Belal Muhammad deixou claro que não pretende mais ficar chamando atenção para um possível confronto contra Kamaru Usman. Depois de mais de um ano alimentando a ideia de enfrentar o ex-campeão dos meio-médios do UFC por meio de declarações e provocações, o cenário mudou: Usman não entrou na rota planejada, e o norte-americano agora volta suas atenções para um novo desafio no octógono. Neste sábado, Muhammad enfrenta Gabriel Bonfim no card principal do UFC Vegas 118.
Antecedentes
O plano parecia perfeito por um longo período. Muhammad vinha em uma sequência de trocas de farpas com Usman que atravessou entrevistas, redes sociais e até um podcast em que os dois estiveram juntos. Com a perda recente do cinturão, em novembro, e a perspectiva de que o rival estivesse fora de ação por alguns meses após uma vitória, a expectativa era que esse “sonho” virasse luta de verdade.
No entanto, a oportunidade não se concretizou. Em vez de enfrentar Usman, o UFC colocou Muhammad frente a frente com um prospecto em ascensão na divisão dos meio-médios: Gabriel Bonfim. Para Muhammad, a aceitação do combate não foi um problema — mas a escolha do adversário também funciona como um recado de que a chance de acertar contas com Usman ficou para trás.
Em entrevista, o lutador afirmou que não está mais pensando em Usman. Na visão dele, o rival teria evitado esse tipo de confronto por tempo demais, e por isso ele não pretende continuar perseguindo um caminho que não se abre. Com isso, a estratégia passa a ser focar em Bonfim e, em seguida, mirar o próximo nome disponível.
Além disso, Muhammad também disse que não vê mais necessidade de voltar a provocar o ex-campeão. Para ele, insistir na ideia poderia dar a impressão de que está “caçando” confusão, e ele não gosta desse tipo de postura.
Apesar de, no passado, Muhammad tratar Usman como o oponente ideal, ele reconheceu que, no momento, o que pesa de verdade é voltar a vencer. O meio-médio chega para o compromisso após duas derrotas seguidas — situação rara na carreira do atleta, que agora tenta recuperar o espaço no topo da categoria.
A luta
Antes de projetar o duelo contra Bonfim, Muhammad falou sobre um obstáculo importante enfrentado na última luta: o impacto de sintomas relacionados a tontura e vertigem. Ele explicou que, no combate contra Ian Machado Garry, entrou já sentindo efeitos desse quadro, inclusive depois da pesagem. Segundo o lutador, foi a primeira vez que ele sentiu algo assim na carreira, com tremores e uma sensação de instabilidade que o acompanhou durante a preparação imediata para o encontro.
Para Muhammad, ainda não existe uma explicação completa sobre o que aconteceu. Ele relatou que os médicos no Catar não apresentaram um direcionamento claro sobre o diagnóstico da vertigem, muito menos como tratar o problema com a luta acontecendo apenas 24 horas depois. Mesmo com a tentativa de entender a causa, ele afirma que foi difícil chegar a uma conclusão.
O meio-médio também reforçou que o problema não teve relação com a perda de peso. A avaliação que ele recebeu foi de que haveria um desequilíbrio químico. A partir disso, a hipótese construída pela equipe seria que algo relacionado a tremores e ao que foi ingerido durante a preparação teria dado errado. Ainda assim, Muhammad descreveu que as orientações médicas soaram estranhas e pouco objetivas.
Na conversa, ele contou que um médico do Catar teria sugerido apenas consumir sopa. Muhammad demonstrou surpresa com a recomendação e disse que, quando perguntou sobre medicação, ouviu que a opção disponível naquele contexto poderia deixá-lo sonolento. Ele destacou que a parte mais complicada foi justamente não conseguir respostas diretas e confiáveis, já que o tempo curto impedia uma investigação mais aprofundada.
Apesar do susto, Muhammad afirmou que chegou a pensar em desistir do combate, mas que, mesmo sem estar em um estado considerado ideal, não faria sentido abandonar a luta em cima da hora. Ele relatou que a logística de já estar no país e ter passado tempo suficiente no local pesou, e que, na visão dele, não haveria garantia de estar “saudável” em toda luta. Por isso, decidiu entrar e observar o que aconteceria dentro do octógono.
Com o quadro sob controle e já recuperado da vertigem, o lutador agora acredita que o momento é de retomar o caminho das vitórias. Muhammad enxerga Bonfim como um bom adversário, mas sustenta que ele ainda não está pronto para o nível de elite na divisão dos meio-médios.
Ele argumentou que já enfrentou os melhores da categoria e que, em termos de estilo, já viu o que Bonfim costuma apresentar. Na leitura de Muhammad, o prospecto ainda não teve contato com um tipo de combate como o dele — tanto na forma de impor ritmo quanto na maneira como a luta pode ser conduzida. Assim, o atleta espera que o duelo funcione como um “marco” para mostrar a Bonfim a diferença entre disputar lutas relevantes e estar realmente entre os nomes do topo.
Para a luta deste sábado, Muhammad resumiu a mentalidade em uma palavra: lembrar. Segundo ele, o objetivo é reafirmar o próprio valor para o mundo, para si mesmo e para a categoria. Ele ainda se considera o melhor lutador da divisão, mas entende que precisa provar isso no confronto contra Bonfim e, a partir daí, seguir no rumo certo.
O pós-luta
Com a preparação focada na recuperação total e na retomada do desempenho após duas derrotas seguidas, Muhammad chega ao UFC Vegas 118 determinado a voltar a vencer e recolocar o nome no circuito de disputas. O lutador também trata como encerrada a fase de perseguir Usman, mantendo o foco agora em Bonfim e nos próximos passos que surgirem na divisão.
Para Muhammad, a história contra Usman não é mais um capítulo aberto. O que importa no momento é recuperar o espaço no cartel recente, colocar novamente o desempenho em evidência e transformar a chance de lutar no card principal em uma nova trajetória rumo ao topo dos meio-médios.

