Josh Hokit encara desafio no UFC Freedom 250 e busca virar nome conhecido

Depois de apenas três lutas dentro do octógono, Josh Hokit recebeu o maior desafio de sua carreira — justamente em um dos cenários mais singulares já vistos na história do UFC. No domingo, 14 de junho, o evento chega à área externa da Casa Branca, no South Lawn, para uma noite especial que promete ficar marcada. O UFC Freedom 250, apresentado por Crypto.com e RAM, vai colocar os atletas do card diante do maior público que muitos deles já encararam, em um ambiente icônico, possivelmente único. Para Hokit, a chance surgiu de forma rápida e inesperada, imediatamente após sua atuação de melhor fase na carreira, quando derrotou Curtis Blaydes no UFC 327.

Hokit vinha de um confronto que teve cara de “luta do ano” contra um adversário de elite no peso pesado. Em Miami, ele enfrentou o veterano e candidato frequente ao topo da categoria e conseguiu uma vitória por decisão unânime, aproveitando o momento para “furar a fila” e ganhar espaço entre os mais bem ranqueados. Só que, antes mesmo de deixar o local, a próxima missão já estava sendo montada com urgência. Um comentário ao vivo de Joe Rogan, questionando se ainda existia espaço no card da Casa Branca para Hokit, somado a um questionamento feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente e CEO do UFC, Dana White, sobre por que Derrick Lewis não estaria no evento, fez a cúpula do UFC correr para ajustar o card. O resultado foi a definição da luta principal entre Josh Hokit e Derrick Lewis. Lewis recebeu o chamado e aceitou na hora, enquanto Hokit, no caminho de volta aos bastidores, ainda se deslocava para uma ambulância no Kaseya Center.

Em relato do próprio lutador, Hokit explicou como tudo aconteceu: “Eu estava indo para uma ambulância quando o Mick Maynard apareceu nos bastidores e disse que o Donald Trump realmente gosta de mim, que eu seria o novo favorito dele. Ele mencionou a Casa Branca, mas eu não lembro exatamente as palavras — depois daquele tipo de luta (contra o Blaydes), eu estava meio fora, mas eu ouvi ‘Casa Branca’ e pensei: ‘Então eu estou lá’”.

Segundo o americano, a decisão também veio com a sensação de que o corpo estava machucado, mas sem clareza sobre a gravidade. “Era uma grande oportunidade. Meu corpo estava doendo, e eu não sabia se eu estava seriamente lesionado ou não, mas não importa. É uma chance que acontece uma vez na vida, então eu vou aproveitar”, completou.

Desde que conseguiu um contrato com o UFC ao avançar no Dana White’s Contender Series, em agosto do ano passado, Hokit vem trabalhando para se tornar conhecido em escala maior, subindo rapidamente no peso pesado e chamando atenção com desempenho e presença. Com três lutas, três vitórias e uma sequência de momentos que renderam entrevistas marcantes durante o caminho, ele já construiu um nome. Agora, a estratégia é usar o status recém-adquirido para avançar rumo ao topo da divisão, buscando a consolidação de vez com uma vitória sobre Derrick Lewis, ex-desafiante ao cinturão, diante de uma audiência enorme.

“Vai ter muita gente assistindo esse evento”, disse Hokit. “Então vai ter ainda mais pessoas vendo quem eu sou, vendo que eu sou o futuro do peso pesado.”

O fato de lutar no card da Casa Branca também coloca Hokit na mesma programação de astros do público norte-americano, como Justin Gaethje e Michael Chandler, que já se tornaram figuras extremamente populares para a base do UFC nos Estados Unidos graças ao estilo de lutas empolgantes. Hokit afirmou que quer ser encarado na mesma linha de impacto e, inclusive, decidiu conduzir a entrevista sem a persona extravagante, ligada ao personagem de wrestling profissional que já virou marca registrada em suas falas recentes.

“Eles são nomes conhecidos, e é isso que eu quero ser”, admitiu. “Por isso eu estou aqui falando normal com vocês. Meu gerente disse que, se eu falar normal, mais pessoas vão gostar de mim. Então eu estou tentando virar um nome conhecido, tentando ser normal para vocês. Ele encontrou uma medicação pra mim. As vozes ficam um pouco mais quietas, ou mais baixas, então eu consigo ser ‘normal’, suponho. E é bom dividir um card com (Gaethje e Chandler).”

Mais do que todo o contexto histórico do evento, para Hokit a luta representa mais um passo em direção ao topo do peso pesado. Após apenas três compromissos, ele já aparece como número cinco no ranqueamento, e o ritmo rápido não é visto por ele como surpresa. “Eu sei do que eu sou capaz, eu conheço minhas habilidades, então eu não fico surpreso”, afirmou. “Olhando a divisão dos pesados, ela é bem rasa. Eu sei que consigo causar impacto se eu tiver a oportunidade certa. Me deram a oportunidade certa e eu aproveitei.”

Por causa do triunfo sobre Blaydes, Hokit chega ao duelo de 14 de junho posicionado quatro posições acima de Derrick Lewis. Ainda assim, no jogo de reputação dentro do peso pesado, Hokit reconhece que Lewis já carrega uma imagem construída e extremamente forte para o grande público. Para ele, a oportunidade de enfrentar um nome grande é exatamente o tipo de situação que pode elevar ainda mais o próprio cartel e a percepção sobre sua força na divisão.

“Ele tem o maior número de nocautes na divisão dos pesados”, declarou Hokit. “No papel, ele é um adversário respeitável; é um nome conhecido. Mas eu não respeito ninguém que desiste de si dentro de uma luta, e foi isso que ele mostrou na luta mais recente dele.”

Hokit também reforçou o que espera em termos de exposição e atenção do público: “Ele é um nome maior dentro do UFC, é um nome conhecido. Então isso vai trazer ainda mais olhares para o evento e para o confronto, e eu vou aproveitar ao máximo.”

Outra vitória convincente — mais uma atuação empolgante e mais um resultado grande — pode empurrar Hokit para a briga por título ainda ainda neste ano, ou no começo de 2027. O cinturão interino do peso pesado será disputado no mesmo card. Alex Pereira, ex-campeão de duas divisões, enfrenta Ciryl Gane, ex-dono do cinturão interino do peso pesado, enquanto o campeão absoluto Tom Aspinall está a caminho de retornar após passar por duas cirurgias nos olhos.

Com isso, a janela de oportunidade de Hokit não poderia ter chegado em melhor momento. E, considerando o tamanho do palco em que ele vai competir, uma vitória que roube a cena pode tornar ainda mais difícil ignorar o pedido dele por uma chance pelo cinturão.

“Sim. Se eu fizer uma declaração em um ambiente como uma luta na Casa Branca, isso me coloca na conversa pelo título”, afirmou. “Então eu acho que o UFC vai ser inteligente em continuar usando o momento que eu venho ganhando nas lutas, mesmo com esse retorno rápido após a luta do ano. Eu acho que uma vitória (na Casa Branca) me coloca, com certeza, na disputa pelo título.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.