Três estreantes caminharam pela primeira vez até o octógono no fim de semana (sábado, 25 de abril de 2026), no UFC Vegas 116, realizado na Meta APEX, em Las Vegas, Nevada. Com a vitrine aberta para novos rostos, os novatos somaram um cartel geral de 1-2 — e apenas um deles conseguiu transformar a estreia em algo realmente marcante. Agora, com a poeira baixando, a análise das apresentações de cada um ganha forma.
UFC Vegas 116: como foi a estreia de Adrian Luna Martinetti
Adrian Luna Martinetti entrou em evidência após uma das atuações mais empolgantes da Contender Series. No UFC, ele entregou entretenimento imediatamente, mesmo que o resultado não tenha vindo por finalização em uma batalha dura contra o veterano Davey Grant.
O lutador começou agressivo, pressionando Grant o tempo todo e tentando impor o ritmo no confronto. Só que o preço veio com chutes na perna, joelhadas e direitos de mão na linha do rosto, que foram acertando enquanto Martinetti seguia encurtando a distância sem frear. Ele chegou a buscar uma queda por um momento, mas Grant respondeu rápido e anulou a tentativa.
No segundo round, Martinetti elevou a intensidade: conectou um golpe forte no fígado, acertou um chute alto em salto parcialmente, e ainda conseguiu um uppercut limpo já no fim do período. Ainda assim, Grant não recuou e continuou fazendo o confronto pesar no controle do veterano.
A terceira parcial virou um verdadeiro duelo de trocação. Os dois trocaram golpes sem economizar até que, no estouro final, Grant quebrou o nariz de Martinetti. No fim das contas, Martinetti acabou derrotado por decisão unânime — porém com um detalhe importante: a luta terminou rendendo o “Fight of the Night” para ele, apesar do revés.
Com esse cenário, Martinetti tende a ser uma adição interessante: combativo, agressivo e disposto a brigar. Entre os três estreantes, ele provavelmente é o que tem a maior chance de permanecer por mais tempo na organização.
- Próximo compromisso sugerido: Cristian Quinonez
- Nota final da apresentação: C-
Lucas Brennan: estreia difícil contra Francis Marshall
Lucas Brennan passou grande parte da carreira no Bellator e vinha de um histórico construído ali, além de chegar ao UFC sem um caminho que sugerisse grande adaptação imediata. Mesmo assim, aceitou luta em curto prazo contra Francis Marshall e, na prática, foi como se estivesse acima do próprio nível de experiência para aquele momento.
Brennan começou com fintas um tanto desajeitadas, mas logo passou a ser castigado repetidas vezes. Ele tentou levar a luta para o chão com uma tentativa de queda, só que a movimentação foi revertida e Marshall passou a controlar a posição. No solo, Francis aproveitou para descarregar ground-and-pound pesado e constante. No fim, uma tentativa tardia de heel hook acabou falhando, e Marshall fechou o round por cima.
O segundo round seguiu um roteiro semelhante: Brennan foi atingido novamente, tentou partir para um “panic shot” em busca da queda, mas foi revertido e voltou a ser controlado no gramado. Marshall repetiu a receita, mantendo a pressão e a ofensiva no chão.
No terceiro assalto, a situação exigia uma finalização para que Brennan virasse o rumo — porém ele ofereceu pouco em termos de ataque. Em vez de buscar com mais clareza, continuou no padrão de fintar e absorver dano, até chegar o veredito de uma derrota por decisão em uma luta desequilibrada.
O debut foi considerado ruim para alguém que, pelo nível apresentado, não parecia pronto para o UFC. Além disso, a atuação reforçou a impressão de que ele não se mostrou completo: teria um jogo extremamente limitado, centrado apenas na finalização por submissão. Com isso, a tendência é que Brennan não permaneça por muito tempo na companhia. Se for para a segunda apresentação, a sugestão é um confronto contra Manolo Zecchini.
- Próximo compromisso sugerido: Manolo Zecchini
- Nota final da apresentação: F
Victor Valenzuela domina Max Griffin e sai com vitória na decisão
Victor Valenzuela vinha de um caminho já conhecido por reviravoltas. No Season 9 da Contender Series, ele havia perdido por nocaute, mas conseguiu reagir no circuito regional com uma vitória também por nocaute contra o ex-lutador do UFC Yusaku Kinoshita. Esse desempenho acabou rendendo um chamado em cima da hora para encarar um veterano do UFC, Max Griffin — e ele aproveitou a oportunidade.
Valenzuela começou com velocidade e volume, avançando com chutes na canela e combinações afiadas. As tentativas iniciais de queda foram barradas, mas, no fim do primeiro round, ele conseguiu acertar o melhor golpe do período. No segundo assalto, o ritmo subiu para trocas mais caóticas, com ataques giratórios de Valenzuela, enquanto Griffin também misturou quedas na tentativa de controlar o andamento.
Mesmo com a resistência do adversário, Valenzuela manteve constância para encontrar janelas e encaixar golpes mais limpos durante os intercâmbios. No terceiro round, os dois lutadores já estavam mais desgastados, mas continuaram trocando. Griffin teve algum sucesso com direitos retos, enquanto Valenzuela buscou o corpo com força e conseguiu levar vantagem em várias fases do duelo, puxando a disputa para seu lado.
No fim, Valenzuela sustentou a atuação e garantiu uma vitória por decisão unânime, resultado de um confronto difícil e disputado. O estilo mais “trabalhador” de Griffin costuma ser um obstáculo chato para muita gente, e o chileno passou pelo teste.
Ainda assim, a leitura é que, dependendo dos adversários, Valenzuela pode ser um nome bem interessante de acompanhar — embora o teto dele talvez não seja tão alto quanto o de lutadores mais estabelecidos.
- Próximo compromisso sugerido: Ty Miller
- Nota final da apresentação: B-
Resultados do UFC Vegas 116
As informações completas do UFC Vegas 116 — com resultados, cobertura e detalhes adicionais — seguem disponíveis para consulta integral, incluindo o desfecho de cada confronto do card.

