Cain Velasquez reaparece e sugere retorno ao octógono após evento com Rousey e Carano

Mesmo sem entrar no octógono há mais de seis anos, o nome de Cain Velasquez voltou a ganhar força imediatamente após a sua aparição no card do confronto entre Ronda Rousey e Gina Carano, reacendendo discussões sobre uma possível volta do ex-campeão peso-pesado do UFC aos combates. Considerado por muitos como um dos talentos mais completos que a categoria já produziu, o veterano de 43 anos teve uma trajetória marcada por lesões ao longo da carreira, mas continua sendo um dos nomes mais respeitados do esporte.

O que reacendeu o assunto sobre um retorno

A presença de Velasquez no evento que acompanhou Ronda Rousey contra Gina Carano foi o gatilho para a onda de curiosidade sobre um comeback. Apesar do hiato prolongado, o interesse cresceu rapidamente, especialmente porque o lutador já teve uma passagem recente por um período fora das competições, o que alterou completamente o cenário em torno do seu futuro no MMA.

Carreira e a decisão de parar após a derrota para Ngannou

Velasquez é lembrado como um dos pesos-pesados mais talentosos de todos os tempos. Em 2019, ele sofreu uma derrota por nocaute para Francis Ngannou. Após aquele revés, o atleta decidiu encerrar a carreira, direcionando seus planos para a luta profissional em outro contexto, com foco no wrestling na época.

Condenação, caso criminal e apoio da comunidade

Mais recentemente, Velasquez voltou aos holofotes por conta de um desdobramento fora das arenas. Ele cumpriu quase 11 meses de pena de prisão depois de fazer uma declaração de não contestação em um processo ligado a tentativa de homicídio, após se envolver em uma perseguição de carro enquanto disparava contra um veículo que transportava Harry Goularte. Goularte era apontado como alguém envolvido com abuso sexual contra o filho jovem do lutador.

Apesar do caso, Velasquez recebeu forte apoio do meio de lutas. Inclusive, o dirigente do UFC, Dana White, escreveu uma carta em favor do ex-atleta, documento que foi encaminhado ao Judiciário quando Velasquez foi preso pela primeira vez em 2022.

Agora de volta em casa com a família, o ex-campeão está livre para retornar aos treinos e, caso opte, voltar a competir. Ainda assim, ele deixou claro que uma volta ao cage exigiria mais do que apenas vontade.

O que Cain Velasquez diz sobre voltar ao MMA

Em entrevista ao podcast de Josh Thomson, Velasquez afirmou que não existe qualquer “lista de desejos” pessoal para escolher um adversário ou buscar um grande nome, mas que o fator financeiro seria determinante. Segundo ele, se o valor estiver correto, a conversa pode avançar — porém com uma condição: o acordo teria de ser realmente muito atrativo.

“Não é uma wish list como pessoa [em que eu queira lutar]. Mas se o dinheiro estiver certo, então o dinheiro tem que estar certo. Só que precisa ser algo muito bom”, disse Velasquez. E completou: “Tem que ser realmente muito bom para eu fazer isso.”

Na sequência, ele reforçou que um eventual retorno não estaria ligado ao “valor de marca” do oponente, nem à possibilidade de ocupar um espaço de destaque em um grande evento. Para ele, o principal seria o quanto a proposta paga.

Treinamento e a lógica por trás da decisão

Velasquez também explicou como encararia um retorno ao camp de preparação. De acordo com o ex-campeão, ele colocaria o foco principalmente na remuneração oferecida, e demonstrou ceticismo sobre qualquer promoção estar disposta a pagar o tipo de valor que o faria reativar o planejamento para lutar.

“O dinheiro tem que ser o suficiente para me fazer querer fazer isso”, declarou. “Porque eu já falei isso antes: eu não quero fazer. Eu tenho outros interesses agora. Mas o dinheiro realmente tem que me convencer — e eu não acho que alguém esteja disposto a pagar isso.”

Tempo fora do esporte, coaching no ginásio e próximos objetivos

Após a liberação mediante fiança e a autorização para voltar para casa depois da prisão inicial, Velasquez passou bastante tempo ajudando na formação de atletas mais jovens. Ele atuou como treinador e mentor na American Kickboxing Academy, em San Jose, na Califórnia.

Esse foi o mesmo local que ele citava como “lar” ao longo da carreira de lutador. Apesar do carinho pelo trabalho de desenvolvimento da próxima geração, o ex-campeão não enxerga o coaching como o principal destino para o futuro.

“Para mim, eu me envolvo tanto com o que eu estou fazendo que, com isso, já não faz mais sentido para mim”, disse Velasquez ao falar sobre a função de treinador. Ele reconheceu que existe uma parte do trabalho que realmente gosta: acompanhar a evolução, os bons momentos e até o processo de aprendizado — incluindo as fases difíceis — através do ponto de vista de outra pessoa. Para ele, também é significativo ver lições de vida surgirem dentro do esporte.

Mesmo assim, ele afirmou que outros interesses passaram a chamar sua atenção. “Eu tive outros interesses me chamando”, concluiu o veterano.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.