UFC Fight Night 276: veja o que esperar do fim do ciclo e do card no APEX

O ciclo de eventos do UFC em 12 semanas chega ao fim neste sábado com o UFC Fight Night 276, realizado na Meta APEX, em Las Vegas. A programação terá transmissão no Paramount+ e, mesmo com o card acontecendo ao mesmo tempo em que a Netflix estreia seu primeiro evento de artes marciais, a organização não montou uma cartela com grandes pretensões de “pressão total”, pelo menos no que diz respeito ao volume de lutas de maior peso no papel. No entanto, o duelo principal chama atenção: os ranqueados na categoria dos penas Arnold Allen e Melquizael Costa se enfrentam em uma luta principal disputada em cinco rounds, enquanto o restante do card, apesar de recheado de nomes conhecidos no cenário, apresenta números que indicam uma profundidade menor do que o normal.

Allen chega ao combate carregando um feito histórico raro na história do Ultimate. Ele está entre apenas seis lutadores que começaram com dez vitórias em dez lutas dentro do octógono. Além do britânico, essa marca também foi alcançada por Anderson Silva, Kamaru Usman, Alexander Volkanovski, Khabib Nurmagomedov e Royce Gracie. O atleta também figura no grupo de 15 nomes que conseguiram emplacar dez triunfos consecutivos no UFC, mostrando consistência em diferentes fases da carreira, tanto em ritmo quanto em execução dentro da jaula.

Do outro lado, Costa chega com uma sequência de resultados que reforça o momento positivo na divisão dos penas. Ele vem de uma série de sete vitórias consecutivas no peso, que é a segunda maior sequência ativa da categoria, ficando atrás apenas de Movsar Evloev, que acumula nove. No recorte das vitórias, Costa também chama atenção pelo impacto: quatro de seus sete triunfos no UFC terminaram antes do fim do tempo regulamentar. Além disso, ele tem um tipo de nocaute associado a uma técnica específica e pouco comum no histórico da organização: um nocaute originado por uma dobradinha com chute giratório de costas, mirando a cabeça. O feito aconteceu no UFC Fight Night 267, na mesma linha de outros cinco casos registrados na história, envolvendo nomes como Renan Barao, Uriah Hall, Magomed Mustafaev, Joaquin Buckley e Natalia Silva.

O card também reserva duelos que já trazem números expressivos para a estatística geral do torneio. Dooho Choi, por exemplo, sustenta um retrospecto agressivo no cartel: são 16 vitórias na carreira e 14 delas com finalização, sendo que, dentro desse recorte, 13 triunfos foram por nocaute. Um dos detalhes que mais chama atenção nesse histórico é a velocidade: o nocaute de 18 segundos aplicado em Juan Puig, no UFC Fight Night 57, aparece como o segundo mais rápido em estreia na categoria dos penas, apenas atrás do tempo de oito segundos conquistado por Makwan Amirkhani no UFC on FOX 14.

Entre os atletas em fase de estabilização no torneio, Modestes Bukauskas aparece como alguém que retomou o caminho no UFC em seu segundo período na organização. Desde o retorno para uma nova etapa, em fevereiro de 2023, ele soma o retrospecto de 6-2. A consistência também aparece em Rodolfo Bellato, que chega ao evento com 13 triunfos na carreira e 12 deles terminando por finalização: no total, ele venceu as duas lutas que disputou no UFC por nocaute. Ainda assim, Bellato carrega um dado menos comum no início de sua trajetória no octógono: ele está entre dois lutadores na história do UFC que fecharam o início de suas primeiras quatro aparições com um registro de 1-1-1, incluindo um empate sem resultado, fenômeno que também aconteceu com Damon Jackson.

No recorte de estilo e eficiência de trocação, há um dado envolvendo Bellator em atividade na divisão: a equipe aparece com um aproveitamento de 59% nas tentativas significativas de golpes no peso dos meio-pesados do UFC, o melhor índice entre todos os atletas em atuação na categoria. A estatística ajuda a contextualizar o tipo de abordagem que o elenco costuma apresentar quando chega ao octógono, ainda que cada lutador tenha suas particularidades e variações de plano.

Timothy Cuamba entra em cena com um dado que aponta adaptação ofensiva em quedas. Ele já conseguiu ao menos uma tentativa de derrubada contra todos os quatro adversários que enfrentou no UFC. Na sequência do card, Ivan Erslan traz consigo uma sequência de três derrotas seguidas que é a mais longa de sua carreira, e ele não venceu desde fevereiro de 2024, o que torna o duelo uma oportunidade importante para interromper o momento negativo.

Entre as atletas do card feminino, Ketlen Vieira vai disputar sua 14ª luta no UFC na categoria dos galos femininos — número que coloca a brasileira entre as maiores marcas de presença na história da divisão, ficando atrás somente de Raquel Pennington (18) e Amanda Nunes (15). No momento recente, Vieira vive um período de oscilação: ela está com 5-5 nos últimos dez combates, depois de começar sua trajetória com uma sequência inicial de dez vitórias consecutivas. Em termos de aproveitamento na divisão, suas oito vitórias no UFC empatam com a terceira maior marca na história do peso feminino atrás apenas de Nunes (13) e Pennington (12). Vieira também tem destaque em decisões: suas sete vitórias por julgamento estão em segundo lugar na divisional, novamente somente atrás de Pennington (10). Além disso, ela defende com eficiência altíssima as tentativas de queda adversárias: protege 88,9% de todos os attempts contra ela na categoria no UFC, o melhor índice já registrado na história da divisão.

Jacqueline Cavalcanti também chega com números fortes. Com 10-1 no cartel e 5-0 no UFC, ela vem de uma sequência de quatro vitórias consecutivas na categoria dos galos femininos, que é a terceira maior série ativa do momento, atrás apenas de Ailin Perez (seis) e Joselyne Edwards (cinco). Em seu histórico no Ultimate, Cavalcanti venceu todas as cinco lutas por decisão, o que sugere um controle consistente do ritmo e do plano de combate, mesmo sem depender de finalizações para construir vitória.

No setor masculino, Cody Brundage entra para o card com um marco incomum: ele se torna o primeiro atleta a fazer três aparições no UFC ao longo de 2026. Ao mesmo tempo, vive um período delicado, já que está há quatro lutas sem vencer, a maior sequência de jejum da carreira. O último triunfo dele aconteceu em março de 2025. Mesmo com o momento atual, Brundage tem um detalhe técnico importante no histórico de nocaute: ele está entre apenas 15 lutadores que já produziram um nocaute no UFC após um slam, tendo alcançado essa marca no UFC on ESPN 52.

Polyana Viana aparece com estatísticas que reforçam o tipo de trajetória que ela costuma construir dentro do octógono. A brasileira tem uma sequência de três derrotas seguidas que se iguala como a maior da carreira. Nos últimos cinco combates, ela está com 1-4, considerando o período que começou em maio de 2022. No recorte de tempo médio de luta na divisão dos palhas no UFC, Viana tem 7:51 como média — o menor valor registrado na história da categoria, indicando que os combates dela frequentemente terminam mais cedo. Do lado das finalizações, suas três vitórias por submissão no peso empataram em terceiro lugar na história da divisão, atrás apenas de Mackenzie Dern (cinco) e Tatiana Suarez (quatro).

Fechando o panorama estatístico, Luis Gurule chega com um histórico de 10-3 na carreira e 0-3 no UFC, após sofrer três derrotas consecutivas. Antes de chegar ao Ultimate, ele havia iniciado a trajetória profissional com dez vitórias seguidas, mas não conseguiu manter o mesmo ritmo nas lutas mais recentes dentro da organização.

Na sequência do card de lutas, o UFC Fight Night 276 terá os seguintes confrontos: Arnold Allen contra Melquizael Costa; Dooho Choi contra Daniel Santos; Modestes Bukauskas contra Rodolfo Bellato; Timothy Cuamba contra Bernardo Sopaj; Tuco Tokkos contra Ivan Erslan; Ketlen Vieira contra Jacqueline Cavalcante; Andre Petroski contra Cody Brundage; Alice Ardelean contra Polyana Viana; e Daniel Barez contra Luis Gurule.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.