Sergei Pavlovich chega como “executor” e mira apagar estrela no octógono

Sergei Pavlovich, parado no canto enquanto o duelo ainda não começa, passa a impressão de um “executor” russo clássico das produções dos anos 80 e 90: grande, firme, sem muita expressão e claramente perigoso. A imagem é tão marcante que parece que ele está prestes a apagar o principal nome do card — e a história costuma seguir esse roteiro, até que o “herói” encontra uma brecha, ajusta a rota e evita uma catástrofe.

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  • Método: não informado na fonte
  • Rodada e tempo: não informado na fonte
  • Categoria: peso-pesado
  • Local do evento: Galaxy Arena, em Macau
  • Lutadores: Sergei Pavlovich x Tallison Teixeira

Sequência histórica e presença constante no topo do peso-pesado

O que se vê fora do octógono também confirma o que o físico sugere dentro dele. Aos 34 anos, Pavlovich construiu um cartel com 8 vitórias e 3 derrotas. Além disso, ele já emplacou um feito relevante: seis nocautes seguidos ainda no primeiro assalto, uma sequência recorde, com finais brutais sobre Derrick Lewis, Tai Tuivasa e Curtis Blaydes.

Mesmo nas duas últimas vitórias, que vieram por decisão, o russo manteve a postura de força dominante. Ele venceu Jairzinho Rozenstruik e Waldo Cortes Acosta de forma convincente, consolidando sua posição como um dos principais nomes do peso-pesado — citado como integrante do Top 5 da divisão.

Recado em rede social e “tradução” para o brasileiro

Apesar da reputação intimidadora, Pavlovich também já mostrou o lado mais leve e brincalhão. No mês passado, ele publicou uma imagem em seu perfil no Instagram com uma mensagem destinada ao adversário deste fim de semana, Tallison Teixeira. Na postagem, Pavlovich pediu ao compatriota Valter Walker que atuasse como intérprete e transmitisse o recado ao brasileiro, e Walker fez a entrega sem hesitar.

Ao ser questionado sobre a publicação no início desta semana, Pavlovich descreveu Teixeira como alguém que pode entrar em trocação com facilidade. Com um sorriso, ele afirmou que o adversário parece ser jovem, tem pavio curto, gosta de brigar e, por isso, ele mesmo também se sente confortável nesse tipo de cenário.

A postagem exibiu Teixeira como um desafiante que já foi cotado para disputar o cinturão interino e, ao mesmo tempo, com a concentração e a aparência “assustadora” associadas a ele. No canto superior direito, aparecia um recorte do próprio Teixeira. O conteúdo também trazia uma frase em russo, que Walker traduziu para o português nos comentários. O recado dizia: “Você está pedindo uma guerra… esteja pronto — ela vai acabar rápido. Revise seu plano.”

Depois disso, Pavlovich marcou Teixeira na publicação, o que aumentou a chance de o recado chegar ao destino — especialmente por ser um artista que ganhou projeção na Dana White’s Contender Series.

Em seguida, o peso-pesado explicou por que decidiu lançar o desafio. Ele disse que, em geral, as pessoas preferem evitar brigas com ele, porque sabem que o desfecho não costuma ser bom. Ainda assim, ao notar alguns comentários feitos por Teixeira, Pavlovich afirmou que decidiu mudar a estratégia e mandar um aviso.

Duelo no card principal do UFC Fight Night em Macau

O confronto foi colocado no meio do card principal do UFC Fight Night deste fim de semana, em Macau, no Galaxy Arena. Quando a luta foi anunciada inicialmente, a combinação chamou atenção por não ser o tipo de pareamento mais “óbvio”, considerando a posição de cada um na hierarquia e o histórico recente dos atletas.

Histórico recente de Tallison Teixeira no UFC

Teixeira voltou a vencer mais cedo neste ano com uma decisão trabalhosa contra Tai Tuivasa, em Sydney. O brasileiro tem 26 anos e, dentro do UFC, soma um retrospecto de 2 vitórias e 1 derrota. Ele chegou ao elenco depois de garantir lugar na franquia com uma vitória na 8ª temporada da Contender Series.

Antes do confronto contra “Bam Bam” no UFC 325, Teixeira nunca havia saído do primeiro assalto nas lutas do início de carreira: ele havia vencido e também perdido ainda no primeiro round. No total, a experiência dele na organização antes desse momento era de apenas 70 segundos — com 35 segundos de ação em uma vitória sobre Justin Tafa e mais 35 segundos em uma derrota para Lewis.

Trajetória de Pavlovich e o contexto do retorno após cirurgia

Do lado de Pavlovich, ele foi o escolhido para enfrentar Tom Aspinall quando o cinturão interino foi apresentado pela última vez no UFC 295 e segue frequentemente no debate de quem pode desafiar pelo título. A última aparição do russo aconteceu em agosto do ano anterior, quando ele venceu Waldo Cortes Acosta em uma performance que reforçou a ideia de que “existem níveis”.

Depois disso, “Salsa Boy” (Cortes Acosta) emendou duas vitórias em novembro e transformou esse momento em uma janela para buscar novos caminhos dentro da divisão. Em paralelo, a própria vitória de Pavlovich sobre Lewis abriu a possibilidade de o russo enfrentar Alexander Volkov no início do mês, no UFC 328 — ocasião em que um dos principais concorrentes russos da categoria garantiu o resultado na luta.

Apesar da disputa por posição no ranking, Pavlovich entendeu que precisava voltar a competir. Ele ficou nove meses sem atuar após passar por uma cirurgia nasal relacionada à última vitória. Mesmo com a possibilidade de enfrentar alguém “mais para baixo” na classificação, ele não demonstrou preocupação em lutar fora do “rumo” imediato do topo.

“Existe um congestionamento no ranking” e a sensação de estar sendo deixado de lado

Pavlovich afirmou que há uma espécie de “trânsito” no ranking envolvendo todos que estão acima dele. Por isso, ele aceitou encarar um adversário citado como bem abaixo na lista: o objetivo era colocar o pé no acelerador, garantir uma luta e fazer o cenário voltar a se mexer.

Ele também indicou que, quando esse “congestionamento” se resolver, os atletas mais bem posicionados tendem a se enfrentar e aí as possibilidades ficam mais claras para cada um.

Outro ponto mencionado foi a percepção de que, neste momento, ele se sente como um nome esquecido na divisão. A ascensão recente de Cortes Acosta e a emergência de Josh Hokit teriam ofuscado parte do que Pavlovich vem fazendo e de onde ele está no ranking.

Recado final: preparar-se para uma guerra, não apenas para nocautear

Ao aceitar o desafio diante de Teixeira neste fim de semana, Pavlovich, que também é descrito como um personagem carismático, quer deixar uma mensagem clara e provar que continua sendo uma ameaça real no topo do peso-pesado.

Quando lhe apresentaram esse cenário hipotético, o russo respondeu como quem já esperava a ideia: disse que a frase “tirou as palavras da boca dele”, sorriu e riu, reforçando o tom confiante.

Para responder como pretende fazer um “statement”, Pavlovich declarou que está sempre pronto, independentemente do formato do combate. Ele reconheceu que muita gente espera um nocaute e que ele próprio gostaria de terminar com essa finalização — mas ressaltou que nocautear não é algo que dá para planejar; é um acontecimento que aparece de forma inesperada.

Segundo Pavlovich, ele está se preparando para um duelo difícil, uma “guerra”, um combate pesado e contundente. A intenção, de acordo com ele, é entrar no octógono e entregar exatamente o que treinou.

Com o recado feito e o plano revisado, a expectativa é que Pavlovich siga o roteiro que prometeu — e que Teixeira, do outro lado, entenda a mensagem e faça o mesmo com os ajustes para a luta deste sábado, em Macau.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.