em sua fala: afirmou que não feriu ninguém, mencionou que vem de uma vida de esportes de combate e que não faria sentido desejar machucar fisicamente pessoas próximas.
Hunt, que por anos foi um nome constante na disputa de pesos pesados, fez sua última luta pelo UFC em dezembro de 2018. Ao longo da maior parte da década anterior, ele também esteve envolvido em uma batalha judicial prolongada contra a organização, na qual acusou a empresa, o então dirigente Dana White e o ex-campeão Brock Lesnar de uma suposta articulação contra ele antes do confronto com Lesnar no UFC 200, realizado em julho de 2016. Hunt perdeu para Lesnar naquele combate, mas a situação tomou outro rumo quando o americano falhou em um teste antidoping, com o resultado sendo alterado posteriormente para “sem resultado”. A partir daí, Hunt levou o caso à Justiça, alegando que a promoção sabia da permissão para Lesnar competir apesar do uso de substâncias para aumento de desempenho.
Apesar da insistência de Hunt, a ação judicial não avançou como ele esperava, sendo descartada mesmo após múltiplos recursos. O próprio lutador mencionou que o processo acabou virando fonte de tensão dentro de casa. Já no domingo, ele publicou uma nova mensagem curta voltada a esclarecer as mensagens ameaçadoras que vieram à tona durante o processo. Hunt disse que a intenção era corrigir pontos específicos, especialmente as supostas mensagens de ameaça de morte.
Na publicação, ele afirmou que há uma tentativa de misturar contextos e de transformar o caso em algo maior do que seria o real. Hunt argumentou que, se alguém envia ameaças de morte para a família dele e ainda faz ameaças relacionadas a separação, receberia algo equivalente de volta, e que essa seria a “base” da situação mencionada. Por fim, ele pediu que pessoas que não conhecem a história completa evitem se pronunciar sobre o assunto.

