Chandler mira provar que ainda está no auge no UFC Freedom 250

Michael Chandler sabe que, do lado de fora, os números podem não jogar a favor da narrativa que ele quer construir, mas ele insiste que ainda está na sua melhor fase. Mesmo com a sequência recente difícil, o ex-campeão do Bellator e ex-desafiante ao cinturão do UFC enxerga o momento como algo que, apesar de visivelmente ruim no retrospecto, não representa exatamente o nível atual que ele acredita ter dentro do octógono.

Chandler chega ao duelo com Mauricio Ruffy com cartel de 23-10 no MMA e 2-5 no UFC. Aos 40 anos, ele tenta virar a página depois de três derrotas consecutivas e encara o compromisso como uma chance real de provar que continua entre os principais pesos leves do mundo. Para ele, parte do que aconteceu na luta mais recente — contra Paddy Pimblett — foi influenciada por decisões equivocadas tomadas durante o combate, algo que ele diz ter reconhecido e, principalmente, transformado em aprendizado.

Oportunidade para colocar essa visão em prática não falta: Chandler enfrenta Mauricio Ruffy no dia 14 de junho, no UFC Freedom 250, que acontece no White House, em Washington, D.C. A transmissão será feita pelo Paramount+. O brasileiro, que chega ao confronto com 13-2 no cartel e 4-1 no UFC, entra como adversário em ascensão, enquanto Chandler sustenta que está pronto para reagir e quer que a atuação na área principal seja o ponto de virada.

Em entrevista, Chandler explicou que, no MMA, o tempo e as circunstâncias mudam tudo rapidamente, e que após a derrota para Pimblett ele sentiu necessidade de se afastar um pouco para reorganizar o processo. Ele afirmou que ficou muito frustrado com a própria performance, com a forma como competiu e com o desenrolar daquele combate, e que, a partir daí, precisou de um período para “curar as feridas”, recalibrando ideias e colocando no papel quem ele é como atleta. Na visão do americano, esse tempo de reflexão o deixou mais maduro e, por isso, em um momento melhor do que estava antes.

Chandler também relembrou o intervalo que precedeu a fase em que ficou sem rumo definido, citando que houve uma espera envolvendo Conor McGregor e que, quando esse cenário mudou, ele teve que reagir rapidamente ao novo rumo do calendário, aceitando enfrentar Charles Oliveira em Madison Square Garden. Ele reconheceu que, naquele momento, não conseguiu entregar o melhor, e que a vontade de voltar logo ao ritmo de competição acabou sendo acelerada demais. Segundo ele, vinha de uma lesão e não teria feito uma reabilitação completa, o que teria impactado a preparação, já que ele entrou cedo demais em um camp com Pimblett buscando “corrigir” o que não tinha dado certo diante de Oliveira. O resultado, porém, foi uma apresentação que ele considera aquém do que esperava, mas que ainda assim serviu como um aprendizado acumulado para evoluir como pessoa e como lutador, reforçando que acredita ser capaz de mostrar a melhor versão no gramado em frente à Casa Branca em 14 de junho.

O retrospecto mais recente, no entanto, mostra que Chandler está pressionado: ele aparece como 1-5 nas últimas seis lutas, com a única vitória sendo um nocaute sobre Tony Ferguson. Para o lutador, essa é exatamente a razão pela qual existem dúvidas e por que ele entra como azarão diante de Ruffy neste momento da carreira. Ainda assim, Chandler defende que a idade não o freou como muitos esperam, argumentando que o esporte costuma deturpar aquilo que o ser humano realmente é capaz de fazer quando está bem preparado e focado.

O americano afirmou que, depois dos 30 anos, existe a tendência de acreditar que tudo “vai descendo”, e que após os 40 a leitura costuma ser ainda mais negativa, como se o atleta já estivesse no fim. Ele negou essa visão com base na própria experiência: mesmo com 40 anos, Chandler disse que ainda se sente tão bem quanto quando tinha entre 20 e 25, inclusive treinando um campo de 12 semanas. Na explicação dele, a melhora vem de ajustes no que ele considera mais refinado hoje, como nutrição, jogo mental e uma forma de treinar mais bem calculada, sem depender do ritmo de “ir para cima” todo dia a ponto de se destruir, mas sim de um planejamento mais cerebral e estruturado.

Chandler reconheceu que, olhando para a última apresentação, qualquer pessoa poderia acreditar que ele caiu de nível, que não voltará a ser campeão e que estaria “sumindo” com o tempo. Ele disse que entende perfeitamente esse tipo de leitura, citando que as pessoas poderiam imaginar que ele seria completamente dominado por Mauricio Ruffy e que ele não voltaria a aparecer. Apesar disso, ele afirmou que pretende provar todo mundo errado e mostrou confiança para o confronto que acontece em pouco mais de uma semana, defendendo que vai usar a luta em Washington como resposta direta a todas as dúvidas que cercam o seu momento.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.