Se o MMA não tivesse vivido, na sexta-feira, o pior “escorregão” de peso de sua história, talvez esse caso específico nem entrasse com tanta força na memória. Ainda assim, o episódio tende a ficar marcado — e, para a maioria dos fãs, não poderia ter “acontecido” a um alvo mais perfeito para zombaria do que Greg Hardy.
Hardy passou do limite em mais de 26 libras no evento principal preliminar do card do Fight Nation Championship 31 — luta que seria co-main no peso pesado. O encontro acontece neste sábado, na Belgrade Arena, em Belgrado, na Sérvia. Na pesagem, o lutador registrou 292,3 libras, quando o teto da categoria é 265 libras, com uma tolerância adicional de 1 libra em combates sem disputa de cinturão.
O adversário de Hardy, o também ex-integrante do UFC Darko Stosic, pesou 239,6 libras. Com isso, a diferença de peso entre os dois chega a passar de 50 libras, colocando o sérvio em desvantagem. Mesmo assim, o combate seguirá na programação: Hardy, que tem cartel de 8-5, estourou o limite de forma tão grande que o episódio pode virar referência histórica pela falta de profissionalismo no controle de peso.
Para situar o tamanho do estrago, o maior descontrole registrado na história do UFC foi de William Knight no UFC 271. Na ocasião, ele bateu 12 libras acima para uma luta no peso meio-pesado contra Maxim Grishin, e acabou derrotado no dia seguinte. Casos de atletas de alto nível também ocorreram: Anthony Johnson falhou em 11 libras diante de Vitor Belfort no UFC 142, enquanto Charles Oliveira teve uma perda de controle de 9 libras no peso pena antes de migrar para o peso leve, onde mais tarde se tornaria campeão.
Mesmo com essas exceções, especialmente no peso pesado, as falhas costumam ser raras. A categoria vai de 206 libras até 265, ou seja, o “espaço” é grande — e, ainda assim, Hardy conseguiu fazer algo difícil de esquecer: não apenas entrou pesado, como ultrapassou o limite em 26 libras.
O histórico fora do octógono que acompanha Hardy
O problema do peso não é o único ponto que coloca Hardy no centro das atenções. Ao longo da carreira, o lutador acumulou questões legais e manchetes negativas, incluindo acusações relacionadas a violência doméstica e prisões ligadas a drogas, além de uma sequência geral de episódios conturbados.
Hardy, ex-jogador do futebol americano e ex-Pro Bowl na NFL, teve a trajetória no esporte interrompida em 2014 por um caso de violência doméstica. O processo acabou sendo encerrado quando a suposta vítima deixou de colaborar com as autoridades. Apesar disso, registros divulgados na época mostravam lesões atribuídas a Hardy contra sua ex-companheira — detalhes que ampliaram ainda mais o desgaste público. Os Carolina Panthers, então, dispensaram o atleta.
Em 2015, ele assinou com o Dallas Cowboys, mas foi suspenso para o início daquela temporada. Mesmo com a passagem pelo elenco, o time não renovou o contrato após uma temporada marcada por turbulência: Hardy foi alvo de críticas frequentes de treinadores e também de colegas de vestiário por comportamentos fora das quatro linhas.
Depois de tentar escapar de contratos milionários no cenário do futebol americano, Hardy migrou para o MMA. No octógono, a lógica mudou: em vez de apenas “bater e correr” como no esporte anterior, ele passou a ter de trocar golpes com homens do peso pesado — e, dessa vez, os adversários também poderiam responder com socos e chutes.
O UFC o contratou. A decisão, como era de se esperar no contexto de uma figura tão polêmica, fez sentido para o marketing — mas o começo dentro da organização serviu como sinal claro do tipo de caos que ainda estaria por vir.
No duelo de estreia, Hardy foi derrotado por desclassificação (DQ) após cometer um golpe ilegal, um joelho considerado irregular. Alguns combates depois, ele voltou a chamar atenção por um episódio fora do padrão: usou um inalador não permitido entre os rounds em Boston, e acabou com a vitória revertida para “sem resultado” (no contest).
Ao todo, mesmo com quatro vitórias no UFC, o caminho não foi consistente: nas últimas três lutas antes de deixar o cenário, Hardy foi finalizado por nocaute e, em seguida, acabou dispensado em 2022.
No ano mais recente, o lutador voltou a figurar em manchetes fora das lutas ao ser preso por violência doméstica contra um familiar.

