Deiveson Figueiredo mira reação e prova no octógono em Macau

Deiveson Figueiredo vive um momento de encruzilhada aos 38 anos, mas não aceita a ideia de que o auge tenha ficado para trás. O ex-campeão dos moscas do UFC viaja para Macau, na China, onde será o principal nome do card de sábado contra o local Song Yadong.

O brasileiro vinha embalado no peso mais leve do que já competiu antes, chegando perto de uma nova disputa de cinturão após conquistar as primeiras três vitórias na nova divisão. Só que a trajetória recente mudou: ele agora aparece com 1-3 nos últimos quatro compromissos, em uma fase na qual a concorrência é extremamente qualificada, com nomes como Petr Yan, Cory Sandhagen e Umar Nurmagomedov.

O que Figueiredo afirmou antes de lutar em Macau

  • Ele disse estar “imune” à pressão por ter vivido muitos anos no esporte.
  • Afirmou que precisa “mostrar que está vivo” na briga pelo título.
  • Disse que espera que a preparação e o contexto sejam melhores do que na primeira passagem por Macau.
  • Explicou que a perda de peso anterior aconteceu por uma sequência de problemas fora do octógono.
  • Projetou uma luta movimentada, especialmente em pé, apesar de reconhecer a possibilidade de decisão.

Falando dias antes de deixar o Brasil rumo à China, Figueiredo tratou o assunto como uma questão de postura. Para ele, mesmo que o resultado em si não envolva um cinturão imediato, as chances na “fila do ouro” dependem do que ele entregar no combate.

Quando foi perguntado se o duelo contra Song Yadong é “obrigatório” para vencer, o brasileiro foi direto. “Com certeza, sem dúvida. Eu preciso mostrar que ainda estou vivo. Houve algumas complicações [em lutas anteriores], mas estou me sentindo muito bem para esta luta e quero provar isso na disputa pelo título”, afirmou.

Derrota anterior em Macau e evolução para a nova viagem

Uma das derrotas recentes de Deiveson aconteceu justamente na Galaxy Arena, em Macau. Na ocasião, Petr Yan interrompeu sua sequência vitoriosa com um triunfo por decisão, em 2024.

Quase dois anos depois, com uma rota de viagens que passou por Rio de Janeiro, Iowa e Las Vegas, “Deus da Guerra” acredita estar mais ajustado para voltar ao país asiático. Ele apontou que não espera viver as mesmas dificuldades da primeira experiência e destacou que o plano para a preparação e para o corte de peso já estava mais alinhado.

“A gente não vai ter as mesmas dificuldades da primeira vez. A gente já sabe o que fazer e como fazer, inclusive no corte de peso. Na luta anterior eu errei o peso, mas agora já chegamos em um patamar bom. Eu estou bem mentalmente depois daquele episódio em que falhei, mas agora é manter a cabeça erguida e seguir em frente”, disse.

O caso do corte de peso em janeiro, em Las Vegas

Na sua apresentação mais recente, Figueiredo perdeu peso e acabou derrotado por decisão unânime dos jurados para Umar Nurmagomedov, em janeiro, em Las Vegas. O brasileiro atribuiu a situação a uma combinação de fatores, incluindo problemas ligados ao deslocamento e ao tempo de viagem.

Segundo ele, houve complicações pessoais e também dificuldades para sair do Brasil, com efeitos diretos no planejamento. “Eu tive algumas questões pessoais. Eu estava em um lugar muito ruim mentalmente. E saindo do Brasil, aconteceram problemas com o voo. Foi uma complicação que acabou me atrapalhando de verdade. Meu peso subiu e eu acabei não batendo a marca”, explicou.

Figueiredo ainda detalhou que a cabeça “não estava 100%” e que isso aumentou o peso do desafio dentro do octógono, especialmente por se tratar de um grappler que pressiona no chão. “Minha cabeça estava bagunçada, eu não bati o peso e ainda tive que enfrentar um cara duro. O Umar é um atleta que te prende no chão. Não estar cem por cento deixou a luta muito complicada”, completou.

Treino no Brasil e estratégia para Song Yadong

Para este camp, Figueiredo encerrou a preparação em Natal, trabalhando ao lado de Patricio Pitbull e Patricky Pitbull. Antes disso, ele passou algumas semanas treinando com o grupo The Fighting Nerds, em São Paulo.

Ele também afirmou que o plano de jogo para o compromisso foi desenhado a partir da orientação do treinador-chefe do núcleo, Pablo Sucupira. “A gente espera que possa ir para decisão, mas eu não gosto de deixar as coisas nas mãos dos juízes. O Song é um cara que vem para lutar, então eu acho que vai ser uma luta bem cheia de ação, principalmente em pé”, projetou.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.