Topuria x Makhachev não acontece: entenda o impasse no UFC

Campeão dos leves do UFC, Ilia Topuria vai colocar o cinturão em jogo no próximo mês, em um card do “UFC White House”, enfrentando Justin Gaethje. A confirmação do compromisso, no entanto, reacendeu uma discussão que já se arrasta há anos no cenário do MMA: por que Topuria não enfrenta Islam Makhachev, apontado com frequência como um dos melhores do mundo e que, além de dominar o peso leve, já construiu boa parte do seu histórico na faixa dos 155 libras? O tema divide opiniões entre fãs e bastidores, principalmente por causa das versões diferentes sobre o que teria travado o encontro.

De um lado, Topuria já chegou a acusar Makhachev de “fugir” do confronto. Do outro, o entorno do russo sustenta que “El Matador” teria, na prática, se colocado fora do acordo ao negociar valores acima do que tornaria o duelo viável. Agora, porém, o espanhol naturalizado em Georgia — conhecido pelo poder de nocaute e pela transição eficiente entre trocação e grappling — mudou o tom e passou a não tratar Makhachev como o principal obstáculo. Em entrevista ao DeepCut (republicada com base em MMA Fighting), Topuria afirmou que a responsabilidade pela não realização do combate estaria do lado da organização.

“Eu não acho que seja por causa dele que a luta não está acontecendo. Eu realmente acredito que é o UFC que não quer fazer isso”, disse Topuria. Na sequência, o campeão reforçou a ideia de que seria difícil “ensinar” a promoção a conduzir decisões desse tipo, destacando que a resposta encontrada pelo próprio UFC — segundo ele — seria a de que a organização não precisa da opinião dos atletas para decidir o rumo dos eventos: “Eles falam: ‘não precisamos da sua opinião’ [risos]. A gente faz do nosso jeito, do jeito que a gente constrói, e isso é completamente compreensível”.

A provocação sobre o posicionamento do UFC faz sentido dentro de uma tendência recente: a empresa tem demonstrado maior cautela quando o assunto são lutas “super” envolvendo campeões simultaneamente. Em vez de preservar títulos paralelos no mesmo card, o cenário tem sido de ajustes que podem levar a cinturões vagos para evitar sobreposição de agendas e, sobretudo, de riscos esportivos e financeiros. Nesse contexto, a leitura de que o UFC poderia não querer paralisar duas divisões competitivas ao mesmo tempo — ou ainda que o custo para viabilizar um confronto desse porte seja alto — aparece como hipótese que conversa com a fala de Topuria.

Apesar da mudança de entendimento sobre quem bloqueia o duelo, Topuria deixou claro que não está particularmente aborrecido com a situação. Ele admitiu que gostaria de enfrentar Makhachev, mas não enxerga esse combate como algo obrigatório para o andamento do próprio caminho no esporte. “Para mim, pessoalmente, não mudaria nada [se essa luta não acontecer]. Eu não tenho nada contra ele, não existe nada pessoal. O ponto é que ele conquistou coisas grandes no esporte. Ele é campeão duplo como eu”, explicou o campeão. Topuria ainda destacou o que tornaria o crossover entre ele e o russo um evento histórico: “Se você colocar essa travessia — eu e Islam — isso seria, sem dúvida nenhuma, uma das maiores lutas da história do UFC”.

Ao mesmo tempo, o lutador reforçou que, caso o encontro jamais se concretize, a motivação para seguir colecionando feitos não depende de um adversário específico. “Mas se essa luta nunca acontecer, eu vou ficar feliz e orgulhoso de mim mesmo. Enfim, eu não preciso do Islam para se sentir realizado, nem para eu me sentir feliz ou orgulhoso, você entende?”, concluiu Topuria, deixando claro que o foco imediato segue no próximo desafio contra Justin Gaethje e, no plano maior, na construção de um legado próprio dentro do octógono.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.