Quillan Salkilld nocauteia no UFC Perth e vira assunto após farra pós-luta

Quillan Salkilld vive um momento de alta após conquistar uma vitória no UFC Fight Night 275, resultado que chama ainda mais atenção por, mesmo depois do triunfo, ele ter comemorado com uma farra pós-luta que acabou virando assunto. Ainda assim, o encontro no octógono foi marcado por um nocaute rápido e implacável: na RAC Arena, em Perth (Austrália), o brasileiro dominou o veterano e “contendor de prateleira” Beneil Dariush ainda no primeiro assalto, desferindo uma sequência de golpes que apagou o adversário.

Em entrevista nesta segunda-feira, Salkilld descreveu como foi estranho perceber, no instante em que entrou na área de combate, que o rival era justamente Dariush. Ele relatou que lembrava até de estar dentro do octógono, vendo o oponente do outro lado, quando o pensamento veio com força: “Caramba, é o Beneil Dariush”. A sensação, segundo ele, foi de um choque surreal, até o combate começar de fato e as trocas de golpes se imporem.

Antecedentes

O desempenho consolidou a sequência recente do lutador, que chegou ao cartel de 12-1 no MMA e manteve 5-0 no UFC. Apesar de parecer que Salkilld teve dificuldades momentâneas no início, ele afirmou que não ficou “embaralhado” mentalmente após uma investida inicial de Dariush. Na visão dele, o efeito foi mais de perda momentânea de equilíbrio do que de desorientação total — algo que, segundo o próprio atleta, se repete em sua trajetória.

Ele explicou que, no começo, nem chegou a entender exatamente o que tinha acertado. Para Salkilld, a sensação foi imediata: “o que foi aquilo?”. Ele contou que tentou responder ao chute, mas que percebeu que Dariush desenhou a ação e, em seguida, recuou antes de soltar a combinação — incluindo um cruzado e um golpe curto em sequência. Ainda assim, o lutador garantiu que não ficou tonto. Assim que levantou, disse que voltou ao normal rapidamente, conectando dois contra-ataques pequenos na sequência antes de o duelo migrar para uma fase com mais grappling e controle de distância.

Na mesma linha, Salkilld afirmou que, quando alguém o acerta com aquele tipo de impacto no início, o corpo reage como se apenas “tirasse as pernas” por uma fração de segundo. Ele disse que isso já aconteceu outras vezes, inclusive no início da carreira, no período amador: a primeira pancada que encaixa costuma reduzir a base por um instante, mas ele permanece inteiro, sem ficar cambaleando ou desorientado. Para ele, é como se a situação virasse “um passe livre”: recebe uma pancada ruim, mas logo se ajusta e segue com o plano.

Do lado de Dariush, o contexto recente pesava. Nos últimos três anos, o norte-americano vinha com retrospecto de 1-4 e acumulava quatro derrotas com nocaute ainda no primeiro round. Mesmo com a idade e o desgaste visível acumulado em lutas anteriores, Salkilld não acredita que o público deva subestimar Dariush como atleta. Ele ressaltou que o rival só sofreu derrotas para os nomes mais fortes da divisão e preferiu manter o respeito ao cartel do adversário.

A luta

  1. No primeiro momento do combate, Salkilld foi atingido com força por um dos golpes iniciais de Dariush. O lutador afirmou que, apesar do susto e da perda temporária de base, não ficou desorientado e rapidamente se recuperou ao levantar.

  2. Após essa primeira sequência, ele disse que conseguiu encaixar contra-ataques curtos assim que retomou o controle, antes de perceber uma transição para um cenário com mais disputa de clinch e grappling, buscando o instante certo para se soltar e retomar o ritmo.

  3. Então Salkilld virou o jogo: ele pressionou Dariush contra a grade, derrubou o adversário e passou a trabalhar com uma sequência de golpes de impacto até colocar Dariush para fora de ação.

  4. Com Dariush tentando avançar pela luta agarrada, Salkilld relatou que sentiu o oponente “tensionar” e apertar com mais intensidade, além de perceber sinais de esforço: ele ouviu muitos grunhidos, o que, segundo ele, pesa no gás. A partir daí, ele manteve a calma, tentou economizar energia e direcionou a estratégia para acelerar quando o rival estivesse cansado.

  5. Quando conseguiu o espaço para cortar a distância, Salkilld fez um ajuste lateral, acertou o primeiro golpe e decidiu continuar trocando: voltou a bater, viu Dariush cair e completou com mais alguns ataques até finalizar.

Segundo o próprio Salkilld, o objetivo final era simples: conectar na hora certa. Ele descreveu que procurava exatamente o momento de se desvencilhar, criando a janela para iniciar a ofensiva com mais frequência e forçar o rival a atravessar o pior da pressão.

O pós-luta

Depois do resultado, Salkilld também comentou o que espera do cenário para Dariush e como enxerga a posição do adversário na divisão. Ele afirmou que o norte-americano acumulou derrotas apenas contra os grandes nomes e que agora o próprio nome dele passou a figurar nessa lista. Para o lutador, Dariush segue sendo um teste difícil e nada “fácil” — um adversário que não deve ser tratado como distração.

Ao mesmo tempo, Salkilld apontou que o principal ponto negativo no jogo do rival seria, justamente, o desgaste natural do passar dos anos. Ele mencionou que o tempo de carreira traz “milhas” para o corpo e que, no MMA, isso tende a cobrar mais ao final de uma trajetória longa. Ainda assim, apesar da explicação sobre o envelhecimento e as consequências físicas, o brasileiro reforçou que o mérito técnico e a capacidade de competir no topo permanecem.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.