A promoção MVP MMA “não vai a lugar nenhum”. Após o grande desempenho do MVP MMA 1 no fim de semana passado — evento transmitido pela Netflix e liderado por Ronda Rousey contra Gina Carano, que chegou a ficar perto de 17 milhões de telespectadores no mundo — a principal dúvida era se aquilo teria sido apenas um espetáculo pontual.
Bidarian crava continuidade do MMA
- “Cem por cento”, o MVP está no ramo das artes marciais mistas
- Objetivo é oferecer uma rota alternativa para atletas, com foco em quem luta
- Esperança de seguir com o apoio da Netflix e com a repercussão do que foi entregue
- Há espaço para um segundo grande player no MMA, segundo o dirigente
- Outras emissoras podem entrar no jogo, além da Netflix
Durante entrevista, Nakisa Bidarian, cofundador do MVP MMA, afirmou que a intenção é continuar promovendo eventos de MMA. Para ele, existe uma oportunidade clara de criar um caminho alternativo para lutadores que, de fato, reflita o melhor do esporte e coloque o atleta em primeiro lugar.
Bidarian também destacou a sorte de ter recebido alcance e interesse após a estreia. A avaliação é que, com os parceiros da Netflix, o projeto conseguiu abrir portas com a divulgação do que foi feito, do que foi alcançado e do que foi disponibilizado ao público.
O primeiro evento do MVP atraiu mais de 12,4 milhões de telespectadores ao vivo em escala global, colocando a transmissão entre as maiores da história das modalidades de combate. Além disso, o desempenho ajudou a dar legitimidade imediata à entrada da organização no cenário do MMA.
“Não existe um número 2” no MMA, diz Bidarian
O dirigente entende que ainda não há um “segundo” grande nome consolidado no MMA. Ele comparou com o boxe, onde, segundo sua visão, existem vários grupos capazes de colocar eventos premium semanalmente.
Por isso, Bidarian afirmou acreditar na possibilidade de o MVP conquistar uma fatia real do mercado dentro das artes marciais mistas. A condição, na leitura dele, passa por convencer a Netflix a tratar o formato com mais frequência do que a emissora costuma fazer no boxe, desde que o produto seja bem apresentado e o caminho de funcionamento seja demonstrado.
Ele ainda mencionou que, para avançar, é necessário alinhar expectativas e solicitar valores de direitos de transmissão compatíveis. A esperança é que a resposta seja positiva caso o projeto mostre viabilidade e seja estruturado de forma adequada.
Netflix não é a única opção de parceria
Bidarian também deixou claro que a Netflix não é a única alternativa para transmissões no futuro. Ele citou nomes como Amazon, Fox e ESPN como outras possibilidades para receber o pacote do MVP.
A ideia, de acordo com o dirigente, é que outras plataformas demonstrem interesse quando o projeto completo for apresentado. Uma vez que o conteúdo e a proposta fiquem claros, a tendência é que mais canais queiram acompanhar o que a organização está construindo.
Do ponto de vista dos lutadores, a chegada de uma nova promoção com boa estrutura financeira pode ser relevante para a saúde do esporte, especialmente enquanto o UFC segue dominando e mantendo talentos de elite por longos períodos.
Ao mesmo tempo, Bidarian reconhece que montar um elenco sustentável será o maior desafio para o MVP. Embora Rousey versus Carano tenha gerado atenção fora do nicho e atraído audiência em massa, a organização não pode depender apenas de ícones mais velhos e da força da nostalgia para se manter por muito tempo.
Para isso, o caminho pode envolver parcerias e co-promoções com organizações como PFL, RIZIN e KSW. A justificativa é simples: muitos dos melhores lutadores ainda têm vínculos firmados sob contratos do UFC, o que limita a disponibilidade para novas negociações.
Por enquanto, porém, o MVP chega com impulso, recursos, exposição na Netflix e muita atenção. Para começar, o cenário parece bem favorável.

