Bisping cobra transparência de Aspinall sobre retorno ao octógono

Michael Bisping desejou uma recuperação rápida ao inglês Tom Aspinall, mas também deixou claro que gostaria de mais transparência do rival sobre quando o campeão dos pesos-pesados pretende voltar aos treinos e, consequentemente, ao octógono. A discussão veio durante o podcast “Believe You Me”, ao lado do também ex-lutador do UFC Paul Felder, em um momento no qual o nome de Aspinall segue preso a um imbróglio médico e sem definição de retorno para a defesa do cinturão.

Aspinall está afastado desde o combate contra Ciryl Gane pelo título no UFC 321, disputado em outubro. Na ocasião, o duelo foi encerrado sem resultado oficial após uma agressão acidental com um “poke” no olho por parte de Gane, o que levou a luta a ser decretada como “no-contest”. Desde então, o campeão vem lidando com lesões oculares e acumulando períodos de tratamento e recuperação.

Antecedentes

Mesmo com atualizações esporádicas, o cronograma de volta segue em aberto. Recentemente, Aspinall afirmou que precisa de “mais alguns meses” pelo menos antes de conseguir regressar à rotina de preparação. Bisping, que passou por uma cirurgia ocular em 2013 após um descolamento de retina e depois perdeu completamente a visão do olho direito, disse não entender por que o caso do atual campeão permanece tão pouco esclarecido.

De acordo com Bisping, o ponto que mais chama atenção é a falta de detalhes sobre a liberação médica e sobre quais procedimentos foram adotados. O ex-campeão dos médios do UFC argumentou que, se a situação fosse conhecida com clareza, haveria espaço até para a explicação pública, algo que Aspinall faz com frequência por meio do conteúdo nas redes e em canais próprios.

“Eu preciso escolher as palavras com cuidado aqui, mas ele só disse que ainda não está autorizado a lutar. Só que tem sido muito vago sobre detalhes”, afirmou Bisping, reforçando que a explicação não veio com a mesma precisão que, segundo ele, seria esperada em um caso assim. O ex-lutador acrescentou que, no próprio histórico, a cirurgia foi tratada como algo extremamente sério, descrevendo o procedimento como uma intervenção envolvendo a estrutura do globo ocular e destacando que, no intervalo até o retorno, ele conseguiu voltar a competir relativamente rápido para padrões de lesão ocular severa.

Bisping também comparou os tempos de recuperação. Para ele, “a conta” faz sentido: em 2013, ele se submeteu a uma cirurgia antes de uma luta marcada para acontecer em outubro daquele ano. Depois, acabou desistindo do compromisso e, mais tarde, agendou outro combate para abril de 2014, contra Tim Kennedy. No contraste, Aspinall permanece fora de ação por mais de seis meses, sem sinal de que o UFC tenha marcado qualquer defesa de título para breve.

Vale notar que Bisping já havia pedido cautela em janeiro ao falar do problema do britânico. Mesmo assim, com a permanência prolongada no banco de reservas, o ex-lutador disse achar a situação “estranha” e sugeriu que haveria algo além do aspecto médico, ainda que sem cravar uma explicação concreta.

“Eu não digo que ‘cheira’”, afirmou Bisping. “Eu conheço o Tom. A gente já teve uma relação próxima, só que hoje não conversamos mais. Ele era uma pessoa incrível, mas talvez… olhando por entre as linhas, tem alguma coisa bem estranha acontecendo.”

A luta

O debate sobre o retorno de Aspinall tem como gatilho o combate pelo cinturão contra Ciryl Gane no UFC 321. O confronto ocorreu em outubro e terminou como no-contest após um incidente com o olho, que resultou em lesões oculares para o campeão. Desde esse momento, o planejamento de volta ao treino e ao camp tem sido o centro das discussões.

O pós-luta

Além do lado clínico, Bisping também trouxe à tona uma segunda frente de incerteza: a relação de Aspinall com Eddie Hearn, principal nome da Matchroom Boxing. O ex-campeão do UFC apontou que existe uma batalha de bastidores entre Hearn e Dana White ao longo do último ano, com White avançando sobre o espaço do promotor com a criação da Zuffa Boxing. Nesse cenário, Hearn teria dado um passo recente ao assinar Aspinall para um contrato de gerenciamento, o que, na visão de Bisping, pode ter colocado o campeão em uma posição delicada.

Para Bisping, o risco é o lutador ser usado como peça em uma disputa comercial. Ele chegou a sugerir que Hearn estaria desafiando Dana White a liberar Aspinall do contrato, o que, na prática, poderia deixar o britânico sem luta por tempo indeterminado.

“Vamos colocar assim — porque aqui tem duas coisas que podem acontecer. Ou existe uma briga longa e arrastada, e o Tom fica parado, sem lutar. Ou o UFC pode simplesmente decidir: ‘Tá, tudo bem. Pode ir embora.’”, disse Bisping. Ele completou com a leitura de que o campeão dos pesos-pesados, por estar em sequência e com a condição de invicto na categoria, tende a representar valores altos para qualquer promoção, e que isso poderia estar travando decisões. Bisping mencionou também que, em termos financeiros, outros nomes do circuito estariam recebendo cifras relevantes em lutas de grande apelo, citando Alex Pereira e Ilia Topuria como exemplos de valores na casa dos milhões.

“Eu não estou tentando falar mal dele, mas é frustrante ver como as coisas se desenrolam”, continuou Bisping. “Eu posso até estar errado, mas parece que o Eddie está usando ele um pouco aqui. Só que e aí? Ele não vai simplesmente ir para outra promoção de MMA.”

Ao ser questionado sobre comparações comuns entre o mercado de boxe e o de MMA, Bisping rechaçou a ideia de que números milionários seriam uma explicação suficiente para a demora. Ele disse que, no boxe, os valores citados com frequência envolvem apenas poucos nomes gigantescos, algo que ele comparou a “unicórnios” do esporte.

“O Eddie pode ficar o dia inteiro comparando com o mundo do boxe e dizer ‘fulano está ganhando 25 milhões’. Isso é conversa fiada. Eles são unicórnios no boxe, são os maiores nomes. É surreal. O que eu quero é ver o Tom de volta no octógono. Ele é uma boa pessoa. Eu desejo o melhor para ele.”

Outros destaques e notas do dia

  • Transição: Jeisla Chaves passou de ring card girl para lutadora do UFC.
  • Impacto inesperado: Bryce Mitchell sofreu queimaduras em uma região sensível após uma reação química durante um episódio fora do padrão.
  • Disputa verbal: Brendan Allen chamou Dricus du Plessis de “covarde”, alegando que o adversário estaria evitando uma luta.
  • Mercado: investidores se preparam para um novo grande pagamento ligado a TKO.
  • Conteúdo: vídeos de pesagens do UFC Vegas 118 e entrevistas/antecipações envolvendo nomes como GSP, Luke Combs e Alexander Volkanovski foram divulgados em mídias associadas ao evento.

Conferência de lutas anunciadas

  • King Green (35-17-1, 1 NC) vs. Terrance McKinney — UFC 329, 11 de julho.
  • Bogdan Grad (15-4) vs. Dennis Buzukja — UFC Belgrado, 1º de agosto.
  • Ludovit Klein (24-5-1) vs. Tofiq Musayev (23-6) — UFC Belgrado, 1º de agosto.
  • Mark Vologdin (12-4-2) vs. Josias Musasa (8-2) — UFC Belgrado, 1º de agosto.

Enquanto não surge uma data concreta para a volta de Aspinall, a tendência é que o caso continue alimentando debates sobre a parte médica — com Bisping cobrando mais clareza — e também sobre eventuais interferências externas, em meio às tensões entre os interesses do UFC e do mercado de gerenciamento e promoção fora do octógono.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.