Mauricio “Ruffy” mira UFC Freedom 250 e encara Michael Chandler no octógono

Nos últimos meses, Mauricio “Ruffy” vem chamando atenção por uma série de conversas no meio do MMA. Parte do burburinho tem explicação simples: ele fará sua luta no UFC Freedom 250, que acontece no gramado em frente à Casa Branca, com Michael Chandler como adversário principal. O ex-campeão do Bellator é um nome bastante popular, e o confronto promete atrair ainda mais holofotes para o brasileiro. Só que, além do duelo em si, grande parte do debate gira em torno da decisão de Ruffy de se afastar da equipe Fighting Nerds, movimento que ainda repercute mesmo depois de algum tempo.

Ruffy chega ao cenário do UFC com cartel de 13 vitórias e 2 derrotas no MMA, além de um histórico recente de 4-1 na organização. Ele ganhou visibilidade em 2023, quando passou a fazer parte do crescimento acelerado do Fighting Nerds, grupo sediado no Brasil que colocou diversos nomes promissores em evidência, como Caio Borralho, Jean Silva, Ruffy e outros atletas. Ainda assim, já no fim do ano passado começaram a surgir rumores de que “One Shot” havia deixado a equipe. Com o passar das semanas, a situação foi confirmada: ele não treina mais com o grupo, embora mantenha uma relação cordial e próxima com os integrantes.

Mesmo com o afastamento oficial, o brasileiro seguiu recebendo escrutínio de parte dos fãs, e essa observação continuou aparecendo por meses após a mudança. Ruffy, por sua vez, minimiza o peso da repercussão e trata o assunto com naturalidade. Em entrevista ao MMA Junkie Radio, ele afirmou ter visto provocações em redes sociais, mas disse não se importar com esse tipo de conversa, destacando que continua indo até a Fighting Nerds para checar o andamento de tudo e conversar com amigos. Ele também reforçou que acredita não ter perdido público por causa da decisão, argumentando que os torcedores entendem o que considera melhor para a própria carreira.

Para o duelo contra Rafael Fiziev, em fevereiro, Ruffy vinha de uma vitória por nocaute técnico (TKO). Na preparação daquele confronto, ele treinou junto de Alexander Volkanovski na Austrália, período em que focou em ajustes importantes para competir no alto nível. Agora, às vésperas do compromisso marcado para 14 de junho contra Chandler, que chega com cartel de 23-10 no MMA e 2-5 na organização, a estratégia de preparação mudou: o brasileiro direcionou a maior parte dos treinamentos para sua cidade natal, onde passou a contar com uma academia particular.

Ruffy explicou o motivo dessa escolha e como pretende conduzir a fase de preparação. Ele disse que vive em São Paulo e que montou um espaço com foco total nele, trazendo lutadores e treinadores também orientados a trabalhar apenas para o seu desempenho. O atleta afirmou que gosta da Fighting Nerds e que segue com contato próximo com pessoas do grupo, como Pablo Sucupira, ressaltando a amizade e a continuidade da relação. Ao mesmo tempo, ele enfatizou que mantém a essência do aprendizado com a equipe e que continua estudando luta como parte de sua rotina. Segundo Ruffy, a necessidade de trabalhar de forma 100% direcionada ao próprio objetivo virou um sonho e, agora, ele tenta transformar essa ideia em realidade ao ter uma estrutura montada para atender somente às suas demandas.

Sobre o adversário, o brasileiro acredita que o planejamento está bem encaminhado e entende o confronto com uma clareza que o deixa tranquilo. Ruffy descreveu que não existe nada que o preocupe no duelo e que, no MMA, existe bastante objetividade sobre o que treinar e como executar o plano. Ele apontou que Chandler tem características bem específicas, e que, por isso, é comum direcionar a preparação para enfrentar o estilo do norte-americano. De acordo com o lutador, o rival é um homem que entra forte, com mãos pesadas, e trabalha duro para buscar quedas, o que faz com que o time ajuste muitos aspectos voltados a essa busca por baixo e ao controle do clinch e da movimentação do adversário.

Além de pensar no que Chandler costuma apresentar dentro do octógono, Ruffy também disse que está olhando para a própria evolução, em especial na parte de luta agarrada. Ele destacou que, quando viajou para a Austrália, dedicou bastante tempo a esse setor, e que agora quer testar na prática aquilo que aprendeu. A expectativa é usar a luta contra um nome como Chandler como um termômetro do crescimento no wrestling e das melhorias incorporadas ao seu camp, fechando a preparação com a ideia de que a oportunidade precisa ser aproveitada no momento certo.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.