Espere… o quê? No co-main event do UFC Vegas 118, neste sábado (6 de junho de 2026), dentro do Meta Apex, em Las Vegas, Nevada, o desafiante dos meio-médios do UFC, ranqueado na 4ª posição, Brendan Allen terá pela frente o “artilheiro” de nocautes Edmen Shahbazyan. E, para além do duelo que promete ser decidido no striking, Allen também chamou atenção por um detalhe fora do octógono: nesta semana, de maneira inesperada, ele anunciou que vai representar o Brasil nas shorts da luta, como forma de homenagear a esposa brasileira e os filhos com herança brasileira pela parte materna.
Natural de South Carolina, mas com base em Louisiana, Allen explicou em um vídeo que a decisão tem vínculo familiar. Segundo ele, uma das filhas e o filho têm ascendência brasileira, enquanto a esposa é do Brasil. “Dessa vez eu vou representar o Brasil”, disse o lutador, completando com a mensagem de torcida para a seleção: “Vamos lá, eu sei que a Copa do Mundo está chegando. Vamos, Time Brasil.” A publicação com a declaração circulou nas redes do atleta.
Para quem não lembra, Allen já havia tomado uma atitude semelhante na luta anterior. Na ocasião, ele optou por representar o Canadá contra Reinier de Ridder, justificando que seus avós maternos são de Edmonton, na província de Alberta. Ou seja, o “All In” passou a acumular, nas últimas três lutas, bandeiras diferentes: Estados Unidos, Canadá e agora Brasil.
Particularmente, a discussão sobre qual país um atleta escolhe representar sempre pode ser vista de modos diferentes. Afinal, quem tem conexão real com uma origem, geralmente quer carregar essa identidade com orgulho. Só que o cenário fica mais sensível quando se observa que a mesma organização já impôs exigências bem específicas antes de permitir que lutadores exibissem a bandeira associada à herança familiar. Um exemplo citado no contexto foi o pedido para que o contender Anthony Hernandez — um lutador de ascendência mexicana-americana — apresentasse comprovação de residência e também certidões de nascimento dos avós para poder representar o México em um combate realizado em Houston, Texas, mais cedo neste ano.
Além disso, houve casos em que a escolha do visual foi barrada mesmo quando o atleta já tinha usado a mesma cor em outras oportunidades. Dan Ige, na categoria peso-pena, por exemplo, foi impedido de vestir shorts vermelhos, apesar de já tê-los utilizado diversas vezes antes. A justificativa, conforme o relato, teria relação com a cor não representar os Estados Unidos. O mesmo tipo de exigência teria pesado contra um pedido para que ele representasse o Japão, já que os registros de ancestralidade não seriam suficientes para a liberação.
No fim, a sensação que fica é de que o processo pode soar como uma dor de cabeça desnecessária e, em alguns momentos, bastante criterioso e seletivo, principalmente quando o assunto são cores dos shorts e a autorização para exibir a ligação com determinado país. A provocação final, então, é direta: que a regra seja mais simples e que os atletas possam usar shorts personalizados de verdade, sem burocracia extra.

