Carlos Prates chega ao 7º nocaute no UFC e ameaça recorde de Matt Brown

Carlos Prates ampliou sua sequência de vitórias no UFC neste sábado ao finalizar Jack Della Maddalena, ex-campeão dos meio-médios, garantindo o sétimo triunfo na organização. O triunfo ainda veio com um recado importante: foi a sétima finalização por nocaute de Prates dentro do octógono, consolidando o brasileiro como um dos nomes mais perigosos da categoria.

  • Resultado: Carlos Prates finalizou Jack Della Maddalena
  • Método: nocaute (finalização por impacto)
  • Rodada: terceiro round
  • Marca no UFC: sétima vitória no Ultimate; sétimo nocaute na promoção
  • Divisão: meio-médio (welterweight)
  • Observação de recorde: Prates empatou na quinta colocação histórica de nocaute entre meio-médios no UFC; faltam seis nocaute(s) para igualar o recorde de Matt Brown

Prates chega perto do recorde histórico de nocaute

Com a vitória, Prates igualou a marca do quinto lugar no ranking histórico de nocautes no peso meio-médio do UFC. O brasileiro ainda tem um caminho considerável para alcançar o topo: para empatar o recorde de Matt Brown, que lidera a lista com 13 nocaute(s) na carreira, Prates precisaria de mais seis finais por nocaute.

Apesar da distância numérica, o próprio cenário de confronto pelo primeiro lugar não passa despercebido. O lutador, ainda que aposentado na divisão, admitiu que ficaria orgulhoso caso alguém do nível de Brown tentasse mantê-lo longe do topo ou, inversamente, caso outro atleta chegasse perto para desafiá-lo diretamente.

O que Carlos Prates fez para controlar Della Maddalena

A leitura de quem acompanha a trajetória de Prates é que a vitória não teve “sorte” ou um golpe isolado que simplesmente apagou o adversário. A atuação foi construída em camadas: em vez de buscar um nocaute de um único impacto, o brasileiro foi desmontando Della Maddalena com uma combinação variada de ataques antes de concluir a luta no terceiro round.

Jack Della Maddalena, ex-campeão da categoria, foi atingido por diferentes ferramentas ao longo de mais de duas rodadas. A estratégia passou por chutes na perna, joelhadas, socos e também cotoveladas, além de momentos em que o duelo ganhou contato e trabalho no clinch. A ideia, segundo a avaliação do ex-campeão Matt Brown, foi exatamente essa: variedade, consistência e capacidade de aplicar dano de múltiplas formas.

Elogios ao “pacote completo” e a análise do combate

Matt Brown destacou que o avanço de Prates no confronto foi percebido em campo. Para Brown, não foi apenas uma finalização: foi a evolução de nível, com um desempenho que mostrou diversidade do início ao fim. O comentarista também apontou um ponto específico que não o agradou tanto — a facilidade com que Prates teria permitido uma queda —, mas afirmou que esse detalhe ficou em segundo plano diante do que ocorreu na troca em pé e do controle geral do ritmo.

Na visão de Brown, a diferença decisiva foi justamente o leque de golpes. O brasileiro não dependia de uma única arma: ele transitou do trabalho de perna para ataques de curta distância, entrou no clinch, acertou de diferentes ângulos e manteve pressão suficiente para que Della Maddalena não conseguisse estabilizar o combate.

Vitória em Perth e o caminho para uma possível disputa de cinturão

Prates chegou a nocaute(s) sobre dois ex-campeões em lutas consecutivas. Antes de superar Della Maddalena, ele já tinha interrompido Leon Edwards, também com finalização. Após o triunfo no card principal em Perth, o brasileiro imediatamente colocou o pedido por uma disputa de título em evidência — embora tenha reconhecido que Ian Machado Garry seria, em tese, o próximo desafiante do campeão Islam Makhachev, conforme os sinais apontavam para que o confronto acontecesse em agosto.

Garry já havia sido o único a derrotar Prates no UFC. Em 2025, o irlandês venceu o brasileiro por decisão, o que reforça a leitura de que Garry deve mesmo receber a chance pelo cinturão, independentemente de outros resultados na divisão.

Islam Makhachev como o maior obstáculo no meio-médio

Mesmo com o cenário apontando para Garry, Prates e a ascensão de Michael Morales, Matt Brown reforçou que Islam Makhachev continua sendo o desafio mais difícil para qualquer atleta no peso meio-médio. E, principalmente, Brown não gosta do confronto para quem vem de um estilo mais focado no striking — e, na leitura dele, os principais candidatos do momento têm esse perfil.

Brown também citou a dificuldade de uma leitura “simples” para o futuro do campeão. Ele levantou questionamentos sobre como Morales, mesmo sendo um atleta grande, conseguiria lidar com o aspecto de luta do adversário. Além disso, Brown lembrou que Kamaru Usman seria o “candidato surpresa” dentro do quadro, mas ponderou quais seriam as condições para que o nigeriano atingisse novamente a disputa de título.

A chance rara de Makhachev ampliar legado com sequência de grandes lutas

Em um cenário ideal, Brown orienta que Makhachev permaneça ativo e vá encadeando adversários em alta velocidade, mirando vitórias que elevem o cartel do campeão a um patamar histórico. Makhachev já é detentor do recorde de defesas de cinturão no peso leve. Para Brown, ainda que igualar a marca de nove defesas no meio-médio — atribuída a um feito associado ao histórico de Georges St-Pierre — não pareça plausível, existe algo que chama atenção: a possibilidade de um atleta do topo do ranking “pound-for-pound” acumular muitas vitórias em disputas de título ao atravessar divisões diferentes.

Brown acredita que Makhachev tem grandes chances de vencer de forma dominante Garry, Prates e Morales. Com isso, ele imagina que um novo desafiante pode surgir ou que a organização finalmente encaminhe uma luta que vem sendo bastante aguardada: um possível duelo entre Islam Makhachev e Ilia Topuria no futuro.

Confrontos “perfeitos” e o conselho para acelerar a carreira como campeão

Ao comentar a sequência de decisões de carreira, Brown argumentou que, quando se analisa a posição de Makhachev como campeão, o caminho mais eficiente é encarar o melhor que aparece em seguida, independentemente de estilos — seja o rival um lutador de quedas, um striker ou alguém com vantagens específicas. Para ele, não existe “jogo fácil” para quem está no topo: o campeão precisa enfrentar o que há de mais forte disponível.

Brown ainda sugeriu um plano de ação: se Makhachev atravessar os três principais nomes em uma janela curta, a sequência pode transformar o período de reinado em uma marca ainda mais memorável. Na visão dele, o campeão deve buscar três lutas em sequência com intervalos curtos, tentando concluir os desafios em um período de cerca de um ano — algo como encaixar cada adversário em janelas de aproximadamente três meses — antes que os rivais evoluam ainda mais, especialmente no componente de wrestling.

Para Brown, o ponto é agir cedo. Mesmo que o crescimento do rival em luta de solo possa ser relevante, a leitura é que Makhachev tende a continuar superior justamente nesse aspecto. Assim, a recomendação é simples: fazer as lutas agora, encadear vitórias e consolidar uma sequência que coloque ainda mais peso no legado do campeão.

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By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.