Dana White cogita exceção no UFC White House e teme luta ao ar livre em Havaí

O presidente do UFC, Dana White, admitiu que ainda não existe um evento oficial na Ilha de Havaí porque ele diz ficar “apavorado” com a ideia de realizar lutas ao ar livre. Apesar disso, ele afirmou que estaria disposto a abrir uma exceção para o UFC White House, que deve acontecer no próximo mês em Washington, DC, mais especificamente no gramado sul da Casa Branca, em uma estrutura considerada extremamente cara. A motivação principal, segundo White, é a chance de trabalhar ao lado de um velho conhecido: o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descrito pela organização como o “Combatant In Chief”, ou “combatente em chefe”.

Mesmo com o fator institucional e a oportunidade de estar próximo de Trump, White ressaltou que existem preocupações que vão muito além de temperatura e céu aberto. O dirigente comentou que, especialmente na costa leste, outro problema costuma dominar qualquer planejamento: insetos. Ele contou que o presidente abriu recentemente o Rose Garden e o convidou para jantar no local, e, durante a experiência, ficou impressionado com a quantidade de pequenos insetos voando ao redor. White relatou que, assim que embarcou de volta, ligou para sua equipe de produção e avisou que precisaria tratar daquele cenário, deixando claro que a situação de “mosquitinhos” e similares poderia virar um problema real para quem está no evento.

Na conversa, o apresentador Rich Kleiman comparou a situação a uma confusão envolvendo iluminação que ficou marcada no fim de 2007, quando o tema era justamente a forma como a estrutura poderia interferir no andamento da noite. White seguiu na mesma linha e explicou que, quando se monta um espetáculo para atletas, é preciso pensar em detalhes como grades de iluminação, braços e suportes que sustentam equipamentos, além da potência das luzes. Para completar, ele listou preocupações adicionais que podem afetar diretamente o desempenho e até a experiência dentro do octógono: mariposas, insetos menores e o que mais possa aparecer no caminho. A imagem descrita pelo CEO foi bem direta: lutadores tentando manter o foco e lutar enquanto lidam com coisas voando perto do rosto, inclusive dentro de bocas e narinas, algo que, na prática, atrapalha a respiração e a concentração durante trocas intensas.

Com isso, White reforçou a posição contrária a eventos ao ar livre, afirmando que não gosta desse tipo de formato “para valer”. A lógica por trás da fala é que, sem controle do ambiente, qualquer distração vira risco para atletas que precisam de atenção total em cada fase do combate. Ainda assim, ele insinuou que a organização poderia tentar amenizar o problema com medidas de engenharia, como usar ventiladores para dificultar a aproximação dos insetos, já que alguns deles têm mais dificuldade com correntes de ar. Na visão do dirigente, são exatamente “essas pequenas coisas” que pesam contra a decisão de lutar fora de um ambiente fechado.

Fechando o raciocínio, a conversa acaba abrindo espaço para um tipo de desculpa pós-luta que costuma povoar o imaginário do MMA: não apenas “fui prejudicado no camp” ou “estava muito quente”, mas também situações como “tive insetos no nariz” ou “não consegui respirar direito por causa do ambiente”. White ainda deixou no ar a questão técnica de como seria possível instalar ventilação em grande escala sem que a apresentação pareça um grande gerador de ruído, mas, ao menos na proposta, a alternativa poderia ser considerada menos problemática do que transformar o combate em uma luta contra o clima e a fauna local. No fim, a ideia é clara: em vez de depender de público para “resolver” o problema, a organização talvez precise mesmo de quem lide com insetos — e, no tom brincalhão da discussão, até de uma “equipe” voltada a controlar a situação antes que ela chegue perto do rosto de quem vai lutar.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.