O peso-pesado Curtis Blaydes entrou no UFC 327 como um dos nomes mais conhecidos da categoria, mas deixou o octógono com a derrota em uma luta tratada como “guerra” no card principal contra Josh Hokit. Apesar de o placar ter ficado nas mãos dos juízes com Blaydes vencendo o primeiro assalto, o brasileiro do topo do ranking de contendores não conseguiu sustentar a vantagem e viu o adversário levar os dois últimos rounds — com lesões no rosto confirmadas logo após o combate.
Resultado no UFC 327: por que Blaydes discorda do placar
Blaydes chegou ao duelo com cartel de 19-6 no MMA e 14-6 no UFC, enquanto Hokit carregava invencibilidade profissional de 9-0 e um retrospecto de 3-0 na organização. O confronto aconteceu no sábado, no card principal do UFC 327, em Miami, no Kaseya Center.
De acordo com a decisão dos árbitros, todos os juízes anotaram o Round 1 para Blaydes, mas os três deram os dois rounds finais para Josh Hokit, resultando na vitória do desafiante por placar. Mesmo com sinais visíveis de dano no rosto, o peso-pesado afirmou que acreditou ter feito o conjunto da obra de forma mais favorável a si.
- Placar dos jurados: Blaydes venceu o 1º round em todas as avaliações; Hokit levou os 2 rounds finais.
- Local e evento: card principal do UFC 327, em Miami (Kaseya Center), no sábado.
- Cartéis antes da luta: Blaydes (19-6 MMA, 14-6 UFC) vs. Hokit (9-0 MMA, 3-0 UFC).
Em entrevista, Blaydes demonstrou surpresa com o resultado e declarou que esperava que Herb Dean marcasse a vitória a seu favor. Segundo o lutador, ele ficou “um pouco em choque” ao perceber que o placar não acompanhou a leitura dele do combate.
Na análise de Blaydes, o panorama parecia equilibrado em trocação, com disputas de momentos em que ambos teriam acertado e trocado, mas o diferencial, em sua visão, estaria no componente de wrestling. Ele sustentou que conseguiu colocar o grappling em funcionamento, enquanto o adversário não conseguiu desenvolver seu jogo de quedas e controle como pretendia.
Blaydes também afirmou que, apesar de parecer “dividido” em trocação, a soma do que ocorreu no chão foi o fator que, para ele, determinou o vencedor. Na fala do peso-pesado, a impressão foi a de que o confronto se tornou favorável quando o grappler entrou no plano, já que as diferenças no aspecto de luta agarrada teriam pêndulo para o lado dele.
Lesões no rosto e impacto na leitura do combate
Logo após o término da luta, Curtis Blaydes foi encaminhado ao hospital. O lutador sofreu fratura na órbita ocular (orbital) e também fraturou o nariz.
Mesmo com o susto médico, Blaydes disse que se sente bem. Ele relatou que, no começo, esteve sob medicação para dor, mencionando o uso de Percocet, mas que não utilizava mais esse tipo de remédio há cerca de um dia. O peso-pesado reforçou que, ao olhar para o combate, não teria levado outros impactos relevantes além das agressões na região do rosto.
Blaydes ainda atribuiu a fratura do nariz a um golpe específico: ele acredita que o resultado veio de um overhand no início do primeiro round, apontando que foi naquele momento que teria saído a maior parte do sangue. Para ele, esse volume de sangue teria funcionado como um elemento decisivo para a avaliação dos juízes, já que, segundo a própria leitura do lutador, “seria um sangrador” e isso teria pesado na percepção de dano durante o combate.
- Encaminhamento: hospital imediatamente após a luta.
- Lesões confirmadas: fratura na órbita ocular e fratura no nariz.
- Recuperação relatada por Blaydes: sem uso de medicação forte havia um dia; demais partes do corpo, segundo ele, seguem bem.
- Interpretação do lutador sobre o placar: maior sangramento no início do 1º round pode ter influenciado a decisão dos juízes.
Ranqueamento, disputa de rumos e a próxima luta mais provável
Com a derrota no UFC 327, Curtis Blaydes permanece como um nome relevante na divisão, mas o placar — com vitória apenas no primeiro assalto e revés nos dois últimos — deixa o caminho para o próximo passo mais dependente de como a organização enxergar a sequência da categoria. Ao mesmo tempo, Josh Hokit, que vinha de início de trajetória perfeita no MMA e no UFC, usou a vitória para se firmar como peça perigosa no peso-pesado, especialmente por ter arrancado os rounds finais no critério dos jurados.
Para Blaydes, a leitura do combate é clara: ele acredita que o wrestling foi o diferencial e que a trocação teria ficado no equilíbrio. Mesmo assim, como o resultado final foi determinado pelas anotações dos juízes, o próximo movimento tende a ser o de voltar ao caminho das lutas que coloquem o peso-pesado novamente em posição de disputa. Em uma divisão tão competitiva, um revés por decisão, ainda mais após lesões no rosto, costuma exigir um período de recuperação e depois uma luta que reforce posição no ranqueamento.
Já para Hokit, a vitória em rounds finais pode acelerar a escalada na divisão, pois um triunfo em decisão contra um contender recorrente abre espaço para novas oportunidades. A tendência, dentro do cenário típico de card e ranques, é que o vencedor siga enfrentando nomes que testem sua consistência tanto na trocação quanto em decisões por critérios de pontuação ao longo dos rounds.
Com Blaydes lidando com fratura na órbita e no nariz, a próxima luta dependerá do tempo de recuperação, enquanto a direção do cartel de Hokit deve ser conduzida pela confirmação de que ele consegue transformar uma luta apertada em rounds decisivos — exatamente como fez ao levar os dois últimos assaltos no UFC 327.

