A primeira defesa de cinturão de Joshua Van contra Tatsuro Taira no UFC 328 vai além de mais uma luta valendo título. O confronto marca, por exemplo, a primeira disputa de campeonato na categoria em que ambos os atletas nasceram após 2000. Além disso, o duelo pode indicar uma mudança de fase no peso-mosca. Quase uma década depois do domínio de Demetrious Johnson na divisão e cerca de três anos após a última luta entre Brandon Moreno e Deiveson Figueiredo, uma nova onda de nomes mais jovens passou a ocupar, com força, o cenário do cinturão.
Mesmo com Alexandre Pantoja ainda à espreita, esperando o desfecho para tentar retomar o trono, não há como negar que o peso-mosca está em plena renovação, com a rotatividade acontecendo diante dos olhos de quem acompanha o UFC.
Jornada de Taira até o co-main
No coevento de 9 de maio, a evolução dos dois foi acompanhada em ritmo constante, embora Taira tenha acelerado ainda mais o processo. O japonês entrou no card em maio de 2022 e, aos poucos, foi subindo degrau por degrau no ranking da categoria.
Foram cinco vitórias em 19 meses até que ele conquistasse a primeira chance de disputar o main event contra Alex Perez, e o resultado foi convincente. Porém, sua primeira queda diante do nível mais alto veio quatro meses depois, quando enfrentou Brandon Royval em uma luta de cinco rounds. O atleta de Okinawa não demorou a reagir: em 2025, ele emplacou finalizações no segundo round contra Hyunsung Park, em agosto, e, principalmente, conseguiu o feito mais marcante ao derrotar Brandon Moreno no mês de dezembro, no UFC 323.
Ascensão mais rápida de Van
A trajetória de Van, por outro lado, foi ainda mais acelerada. Ele entrou no elenco em junho de 2023 e conseguiu três vitórias em apenas sete meses, até sofrer uma derrota para Charles Johnson na tentativa de emendar mais um resultado positivo — quando buscava alcançar quatro triunfos em 13 meses.
Apesar do tropeço, Van não pareceu perder o ritmo. Dois meses depois, ele voltou com vitória sobre Edgar Chairez e ainda conseguiu escapar com um triunfo por decisão contra Cody Durden antes de o calendário virar para 2025. No ano seguinte, o crescimento continuou: em março, ele venceu Rei Tsuruya e, depois, nocauteou Bruno Silva no UFC 316. A escalada ganhou força máxima quando o atleta aceitou uma luta em prazo curto, apenas 21 dias depois, contra Brandon Royval no UFC 317. Os dois protagonizaram uma das melhores lutas do ano em trocação e troca de golpes, e Van fechou a história com um knockdown já no fim, deixando claro o impacto do último momento do combate.
Após superar Royval, Van encarou Pantoja no octógono, construindo o confronto que estava marcado para dezembro, mas que acabou sendo encerrado precocemente. Isso porque Pantoja sofreu uma lesão no braço apenas 26 segundos após o início da luta. Mesmo que seja um desfecho infeliz para a troca de cinturão, Van tem crédito por ter, antes de tudo, forçado a oportunidade e chegado até essa disputa.
A nova geração no topo do peso-mosca
Para muitos, “The Cannibal” ainda é visto como o principal nome do peso-mosca, mas, depois de varrer uma era inteira de desafiantes, parte do topo atual ainda não teve a chance de disputar o título. Dos atuais integrantes do top 10, seis ainda não buscaram o cinturão — número que cai para cinco assim que Taira entrar em ação no dia 9 de maio.
Entre os candidatos mais experientes no grupo, Manel Kape e Kyoji Horiguchi são os que acumulam mais bagagem e estão previstos para se enfrentarem em um main event de alto risco no dia 20 de junho. Ainda assim, o rosto mais recente no pacote é Kavanagh, de origem inglesa, conhecido como “Lone’er Kavanagh”.
O lutador gerou bastante expectativa após seu período no Cage Warriors e, principalmente, pela atuação que garantiu contrato no programa do Dana White’s Contender Series em agosto de 2024. Ele começou sua trajetória no UFC com duas vitórias por decisão, mas sofreu uma derrota por nocaute para Johnson em Xangai. Naquele momento, parecia que ainda faltava lapidar alguns pontos antes de buscar um desafio no topo do ranking, perto da faixa dos 15 melhores.
A oportunidade chegou quando Asu Almabayev — também um nome em ascensão e que chamava atenção no circuito — desistiu do co-main em Cidade do México contra Moreno. Mesmo com a derrota recente, muitos ficaram surpresos ao verem Kavanagh receber a chance. E ele entregou a melhor apresentação da carreira: acertou Moreno diversas vezes, causou incômodo constante e, no fim, foi superior de forma relativamente clara para conquistar a marcação dos jurados, além de garantir seu primeiro bônus de Performance.
Isso, porém, não significa que Pantoja ou Moreno estejam fora da disputa pelo cinturão. Há também atletas mais rodados, como Steve Erceg, Amir Albazi e Kai Kara-France, que vivem o auge e querem voltar a subir na tabela. Ainda assim, é empolgante observar um grupo de lutadores com menos de 30 anos exercendo influência real no topo de uma divisão — especialmente em um peso-mosca altamente técnico, no qual os detalhes costumam decidir lutas.
Uma possível virada de era
O que antes era tratado como uma categoria de menor destaque hoje pode ser considerada um dos ecossistemas mais saudáveis do elenco. E quando Van e Taira entrarem em ação em Newark, a tendência é que esse seja o início verdadeiro de uma nova fase no peso-mosca.

