Belal Muhammad não parece estar disposto a passar pano para Khamzat Chimaev quando o assunto é Sean Strickland e as declarações ofensivas que ele teria feito contra o islamismo. Depois de perder o posto para o rival no sábado, no combate principal do UFC 328, Strickland foi quem acabou no centro da polêmica ao pedir desculpas pelas falas depreciativas direcionadas a muçulmanos. O americano, que chegou ao title shot como desafiante e terminou o duelo campeão, havia sido o responsável por desbancar Chimaev e conquistar o cinturão dos meio-médios, em uma luta que marcou a noite. Strickland encerrou o confronto com cartel de 31-7 no MMA e 18-7 no Ultimate, enquanto Chimaev entrou para o combate com 15-1 no MMA e 9-1 no UFC.
Segundo o desfecho que tomou conta da cena após o resultado, Chimaev aceitou o pedido de desculpas e os dois chegaram a se abraçar dentro do octógono, como se o clima tivesse sido encerrado. Ainda assim, Muhammad enxergou a situação de outra forma e disse não acreditar que o gesto tenha significado a mudança real que o caso exigiria, especialmente por envolver religião. O ex-campeão dos meio-médios do UFC afirmou que, mesmo com a apresentação de arrependimento, Strickland recorreu ao mesmo discurso de sempre para tentar justificar o que falou antes da luta.
“Mesmo ele tendo se desculpado, ‘eu me desculpei com meus fãs muçulmanos, eu só estava promovendo a luta’”, declarou Muhammad em seu canal no YouTube. “Não, não é promoção quando você está falando de religião. Ele sempre faz esse papel de falar coisas idiotas e depois vem com ‘eu amo esse cara’, ‘esse cara é o melhor’, aquele bla bla bla. Quando você fala de religião, você fala de família, isso atinge de outro jeito. Eu espero, um dia, conseguir entrar na jaula com esse sujeito antes que tudo se resolva e apenas fazer ele sangrar.”
No aspecto esportivo, Strickland venceu Chimaev por decisão dividida, resultado que ainda segue sendo alvo de discussões entre parte do público. Muhammad, porém, tem uma leitura bem específica do que aconteceu no octógono e sustenta que a pontuação não refletiu o que ele viu durante os rounds. Para o brasileiro, o julgamento teria sido influenciado por expectativas construídas em cima das probabilidades de vitória e do estilo que muita gente imaginava que Chimaev teria para triunfar.
“Eu ainda achei que ele venceu a luta por 3 a 2, se eu for ser honesto”, disse Muhammad sobre Chimaev. “Eu pensei que ele estava acertando golpes mais fortes em pé. Strickland estava conectando muitos jabs. Ele defendeu algumas tentativas de queda. Mas, em termos de dano, ele até quebrou o nariz do Strickland, só que o Khamzat também estava um pouco machucado. Ele tinha o rosto inchado, os lábios. Eu acho que também passa pela cabeça dos juízes, assumindo que o Khamzat só conseguiria vencer se conseguisse derrubar.”
Na sequência, Muhammad completou sua análise dizendo que o fato de Chimaev ter permanecido em pé teria contribuído para a percepção negativa da arbitragem. “E como ele ficou de pé, as pessoas presumiram que alguma coisa estava errada. Ele não parecia bem. Ele não consegue competir com ele na trocação. Tudo isso entra no jogo na hora de pontuar uma luta. Até na primeira luta do Islam (Makhachev) contra o Volkanovski, tinha gente dizendo que o Islam não conseguia derrubar algumas vezes, mesmo acertando bem em pé, e ainda assim falavam que ele tinha perdido porque esperavam que ele dominasse. As pessoas esperavam que o Khamzat fosse lá e dominasse.”

