O duelo principal do UFC Fight Night 274 deste sábado coloca Aljamain Sterling e Youssef Zalal frente a frente com bastante coisa em jogo, embora a leitura mais comum seja que essa luta não represente, por si só, uma disputa de cinturão direto na categoria dos penas. Em vez de um “ticket” automático para o topo do ranking, o confronto surge mais como um teste decisivo para entender quem está mais perto de encarar o campeão Alexander Volkanovski na sequência.
A avaliação é do analista da mesa do UFC, Alan Jouban, que estará no comando da cobertura do evento neste fim de semana a partir do Meta APEX, em Las Vegas, com transmissão pelo Paramount+. Apesar de não enxergar quem vencer Sterling e Zalal imediatamente saltando para o próximo desafio ao título contra Volkanovski, Jouban destaca que o duelo ainda assim tem um peso relevante por reunir estilos contrastantes e nomes em momentos bem distintos do caminho no peso.
Jouban lembra que Sterling chega para a luta com cartel de 25-5 no MMA e 17-5 na organização, enquanto Zalal entra com campanha de 18-5-1 no MMA e 8-3-1 no UFC. O analista reconhece que, mesmo com o vencedor do confronto não necessariamente assumindo a frente do caminho ao cinturão, o que torna a luta especial é a combinação entre o ex-campeão dos 135 libras e um adversário em ascensão, que voltou ao Ultimate para uma segunda fase e ainda não foi derrotado desde então.
“É difícil não torcer pelo Youssef Zalal do jeito que ele vem atuando”, disse Jouban. “Eu vejo ele como um lutador de alto QI. Ele é um cara muito carinhoso quando você conversa com ele. Quando entra no octógono, parece um computador: ele trabalha o alcance, usa a distância e escolhe as ações com bastante inteligência. Além disso, ele vem usando a parte de grappling, e isso tem sido fenomenal.”
Na visão do analista, Sterling é um dos melhores do mundo e já mostrou capacidade de enfrentar trocas duríssimas. Jouban cita que o ex-campeão encarou Movsar Evloev em confrontos intensos, trocando golpes em momentos exigentes, e então coloca a dúvida central sobre o plano de jogo de Zalal: “O Sterling é um dos muito, muito melhores do planeta. Ele foi trocando firme com o Evloev em algumas sequências bem difíceis. O Zalal vai tentar colocar o dedo na área do grappling, ou vai apostar nesse alto QI que eu fico ressaltando?”
O retrospecto recente de Sterling reforça a busca por um passo maior. Desde a mudança do bantamweight para a nova divisão, ele venceu duas das três últimas lutas: triunfou sobre Calvin Kattar e Brian Ortega, e sofreu uma derrota por decisão bem apertada para Evloev no UFC 310. Mesmo com esse caminho mais tortuoso do que o ideal, Sterling vem pressionando por uma chance de título para entrar no grupo seleto de atletas que já conquistaram cinturões em duas divisões diferentes. Para isso, porém, ele precisa superar Zalal primeiro.
Zalal chega embalado e com números que chamam atenção. Ele está invicto há cinco lutas desde que voltou ao UFC, em março de 2024, e vem de uma atuação que reforçou o momento: foram apenas 98 segundos para finalizar Josh Emmett por meio de finalização. Ou seja, além do desafio de encarar um nome do nível de Sterling, Zalal também tenta transformar o ritmo atual em credenciais ainda mais fortes para o topo da divisão.
Jouban afirma que os dois lutadores pertencem ao “grupo de cima” da categoria, mas ressalta que, salvo se alguém entregar uma atuação espetacular — do tipo que “grita” para o departamento de planejamento de lutas — é provável que ambos precisem emplacar mais uma vitória antes de serem considerados com força real para uma oportunidade de título.
“Isso os coloca no cenário”, comentou Jouban. “Eu não sei se eu conseguiria ficar confortável em dizer que uma vitória aqui já garante disputa de cinturão. Talvez ainda falte mais um triunfo. Parece que o Zalal tem ainda mais a ganhar nesse confronto vindo de uma vitória sobre o nome do Aljamain Sterling. Se ele conseguir passar pelo Aljo, aí é como: ‘Uau, talvez este cara já esteja pronto para encarar o topo da divisão’. Vai ser interessante ver.”
Para acompanhar mais detalhes da análise de Alan Jouban, a conversa completa com o analista aparece na participação do episódio do podcast “The Bohnfire”, ao lado do repórter sênior Mike Bohn.

