Brando Pericic chega ao card em Perth com uma mensagem clara: não quer apenas “subir aos poucos” na hierarquia dos pesos pesados do UFC. O australiano, conhecido pelo poder de nocaute, mira o topo rapidamente — com metas diretas no ranking e a intenção de manter uma frequência alta de lutas para acelerar a própria evolução dentro do octógono.
Ranqueamento: intenção de entrar no Top 5 e atropelar etapas
Com apenas duas participações no UFC até aqui, Pericic já deixou um tipo de assinatura que chama atenção na divisão: ambas as lutas terminaram no primeiro round, com nocaute, e o total de tempo de combate somado chega a 3 minutos e 43 segundos. O desempenho reforça a ideia de que ele não está disposto a gastar “combustível” em passos intermediários — ele quer chegar ao grupo dos principais nomes o quanto antes.
- Cartel no UFC: duas lutas, ambas encerradas no 1º round por nocaute
- Tempo total no octógono nessas apresentações: 3min43s
Em entrevista, o lutador deixou claro como enxerga o caminho: trabalhar para estar entre os cinco primeiros até o fim do ano. Caso não alcance essa faixa nesse intervalo, ele projeta discutir cinturão interino ou, diretamente, disputar o título principal — ou seja, mantendo o foco em “o que vem em seguida” sem depender de uma escalada lenta.
Ele também indicou que, assim que o UFC aportar em novos locais, sua prioridade é transformar a chance em resultado imediato. Quando soube que a organização iria atuar na Austrália, Pericic tratou de assegurar seu espaço no card de Perth com uma vitória grande.
O que essa postura diz sobre cinturão: bônus, ritmo e construção para o topo
O planejamento de Pericic para o momento atual vai além de vencer. A lógica do australiano é simples: estar ativo, aprender continuamente e ajustar detalhes de luta de uma apresentação para a outra. Ele afirma que quer colocar em prática, neste retorno ao octógono, uma versão ainda mais refinada do que mostrou na estreia.
O motivo para a pressa também aparece em sua trajetória: no circuito regional, ele enfrentou dificuldades para conseguir lutas. Em uma fase marcante do começo da carreira, cinco combates previamente marcados não se concretizaram por problemas envolvendo lesões, desistências do adversário e até impactos da pandemia global. Agora, dentro do UFC, a visão dele é “linhar” oportunidades e não deixar o ritmo cair.
Além disso, a busca por evolução rápida é tratada como parte do próprio objetivo esportivo. Ele descreve que seu foco é aprender com o último compromisso, melhorar em cima do que foi feito e, a cada luta, corrigir aspectos para chegar ao melhor desempenho possível. A ideia é vencer, finalizar e usar a sequência como combustível para seguir adiante.
O confronto deste fim de semana em Perth marca mais um capítulo no momento que começou a ganhar força quando ele foi chamado para integrar o camp de Israel Adesanya visando a revanche do campeão contra Alex Pereira no UFC 287, em 2023. Para Pericic, a experiência foi decisiva: ele foi levado como sparring do duelo contra Pereira, ajudou no contexto do treinamento e, a partir dali, as portas se abriram com mais força. Na visão dele, existe um “fechamento de ciclo” simbólico em, no futuro, enfrentar Pereira — agora como um peso pesado.
Na prática, essa ponte entre o passado e o futuro aparece no desejo declarado de construir uma trajetória que o leve ao nível máximo. Para Pericic, o cinturão não é apenas uma meta de chegada, mas um compromisso permanente: uma vez que o objetivo for alcançado, o trabalho continua, porque manter o título é outra etapa do processo.
Próxima luta e desafio em Perth: duelo contra Shamil Gaziev no retorno ao octógono
Pericic entende que, para chegar ao patamar desejado, precisa continuar acumulando vitórias. E a tarefa imediata é iniciar mais uma fase de resultados quando enfrentar Shamil Gaziev, lutador do Bahrein, em Perth. Ele descreve o confronto como o mais duro de sua carreira até aqui por se tratar de um adversário que vem de um histórico forte no amador — ex-campeão mundial no IMMAF — e que migraria para o profissional com um cartel impressionante, construindo um retrospecto de 14-2 para entrar no Top 15 da divisão.
- Adversário: Shamil Gaziev (Bahrein)
- Referência do cartel do rival: 14-2
- Posição na divisão: presença no Top 15 dos pesados
- Base anterior citada: ex-campeão mundial IMMAF no amador
Apesar de reconhecer o peso do desafio, Pericic não demonstra preocupação excessiva com as características do oponente. O australiano insiste que a abordagem é centrada na própria execução dentro do octógono. Ele afirma que não coloca o rival como referência principal, e sim o próprio desempenho, mantendo a mentalidade de que está pronto para lutar por qualquer caminho que se apresente no combate.
Em outras palavras, ele trata o ranking como algo secundário no curto prazo. Na fala dele, não faz sentido estar posicionado como “apenas mais um” no número 13 do mundo: ele diz que veio para ser campeão e, por isso, a mentalidade necessária é a de construir para alcançar o cinturão e, depois, defendê-lo.
Se conseguir repetir, neste compromisso, o mesmo tipo de impacto que marcou suas duas primeiras lutas no UFC — com finalizações precoces e decisivas — Pericic espera que o mundo do MMA passe a observar com mais seriedade o “grande urso” australiano. Ainda assim, a postura dele é de permanecer concentrado no objetivo, sem se deixar levar pelo barulho externo.
Para fechar o raciocínio, Pericic atribui parte da própria confiança ao que chama de instinto e caminho pessoal: diz que acredita ter sido colocado para lutar, que algumas vezes se perdeu ao longo da vida, mas que o retorno sempre foi o octógono — e que existe uma voz dentro dele insistindo que ele pode ser campeão. E, quando o assunto é atenção e repercussão, ele deixa claro que não importa o que falem: o que importa é deixar Perth com a vitória.

