Tom Aspinall crava quem vence Gane x Pereira e disputa o cinturão interino

Tom Aspinall acredita que já sabe quem vai ser coroado o novo campeão interino dos pesos-pesados do UFC no evento que acontece no gramado da Casa Branca. Ao comentar pela primeira vez o confronto do co-main event do UFC Freedom 250, o inglês (15-3 no MMA, 8-1 no UFC) fez uma análise detalhada do duelo entre Ciryl Gane, ex-campeão interino da categoria, e Alex Pereira, ex-dono do cinturão dos médios e também do título dos meio-pesados.

Em sua participação no podcast “Fight Your Corner”, Aspinall tratou Pereira como um talento fora da curva. Ele afirmou que, caso o brasileiro vença a luta, mesmo se tratando de um cinturão interino, isso significaria um feito histórico: seria a primeira vez que alguém conquista o título em três divisões diferentes dentro do UFC. O lutador também destacou o tamanho do adversário, comentando a dificuldade em entender como Pereira conseguiu fazer o peso dos médios, já que ele o enxerga como alguém próximo da própria estatura, com um porte gigantesco e cortes pesados antes de competir.

O cenário de rivalidade entre Pereira (13-3 no MMA, 10-2 no UFC) e Israel Adesanya, que marcou os tempos de cinturão nos médios, parece distante. Desde então, “Poatan” subiu para o meio-pesado, venceu o título, realizou três defesas e depois voltou a recuperar o cinturão após perder para Magomed Ankalaev. Agora, o objetivo é entrar para a história, mas o caminho até isso passa por um teste consideravelmente diferente contra Gane (13-2 no MMA, 10-2 no UFC), que, na visão de Aspinall, oferece um tipo particular de desafio.

Aspinall ressaltou que Pereira carrega muita força tanto no meio-pesado quanto na divisão anterior, mas que o contexto do combate pode influenciar o rendimento, especialmente por ele enfrentar adversários menores, que normalmente têm menor resistência a impactos. Segundo o inglês, parte do motivo para as nocautes de Pereira pode estar ligada ao fato de ele ser maior que seus oponentes, citando Gane como um exemplo de atleta acostumado a receber pancadas de pesos-pesados de grande volume. Ele lembrou que, mesmo diante de Francis Ngannou — apontado como um dos maiores finalizadores por potência na divisão — Gane aguentou por cinco rounds sem sofrer dano que comprometesse o combate. Ainda assim, Aspinall levantou uma dúvida: a resistência de Gane a golpes pode não ser a mesma quando a luta muda de cenário para o peso-pesado.

Ao mesmo tempo, o lutador britânico enxergou um ponto em que Pereira tende a funcionar muito bem: quando enfrenta meio-pesados ou médios que não se movem tanto. Já Gane, na avaliação dele, é justamente o oposto nesse aspecto, por ser um peso-pesado grande, mas com bastante mobilidade e fluidez, atacando e se reposicionando com boa coordenação de pés, além de conseguir medir bem as distâncias. Com isso, Aspinall concluiu que, do ponto de vista de estilo, o duelo pode favorecer Gane. Ele também ressaltou um detalhe técnico importante: Gane, segundo a visão do inglês, não gosta de chutes na perna e tem dificuldades quando o adversário consegue trabalhar esse tipo de golpe com constância. Apesar de Gane ser um bom kicker, Aspinall afirmou que a defesa de chute na perna não é do nível ideal. Nesse ponto, entrou o trunfo de Pereira como finalizador de longa distância: o brasileiro, de acordo com Aspinall, usa o chute para preparar o golpe principal, mirando o adversário na perna para reduzir a movimentação e então entrar com a mão esquerda, criando a condição para o ataque em sequência.

Apesar de apontar caminhos claros para os dois lados, Aspinall admitiu que não está totalmente seguro sobre o vencedor. Ao olhar para uma eventual disputa de unificação de cinturão, ele disse que gosta das possibilidades que podem surgir tanto contra Pereira quanto contra Gane, mas por motivos diferentes. Mesmo assim, ao ser pressionado para escolher um lado no confronto específico, ele se mostrou dividido e afirmou que, naquele momento, não conseguiria cravar um nome com tranquilidade.

Quando comentou o rumo provável da luta, Aspinall mencionou que existe espaço para argumentar que um duelo entre ele e Pereira poderia ser maior em apelo, embora, na prática, enxergue que Gane e Pereira são grandes lutas. No fim, ele acabou projetando um desfecho: para Aspinall, Gane venceria por pontos, com a ideia de que o francês vai conseguir se mover mais, evitar o pior do embate e construir vantagem suficiente para os juízes.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.