Benavidez mira novo capítulo no boxe e descarta foco imediato no heavyweight

David Benavidez (32-0) entrou no radar do público de lutas ao conquistar, neste fim de semana (sábado, 2 de maio de 2026), o mais recente feito de um campeão que passa a dominar múltiplas categorias no boxe. O mexicano, agora reconhecido como o novo campeão de três divisões, fez o trabalho acontecer com relativa facilidade diante de Gilberto “Zurdo” Ramirez, até então dono dos cinturões dos pesos-cruiser pela WBO e pela WBA. Com a vitória, cresce a pergunta que sempre aparece quando um lutador amplia seu alcance no esporte: será que “The Mexican Monster” (o “Monstro Mexicano”) mira uma mudança de divisão rumo ao peso-pesado?

Quase imediatamente após o grande evento em Las Vegas, no estado de Nevada, o empresário Turki Alalshikh deixou no ar o tipo de cenário que costuma virar assunto nas semanas seguintes. Em conversa com Mike Coppinger, foi dito que a ideia seria trabalhar para uma luta gigantesca entre pesos-pesados envolvendo Oleksandr Usyk, atual campeão da categoria em várias organizações (WBA “Super”, WBC, WBO, IBO, IBF e também detentor do título do The Ring), contra Benavidez já para 2027. A mensagem, porém, encontrou uma resposta rápida do campeão na sequência, durante a coletiva pós-luta: ele tratou de esfriar a possibilidade de subir para outra classe de peso, ao menos no curto prazo.

Em sua fala, Benavidez foi direto ao ponto, afirmando que os atletas do peso-pesado são grandes demais para ele naquele momento. Ele destacou a dificuldade de ajustar o corpo para a faixa em que já está — mencionando o desafio de “chegar aos 200 libras” — e reforçou que, embora não descartasse uma mudança no futuro, não havia intenção imediata de encarar o novo degrau de peso. O lutador ainda abriu a porta para uma evolução natural do físico com o passar do tempo, sugerindo que, se o corpo “crescer” para a categoria, uma luta poderia fazer sentido em alguns anos.

Na mesma entrevista, Benavidez também deixou claro qual é o foco imediato de sua carreira: voltar ao peso-leve dos meio-pesados e tentar construir uma fase de longo reinado, com defesas recorrentes. O campeão explicou que, do jeito que enxerga o próprio caminho, subir para o peso-pesado seria uma forma de “esquecer” as disputas nas outras faixas — algo que não combina com o plano atual. Ele sustentou que, no momento, está como campeão tanto no peso-leve dos meio-pesados quanto no cruiser, e que acredita ter condições de atuar nas duas divisões, inclusive com defesas em ambas. A leitura do mexicano é que, enquanto estiver no topo nessas categorias, o melhor cenário é manter a consistência e o domínio, deixando a mudança para o peso-pesado como possibilidade apenas no horizonte.

Vale lembrar o contexto recente envolvendo Usyk. No compromisso mais recente do ucraniano contra Daniel Dubois, “The Cat” colocou na balança 227 libras. Para o próximo desafio, o planejamento já tem data e local definidos: ele está programado para encarar Rico Verhoeven, lenda do kickboxing, em 23 de maio, em uma arena chamada Pyramids of Giza, no Egito.

Mesmo com a empolgação do promotor e com a ambição de criar um confronto de impacto, a ideia Benavidez x Usyk pode esbarrar em uma realidade mais imediata: existem adversários grandes e lutas relevantes ainda por fazer nas faixas de 175 e 200 libras. Entre os nomes que aparecem como alvos naturais estão Dmitry Bivol, Artur Beterbiev e Jai Opetaia, apenas para citar alguns. Ainda assim, a conversa sempre volta ao “e se”: se um atleta como Jake Paul conseguiu subir de categoria para encarar Anthony Joshua, por que Benavidez não poderia, em algum momento, subir e encarar Usyk?

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.