Arnold Allen x Melquizael Costa: aposta do UFC Vegas 117 pode mudar os penas

Arnold Allen encara Melquizael Costa no card principal do UFC Vegas 117, em uma luta que pode mexer diretamente com os rumos das duas carreiras na divisão dos penas. Apesar do barulho em torno de um evento paralelo em Los Angeles, este duelo em Las Vegas ganha peso por colocar frente a frente um nome já estabelecido no topo e um atleta brasileiro que tenta transformar sequência na categoria em porta de entrada para briga por cinturão.

Antecedentes

Allen chegou a ser apontado como um “azarão” recorrente na categoria de 145 libras, emplacando vitórias e sustentando desempenho constante mesmo sem receber, com frequência, lutas que colocassem seu nome no centro do debate. No entanto, a leitura mais recente é de estagnação: ele soma três derrotas nos quatro combates mais recentes, justamente contra alguns dos principais nomes do peso pena. Com isso, a cobrança aumenta para provar que não é apenas um integrante do grupo de cima do ranking, mas sim um candidato real capaz de vencer os melhores.

A oportunidade aparece para Costa. O brasileiro vem de crescimento na divisão dos penas e chega com números que chamam atenção: 7-2 no UFC, com as duas derrotas ocorridas em lutas no peso leve. Além disso, ele finalizou os dois últimos adversários, incluindo o duelo contra Dan Ige. Se vencer Allen, o salto no cartel tende a ser grande: a vitória representaria o maior marco da carreira para Costa e elevaria de forma considerável as chances de ele entrar na rota de uma luta por título.

O que: UFC Vegas 117
Onde: Meta Apex, em Las Vegas
Quando: sábado, 16 de maio
Horários: o card preliminar (sete lutas) começa às 17h (ET), e o evento principal (seis lutas) às 20h (ET)
Transmissão: o evento será exibido ao vivo no Paramount+.

A luta

  1. Expectativa para o duelo principal: o combate é tratado como o principal destaque da noite, com Allen visto como leve favorito, enquanto Costa aparece como concorrente perigoso por ter caminho aberto para crescer no cenário do cinturão.
  2. Contexto recente de Allen: embora as derrotas recentes pesem, o cenário não é descrito como “regressão total”. Jean Silva, Movsar Evloev e Max Holloway superaram Allen, mas as lutas foram competitivas—o que reforça a ideia de que falta aquele “plus” para bater o nível mais alto com consistência.
  3. Plano para Costa: a chave seria impedir que Allen imponha o ritmo desde cedo e não deixar o brasileiro ser “comodamente encaixado” no controle do combate. Ao mesmo tempo, Costa precisa resistir ao momento em que Allen acelera, já que a proposta é manter o brasileiro vivo na troca e permitir que suas ferramentas apareçam.
  4. Cardinalidade do desafio: a luta ter cinco assaltos favorece Allen no cenário descrito, já que Costa ainda não teve tantas oportunidades de ir até o limite de tempo. A avaliação é de que a resistência e o ritmo imposto por Allen podem ser o diferencial.
  5. Projeção: a expectativa é de um confronto apertado, com Allen levando vantagem por decisão.

Prognóstico: Allen.

Outros confrontos do card

Doo Ho Choi vs. Daniel Santos

Daniel Santos chega com a ideia de “gimmick” pronta: ele enfrenta Doo Ho Choi em uma sequência que marca o terceiro adversário sul-coreano consecutivo na trajetória recente do brasileiro. Nas duas vitórias mais recentes do atual período de quatro lutas, Santos derrotou Joo Sang Yoo e Jeong Yeong Lee. Entre os três rivais, Choi é o mais experiente, mas também é o mais velho—o que abre espaço para a pergunta sobre se “The Korean Superboy” ainda está no auge, apesar de ter mostrado boa forma contra oponentes compatíveis com a idade na comparação.

Em estilo, Santos é confortável na trocação e gosta de misturar quedas quando encontra brechas. Ao mesmo tempo, ele não é descrito como excessivamente agressivo em passar posições ou buscar pressão com golpes de chão em sequência. Por isso, Choi tende a precisar ter paciência se acabar no chão, já que Santos sabe segurar a parte superior. A melhor rota para Choi, nesse quadro, é impedir que o combate desça para o grappling.

Mesmo que Choi possa estar um degrau atrás de Yoo e Lee no quesito explosão atlética, a leitura é de que ele tem um jogo de trocação mais consolidado e pode levar vantagem na distância. Mantida a defesa de quedas, o caminho sugerido é um desfecho por decisão.

Prognóstico: Choi.

Malcolm Wellmaker vs. Juan Diaz

Wellmaker teria aprendido lições valiosas com a primeira derrota da carreira—o suficiente para voltar ao caminho de um potencial título no peso galo? A avaliação trata a perda para Ethyn Ewing como algo que não deveria carregar peso excessivo, principalmente porque Ewing emplacou duas apresentações de destaque no UFC, e o resultado deveria ter servido como alerta para ajustar falhas.

O foco do texto é que, quando o adversário fica alinhado no centro do octógono, Wellmaker vira alvo fácil para um puncher rápido e forte. Ewing, por sua vez, teria feito o jogo sair do controle ao deixar o rival “fora de quadro”, tirando Wellmaker do compasso.

Do outro lado, Juan Diaz se destaca ao se movimentar lateralmente e com um jab eficiente. Se Wellmaker não evoluiu o suficiente, pode cair nos mesmos problemas do combate anterior. Diaz, descrito como vencedor metódico, desgasta com constância e, em alguns momentos, encaixa golpes mais chamativos—como o nocautе com cotovelada giratória sobre Won Il Kwon.

Wellmaker tem o gancho direito como arma principal e o prognóstico é de que ele consiga direcionar a luta com um ou dois acertos fortes. A expectativa é de que ele tente responder cedo com contra-ataques e, depois, aumente a intensidade no fim do combate, preferindo um desempenho mais controlado em vez de correr atrás de highlight. O cenário previsto é de um duelo “morno e perigoso”, mas com Wellmaker vencendo nas pontuações.

Prognóstico: Wellmaker.

Modestas Bukauskas vs. Christian Edwards

A leitura para este duelo é de que a luta tende a ser mais simples do que parece à primeira vista. Christian Edwards estreou em 2019 como promessa moderadamente hypeada, com medidas físicas chamativas—incluindo um alcance próximo de 80 polegadas—e contando com uma equipe forte por trás, ligada ao ambiente de Jackson Wink. Ainda assim, o texto afirma que, em 12 lutas, ele não teria evoluído de maneira relevante. O caminho mais usado seria a combinação de porte físico e um conjunto de habilidades sólido, porém sem grande brilho.

O detalhe que altera o contexto é que, aos 27 anos, Edwards ainda pode ter potencial, mas o chamado para o UFC não estaria acontecendo agora se Rodolfo Bellato não tivesse saído do card na semana.

Bukauskas é caracterizado como um kickboxer perigoso: capaz de acertar forte na distância e causar estragos também por dentro. Embora Edwards enfrente um cenário incomum de desvantagem de tamanho, ele estaria abaixo do nível típico de adversários que Bukauskas costuma enfrentar. Mesmo considerando possíveis lapsos mentais, a projeção é de vitória fácil para Bukauskas.

Prognóstico: Bukauskas por nocaute técnico (TKO) ou nocaute no primeiro round.

Timmy Cuamba vs. Bernardo Sopaj

Bernardo Sopaj já teve no UFC confrontos contra bantamweights mais altos, e o texto coloca Timmy Cuamba como mais um exemplo desse perfil—com Sopaj abrindo mão de 3 polegadas de altura e cerca de 5 polegadas de alcance na comparação. A mesma dificuldade já teria aparecido em outras situações, citando perdas anteriores, como a luta contra Vinicius Oliveira, onde a diferença de dimensão teria cobrado seu preço.

Cuamba, além de alto, é descrito como rápido na movimentação e com boa mão. O estilo seria manter distância e “marcar” com socos retos quando o rival entra na faixa. Ele também sabe usar as pernas longas como vantagem: pode lançar joelhada na linha do queixo ou finalizar com chute na cabeça.

Apesar de tudo, há elogios a Sopaj, apontado como um lutador com maturidade acima da idade e com fundamentos sólidos, mesmo sem ser o talento mais explosivo do peso. Como leitura, o baixo volume de Cuamba pode favorecer Sopaj caso o albanês consiga ficar em frente ao adversário, manter pressão e forçar o jogo para o seu campo.

O confronto é tratado como um teste importante entre dois prospectos com potencial no UFC. Por agora, a projeção é de que Cuamba, por ter mais alcance e variação, consiga causar uma pequena surpresa.

Prognóstico: Cuamba.

Nikolay Veretennikov vs. Khaos Williams

Khaos Williams é citado com destaque, como se fosse “o rei de maio”, em uma referência ao padrão incomum de competições no mês escolhido. O texto brinca com uma fase de 2022 a 2024 em que Williams teria aparecido apenas no quinto mês do calendário, com um total de 2 vitórias e 1 derrota nesse recorte—um ritmo considerado diferente, mas dentro do que ele vinha fazendo.

Veretennikov, por outro lado, chega depois de uma vitória em luta de curto aviso contra Niko Price, considerada “salvadora”. Fora isso, a avaliação é de falta de consistência no UFC. Com 36 anos, ele é caracterizado como um veterano durável, capaz de servir como teste no peso 170, mas sem grande perspectiva de crescimento.

Em síntese, o texto não vai contra Williams em maio e reforça a ideia de que o momento do lutador seria de “alimentação” no calendário do esporte.

Prognóstico: Williams.

Preliminares (resultados)

  • Ivan Erslan derrotou Tuco Tokkos
  • Tommy Gantt derrotou Artur Minev
  • Jacqueline Cavalcanti derrotou Ketlen Vieira
  • Andre Petroski derrotou Cody Brundage
  • Polyana Viana derrotou Alice Ardelean
  • Daniel Barez derrotou Luis Gurule
  • Nicolle Caliari derrotou Shauna Bannon

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.