O meio-médio do UFC está em alta, mas o meio-pesado do recado vai ser no peso-médio: o desafiante ranqueado Brendan Allen estreia neste ano no octógono do UFC Vegas 118 ao enfrentar Edmen Shahbazyan, que chega sem colocação no ranking. A luta, marcada para o co-main event do card deste sábado, 6 de junho de 2026, acontece no Meta Apex, em Las Vegas, Nevada.
Uma escolha que pegou de surpresa
A combinação entre Allen e Shahbazyan não foi vista como a mais “óbvia” pelos fãs. De um lado, Brendan Allen vem de uma sequência forte — especialmente por conta do impacto do último compromisso. Ele chega após uma vitória de grande porte sobre Reinier de Ridder, resultado que levou o ex-campeão de duas divisões do ONE a parar no banco, o que impulsionou Allen diretamente para o Nº 5 no ranking dos médios.
Do outro, Shahbazyan passou pelo último ano reconstruindo o próprio momento e, no recorte atual, aparece fora do ranking. Com isso, a “ótica” do confronto ficou, de início, menos favorável para quem esperava um caminho mais direto rumo ao topo.
“Aceitei rápido, mas não é por carinho”
Apesar da cara de luta improvável, Allen afirmou que o acordo aconteceu com rapidez quando o UFC apresentou a proposta. O principal motivo não foi apenas esportivo: segundo o próprio lutador, a decisão passou por dois fatores centrais — receber pelo combate e o fato de Dricus du Plessis não ter aceitado a provocação feita por Allen.
Com o jogo colocado na mesa, surge a pergunta: depois de aceitar um confronto considerado perigoso contra um adversário fora do ranqueamento, Allen se sente devidamente valorizado pela organização e pelo público? A resposta foi direta.
Nas palavras do lutador: falta reconhecimento
Durante o media day do UFC Vegas 118, Brendan Allen foi perguntado sobre a sensação de ser “lembrado” nas decisões do UFC. Ele respondeu, sem rodeios:
“Não, sinceramente eu não sinto nada.” Para Allen, a sensação vem do peso do caminho que ele precisa percorrer para continuar avançando. Ele completou dizendo que, na prática, precisa defender posição com frequência.
“Eu defendi meu lugar muitas, muitas vezes — provavelmente mais do que qualquer um na minha divisão, fora ou dentro do top 15. Eu ganho uma luta e, depois, tenho que defender duas ou três vezes de novo… e aí volto. Se eu perder, parece que vira quatro vezes.” O lutador ainda afirmou não entender por que a trajetória dele costuma exigir mais etapas do que a dos demais.
“Sempre tem um caminho mais longo para mim, e eu não sei por quê. Talvez eu não seja tão uma pessoa de que o público goste… mas é o que é.”
Cartel e luta “assinada”: foco no combate
Allen também reforçou o próprio histórico dentro do UFC e a leitura de que, ao longo do tempo, ele encarou os melhores nomes que conseguiu chegar para enfrentar. Ele destacou números e contexto do cartel para justificar a expectativa por lutas maiores.
“Essa é a minha 19ª luta no UFC. Eu estou com 14 vitórias e 4 derrotas aqui dentro, e enfrentei os melhores adversários que eu consegui enfrentar.” O brasileiro natural de declarações sobre “pedir” desafios afirmou que busca consistentemente confrontos de topo.
“Eu só pedi os melhores caras que eu conseguia. Espero que valorizem o que eu faço. Eu sei que eles sabem que eu subi o nível muitas vezes — quando eu não deveria — mas eu sempre subo.”
Mesmo com o descontentamento sobre reconhecimento, Allen deixou claro que a assinatura do contrato é o ponto final de qualquer discussão.
“E quando eu assino o contrato, eu vou lutar.”
Objetivo de curto prazo: estar ativo e seguir na briga
Uma vitória sobre Shahbazyan, embora não deva, por si só, catapultar Brendan Allen diretamente no ranking como um “salto” imediato, tem um valor prático: manter o ritmo competitivo, garantir pagamento e continuar vivo na conversa por lutas maiores, especialmente caso ele passe por mais um adversário considerado perigoso.
Allen chega, então, com o pensamento voltado para um possível cenário de avanço: a expectativa é que, depois de mais um triunfo, o UFC enfim lhe ofereça um tipo de luta que ele tem buscado — um combate de candidato ao cinturão, o chamado confronto de número 1 na hierarquia dos médios.
O que Shahbazyan representa na equação
Com o adversário fora do ranking e em fase de reconstrução, a leitura do confronto se desenha como uma prova de resistência e de atenção redobrada. Para Allen, o desafio segue sendo o mesmo: vencer bem para não deixar a oportunidade escapar — e, principalmente, transformar a atividade em avanço real na corrida pelo topo.

