Pat Sabatini chega neste fim de semana ao octógono depois de um período de ajustes físicos e, principalmente, mentais. Meses após uma derrota por interrupção para Diego Lopes e poucas semanas depois de passar por um procedimento considerado menor no joelho para tratar um menisco lesionado, o atleta agora tenta consolidar evolução no UFC 328, onde enfrenta William Gomis no card que acontece no Prudential Center, em Newark, no estado de Nova Jersey.
Evolução mental após derrota e recuperação no joelho
Em março de 2024, Sabatini vinha de um momento delicado na carreira: ele estava a poucos meses de uma derrota interrompida contra Diego Lopes e, ao mesmo tempo, se recuperava de uma cirurgia menor para “limpar” um menisco rompido. Apesar de ter obtido resultados positivos dentro do octógono, essa fase não foi tranquila para ele. Por isso, procurou Micah Schnurstein, integrante da equipe de psicologia esportiva ligada ao UFC Performance Institute, em busca de suporte para lidar com questões mentais.
Ao falar sobre o impacto do trabalho, o lutador explicou que as orientações recebidas foram além do treino e passaram a influenciar o cotidiano. Segundo ele, foi possível aplicar habilidades da vida diária antes mesmo de usá-las no contexto das lutas, já que o período de início do acompanhamento coincidiu com a retomada após o procedimento no joelho.
Sabatini também descreveu como costumava entrar no modo “sobrecarregado” durante os combates: levava tudo com seriedade demais e permanecia preso ao clima da luta por mais de 15 minutos, o que, na avaliação dele, acabou destruindo parte do prazer que tinha pelo esporte. O efeito colateral, de acordo com o atleta, era a falta de presença em vários momentos do próprio desempenho.
Agora, o cenário é outro: ele afirma estar mais satisfeito com a experiência, mais eficiente na preparação, mais presente no octógono, com menos nervosismo e demonstrando menos preocupação excessiva do que antes.
Presença maior no octógono e disciplina como “superpoder”
Ao observar a trajetória de Sabatini desde os primeiros combates no UFC até os mais recentes, a diferença aparece, especialmente na postura. Mesmo ainda sendo conhecido por falar pouco, o atleta de 35 anos, representante do Marquez MMA, parece atravessar o caminho para a arena com menos tensão. Nas entrevistas, ele relata estar mais disposto a rir, mais detalhista nas respostas e mais expressivo, além de transmitir um tipo de satisfação que não estava tão evidente quando ele começava a se firmar na divisão de penas, um cenário competitivo e repleto de nomes.
Para Sabatini, a disciplina sempre esteve presente, mas ele considera que a “arma” principal agora é conseguir transformar essa disciplina em presença real. Na visão dele, aprender a usar a mente do jeito correto trouxe retornos concretos, ajudando a entrar no combate com mais segurança. Ele ainda afirmou sentir confiança transbordando e ressaltou que isso é apenas o começo do processo, com tendência de melhorar com o tempo.
O atleta também destacou que a mente não vem com um manual e que o aprendizado para utilizá-la adequadamente já gerou benefícios. O plano, portanto, segue focado em continuar evoluindo e mantendo o nível de confiança para os próximos passos.
Onde Sabatini quer chegar na divisão e como enxerga William Gomis
Essa autoconfiança, embora sempre tenha existido, agora aparece com mais clareza nas falas do lutador. Após a vitória sobre Chepe Mariscal, Sabatini comentou tanto dentro do octógono quanto na entrevista de pós-luta que deseja enfrentar alguém ranqueado. Ele não esconde a crença de que é o melhor grappler da categoria e que quer provar isso na prática. Mesmo que o duelo deste sábado contra Gomis não o coloque frente a frente com um adversário que esteja entre os ranqueados, ele entende que é uma nova chance de encarar um featherweight difícil, pouco valorizado e de alto nível.
Cartel no UFC e leitura do duelo
- William Gomis entra no combate com campanha de 5 vitórias e 1 derrota dentro do UFC.
- Sabatini descreveu Gomis como um lutador inteligente, de bom alcance e com chutes de qualidade.
- Na avaliação do brasileiro, Gomis é um adversário completo, capaz de exigir respostas em diferentes aspectos do combate.
- Sabatini também ressaltou que considera que a organização do card acertou ao colocar os dois frente a frente.
O próprio Sabatini enxerga o confronto como um retrato da profundidade da divisão até 145 libras. Ele acredita que há atletas fora do grupo do Top 15 que podem ser mais difíceis do que alguns nomes do Top 10, e reforçou a ideia de que estilos determinam resultados. Na leitura dele, o combate será a disputa de duas linhas de luta diferentes, com um único vencedor possível.
Objetivo no octógono: vitória e busca por finalização
Com a meta clara para este sábado, Sabatini explicou como pretende conduzir a luta. Em vez de tentar controlar o resultado, ele disse que vai “entregar” o desfecho e focar apenas em executar o próprio plano, com o objetivo final de terminar o combate.
Segundo o lutador, a busca é por uma finalização que apareça primeiro. O plano é simples: fazer o que for necessário dentro do octógono para alcançar o triunfo e, de preferência, encerrar a luta antes do fim do tempo regulamentar.
Próximos passos: retornar a Philadelphia e entrar no Top 15
Caso a vitória venha, Sabatini gostaria de acelerar o ritmo e conseguir um encaixe para retornar a Philadelphia ainda neste verão. Acima disso, porém, o foco principal segue sendo avançar passo a passo, atendendo ao que for solicitado e se aproximando do próximo marco: ter um número ao lado do próprio nome nos rankings.
Ele concluiu reforçando que pretende agir como “soldado da organização”, fazendo o que pedirem, mantendo-se preparado e subindo na escada de adversários. A meta imediata, de acordo com o atleta, é entrar no Top 15, avançando um degrau de cada vez.

