Benavidez x Zurdo Ramirez: duelo de cinturões termina em grande decisão

David Benavidez e Gilberto “Zurdo” Ramirez fizeram um duelo de alto nível no boxe no último sábado, 2 de maio, no T-Mobile Arena, em Las Vegas. No main event, o brasileiro David Benavidez entrou com retrospecto perfeito, agora em 32 vitórias sem derrotas (32-0), enquanto o mexicano Gilberto “Zurdo” Ramirez vinha com cartel de 48 triunfos e apenas duas derrotas (48-2). A luta valeu os cinturões dos médios-cruis do WBA e WBO na disputa direta entre os pesos-cruis, com transmissão ao vivo pelo serviço DAZN. No fim, Benavidez venceu Gilberto Ramirez por TKO, aos 2min59s do sexto round, encerrando a disputa quando o adversário já apresentava sinais claros de lesão e queda de desempenho.

Com o confronto amplamente repercutido nas plataformas de destaque do próprio evento, o passo a passo da luta foi desenhado em seis rounds de intensidade crescente, com Benavidez mostrando volume e velocidade desde o início, enquanto “Zurdo” tentava ajustar o plano para minimizar os impactos do ritmo acelerado do oponente. No primeiro round, Benavidez apareceu com troncos brancos e acabamento vermelho, além de luvas na mesma cor, enquanto Ramirez usou shorts pretos e luvas pretas. Apesar da diferença visual de porte, o brasileiro entrou bem abaixo do limite de 200 libras. A largada teve um ritmo mais lento, com os dois se estudando no centro do ringue, e o contraste de posições ajudou a definir o início: Ramirez adotou postura canhota, enquanto Benavidez lutou na guarda ortodoxa, criando espaço para o trabalho de mão de frente do brasileiro. A rapidez de Benavidez virou vantagem prática logo cedo, quando ele acertou o jab com frequência, encaixando a mão mais longa através da guarda de “Zurdo”.

A virada do round veio com um golpe de direita grande, que sacudiu Ramirez e obrigou o mexicano a reorganizar o combate. Mesmo com o susto, “Zurdo” seguiu firme e começou a aumentar o uso da mão esquerda, inclusive com bons ataques ao corpo. Ainda assim, o que marcou o final da primeira etapa foi a sequência ofensiva de Benavidez: ele acelerou com uma série rápida de golpes, como se estivesse “metralhando” Ramirez com dezenas de mãos combinadas antes do cronômetro zerar. Na contagem dos jurados, o round ficou com Benavidez por 10-9.

No segundo round, o canto de Ramirez passou a orientar para reduzir danos no começo, e o plano parecia fazer sentido em alguns momentos do combate. Próximo do fim da etapa, porém, a confiança de “Zurdo” cresceu e ele foi punido por isso. Benavidez voltou a trabalhar o jab e começou a cavar espaço para ataques ao tronco, mas Ramirez conseguiu responder com um contragolpe de cima, mantendo o confronto vivo. A estratégia do mexicano era ficar mais perto, buscando anular a velocidade das mãos do brasileiro e trocar por golpes de força no curta distância. Benavidez tentou atravessar essa aproximação com duas direitas bem encaixadas e, em seguida, Ramirez continuou pressionando com trabalho constante na linha de baixo, ainda que sem descarregar tudo com potência total, como um ajuste para pontuar e desacelerar o ritmo. A defesa de Benavidez foi outro ponto relevante: ele não permitiu que muito passasse, e ainda conseguiu um gancho de esquerda mais alto. A etapa terminou com um sinal de alerta para “Zurdo”, que levou um uppercut pouco antes do sino. Novamente, os jurados deram 10-9 para Benavidez, que fechou o placar parcial em 20-18.

O terceiro round foi mais decisivo no jogo de velocidade. “Zurdo” precisava impor respeito rapidamente, ou a luta poderia desandar em poucos minutos. E foi exatamente o que aconteceu: Benavidez acertou “cravando” golpes que tiraram o equilíbrio de Ramirez nas duas passagens do round, com um gancho de esquerda que tirou o mexicano do eixo em mais de uma oportunidade. A diferença de tempo entre as mãos foi visível, e a potência carregada pelo brasileiro fez com que “Zurdo” ficasse mais reativo do que propositivo. Enquanto Ramirez tocava, Benavidez seguia sentado nos impactos, deixando os golpes com mais peso. Mesmo quando “Zurdo” tentou pressionar e começar a buscar mais ação no centro, o padrão se repetiu: o brasileiro respondeu com mais combinações, e o mexicano passou a ser empurrado para os cantos, onde acabava levando a pior parte do intercâmbio. O round terminou com outro bombardeio de golpes rápidos na cabeça de Ramirez, e a pressão final o levou ao canto novamente, em um momento em que ele parecia “apagado” na troca. Na pontuação, o terceiro round foi 10-9 para Benavidez, levando o placar geral a 30-27.

No quarto round, a situação ficou ainda mais complicada para Ramirez. Surgiu inchaço ao redor dos olhos e, com o ritmo de punição continuando, o cenário indicava que uma queda poderia acontecer a qualquer momento. Benavidez acelerou a ofensiva e “Zurdo” ainda não conseguia impor a própria leitura com consistência. O mexicano passou a trabalhar muito com jab, aproximando-se para buscar espaços e, ao mesmo tempo, tentando sobreviver às investidas. Benavidez, por sua vez, foi caminhando para cima com regularidade, chegando a encaixar um grande gancho de esquerda após uma aproximação no clinch. Quando o combate foi para as cordas, Ramirez tentou encostar Benavidez, mas o brasileiro respondeu com ataque ao corpo e voltou a aumentar a intensidade. O segundo aviso do round veio quando “Zurdo” precisou colocar força nos golpes, porém continuou mais “tocando” do que efetivamente ameaçando. Benavidez, então, começou a construir sequências pesadas: direita após direita, com impacto crescente.

A ameaça virou realidade perto do final da etapa. Um grande golpe de direita fez “Zurdo” recuar e buscar recuperação, mas o mexicano, mesmo tentando ficar de pé e brigar pela luta, passou a recuar em direção às cordas. Ele chegou a tentar resistir, porém Benavidez seguiu disparando combinações. Já nos instantes finais, restavam cerca de dez segundos e Ramirez acabou indo ao joelho antes do término do round. Ele conseguiu se recuperar e evitar uma contagem mais longa, mas o final da etapa deixou clara a proximidade do encerramento. Os jurados marcaram o quarto round como 10-8 para Benavidez, ampliando para 40-35 no total.

No quinto round, o canto de “Zurdo” pediu para que ele parasse de trocar no “vai e vem” e ignorasse a pressão da arquibancada. A justificativa parecia clara: o nariz do mexicano possivelmente estava lesionado, enquanto Benavidez demonstrava estar em um estado de agressividade difícil de conter. O árbitro ainda chamou para um atendimento médico antes do início da etapa, mas o combate foi retomado. A ofensiva de Benavidez voltou a dominar, com um gancho de direita monstruoso. Ramirez tentou recuperar a segurança com jab, só que acabou sendo colocado para dentro outra vez, e Benavidez passou a soltar as mãos em velocidade. Foi nesse ponto que “Zurdo” decidiu mudar de postura: ele aceitou a troca e passou a brigar de frente, transformando o combate em um duelo de pancadaria. A estratégia parecia dar algum fôlego, já que Ramirez passou a acertar mais do que no início da etapa, além de interromper o ritmo do brasileiro por momentos. Ainda assim, a luta não ficou equilibrada por muito tempo. A sequência de Benavidez voltou a aparecer com direita forte, e Ramirez respondeu com outra direita, com ambos os lutadores começando a mostrar desgaste.

Apesar de o round ter sido marcado por intercâmbio intenso, “Zurdo” seguiu sem desistir e entregou ao público um espetáculo digno da etapa. Ele conquistou algum tipo de respeito quando conseguiu encaixar seus melhores ataques, e Benavidez, que antes disparava com facilidade, passou a não conseguir aplicar o mesmo nível de punição “à vontade”. O mexicano continuou cortando a distância com a direita e, mesmo sofrendo, manteve o confronto em movimento. Na avaliação final, o quinto round ficou com Benavidez por 10-9, fechando o placar geral em 50-44.

O sexto e derradeiro round começou com a leitura de que “Zurdo” não seguiu o que o córner havia orientado no minuto anterior, e isso acabou sendo decisivo. Benavidez, que parecia desacelerar um pouco, precisou passar a respeitar mais Ramirez. Só que “Zurdo” entrou inchado, com aparência de desgaste crescente, mas continuou avançando com teimosia e disposição para encarar a troca. O ritmo diminuiu em relação ao auge dos rounds anteriores e ficou mais parecido com as primeiras fases do combate, mas sempre que os dois se aproximavam, Benavidez encontrava o caminho do impacto, especialmente com ganchos. Mesmo tomando golpes, Ramirez parecia decidido a “transformar em luta feia”, indo para dentro e tentando tornar o confronto mais difícil de controlar. Benavidez seguia acertando com liberdade em alguns momentos, e “Zurdo” também conseguiu seu espaço, sobretudo quando passou a encaixar ataques ao corpo no curta distância.

Quando parecia que o final poderia tardar, veio a sequência que decidiu a luta. Benavidez voltou a descarregar um volume alto de golpes, como se fosse uma rajada contínua. Ramirez então recuou e acabou indo ao joelho, e a reação imediata indicou uma possível lesão séria, com grande inchaço surgindo rapidamente. “Zurdo” até tentou retomar a postura, mas a condição física se degradou de forma evidente. Ele sacudiu o árbitro e sinalizou que não tinha condições de continuar, encerrando o combate de forma precoce. Assim, David Benavidez confirmou a vitória por TKO aos 2min59s do sexto round, em uma atuação dominante que consolidou sua campanha como um dos nomes mais temidos no cenário dos médios-cruis.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.