Ronda Rousey provoca debate e Valentina Shevchenko entra na polêmica no UFC

Ronda Rousey intensificou as críticas ao tratamento dado a atletas dentro do UFC e, enquanto se prepara para voltar aos combates diante de Gina Carano no dia 16 de maio, acabou gerando um novo capítulo de debate sobre remuneração no MMA — com a campeã peso-mosca (mosca, no contexto do cartel feminino) Valentina Shevchenko entrando no centro da polêmica. A resposta de Taylor Starling, estrela do BKFC, foi direta: para ela, usar o OnlyFans como alvo de ofensa não faz sentido, já que a plataforma pode funcionar como renda complementar e também como suporte para a manutenção da rotina de treinos.

Rousey mira UFC e cita Shevchenko; Starling rebate

Em comentários que ganharam grande repercussão, Rousey usou Valentina Shevchenko como exemplo para sustentar que muitos atletas de alto nível estariam deixando a organização em busca de melhores pagamentos. No argumento, a norte-americana mencionou que “por isso tantas atletas de ponta acabam procurando salários em outros lugares” e, como exemplo, citou o fato de a campeã “vender fotos no OnlyFans”.

Shevchenko respondeu quase imediatamente em defesa de seu trabalho na plataforma. Além de rebater o ataque, a lutadora ainda provocou Rousey ao dizer que ela “ficou tempo demais parada após a última luta, em 2016”, quando foi derrotada por Amanda Nunes.

Taylor Starling, que já havia abraçado o OnlyFans como fonte adicional de renda, deixou claro que entende a discussão sobre subpagamento, mas não concorda com a ideia de transformar isso em agressão pessoal — inclusive quando a própria crítica cita outra atleta.

Segundo Starling, no fim das contas, o objetivo das mulheres envolvidas no esporte deveria ser o mesmo: garantir o sustento da família. Ela também afirmou que prefere evitar brigas públicas e defendeu uma postura mais pragmática sobre o tema da remuneração.

  • Starling disse que há atletas que ela não gosta, mas que, no geral, “todo mundo tenta fazer a mesma coisa: prover para a família”.
  • A lutadora defendeu que seria possível discutir condições de trabalho sem “rasgar” umas às outras.
  • Ela reconheceu que gostaria que o setor pagasse mais para que não fosse necessário recorrer a iniciativas externas, mas afirmou que opinião não paga contas e que quem não arca com as despesas não deveria ditar o julgamento sobre escolhas pessoais.

Renda via OnlyFans: rotina de treinos e vida fora do octógono

Starling ainda explicou por que, para ela, o OnlyFans não é motivo para vergonha — e sim um mecanismo que permitiu melhorar a própria estrutura de vida e, principalmente, manter a preparação para lutar em tempo integral.

A atleta do BKFC afirmou que, antes de criar a página, trabalhava em três empregos ao mesmo tempo, vivia com um carro em situação crítica e chegava perto de não conseguir pagar as contas. Para ela, a plataforma mudou a realidade financeira e abriu espaço para focar em treinamento e competição sem precisar dividir tanto tempo fora do esporte.

  • Ela declarou que o OnlyFans a colocou em condições de treinar em tempo integral.
  • Também disse que conseguiu comprar um veículo novo.
  • E afirmou que passou a conseguir sustentar os filhos com mais estabilidade.

De forma direta, Starling reforçou a ideia de que o debate precisa ser medido pelo impacto real na vida das pessoas. Para a lutadora, enquanto os filhos estiverem bem, alimentados, felizes e cuidados, críticas externas não deveriam pesar mais do que o resultado prático.

Ela reconheceu ainda que Rousey não foi a primeira a usar o OnlyFans como “cutucada” em outra atleta, mas afirmou não entender por que esse tipo de uso teria de ser tratado como insulto.

BKFC, patrocinadores e “baixos golpes” no debate; próximo compromisso

Starling também mencionou que recebeu críticas semelhantes de outras lutadoras ligadas ao BKFC, mas apontou um detalhe importante: a promoção chegou a fechar um acordo de patrocínio com o OnlyFans. Na visão dela, isso torna a contradição ainda mais evidente, já que o dinheiro do patrocínio está diretamente relacionado ao ambiente em que as atletas competem.

Para reforçar o argumento, ela disse que algumas pessoas tentam “ir para o lado baixo” ao falar do tema, mas, ao mesmo tempo, acabam aceitando valores que vêm desse mesmo ecossistema — incluindo o pagamento recebido após as lutas.

  • Starling afirmou que há lutadoras que criticam o OnlyFans, mas que o próprio evento teve momentos em que a plataforma atuou como patrocinadora do ringue.
  • Ela questionou se, no fim, a atleta que critica realmente “odeia tanto” a plataforma, já que recebe o cheque do evento e coloca o valor em sua conta no dia seguinte.
  • Ela argumentou que há muito mais coisas acontecendo no OnlyFans do que apenas mostrar o corpo.

Segundo Starling, o ponto essencial é respeito e limites: cada atleta faz suas escolhas, e o assunto não deveria virar interferência na vida pessoal de quem decidiu utilizar a plataforma. Com isso, ela encerrou sua postura dizendo que prefere manter a própria linha e não se envolver na crítica alheia.

Com Rousey possivelmente retomando a pauta durante a preparação para o retorno contra Gina Carano em 16 de maio, Starling indicou que não pretende mais se incomodar com a discussão. Na prática, a lutadora resumiu o espírito do embate: cada uma vive sua vida e busca a forma de ganhar dinheiro que considera correta.

Por fim, Taylor Starling também deixou claro que está focada no próximo passo esportivo: ela retorna aos combates nesta quarta-feira, no card Blood4Blood, na Flórida. A atleta associou essa mentalidade a confiança em si mesma e naquilo que faz, reforçando que, se ninguém é prejudicado e o ambiente em casa está em ordem, a opinião dos outros perde relevância.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.