Charles Oliveira rebate críticas e promete um plano no octógono pelo BMF

Charles Oliveira quer que o público defina, de uma vez por todas, como ele deve lutar. O “Do Bronx” aproveitou o debate para rebater críticas sobre seu estilo e reforçar que acredita que o caminho passa por planejamento dentro do octógono.

Na luta pelo cinturão BMF no UFC 326, Oliveira, com cartel de 37-11 no MMA e 25-11 no UFC, dominou Max Holloway no chão para conquistar o título. Holloway não conseguiu encontrar uma resposta para o jiu-jitsu sufocante do brasileiro, mas ainda assim demonstrou coragem ao resistir e evitar que a campanha histórica de Oliveira em finalizações acabasse em uma nova submissão.

Muita gente chamou a apresentação de Oliveira de “chata” ou “sem graça”, mas o lutador não aceitou esse enquadramento. Ele disse que quer lembrar como foi criticado quando enfrentou Ilia Topuria trocando golpes no centro do ringue — cenário em que acabou nocauteado no UFC 317.

Em entrevista à CasinoHawks, Oliveira questionou a lógica das cobranças após a vitória pelo BMF. Ele afirmou: o que o público diria se, no lugar de usar seu jogo de finalização, ele tivesse ficado em pé trocando com Holloway e, ainda assim, tivesse sido nocauteado? Segundo o brasileiro, quando ele foi derrotado por Topuria, repetiram o mesmo tipo de comentário: que ele teria agido “sem inteligência” ao não buscar o grappling. A partir disso, Oliveira provocou: como ele deveria lutar, afinal? Seria como em um videogame, em que basta seguir um roteiro fixo?

Oliveira ainda continuou a argumentação, dizendo que não aceita que pessoas na internet tentem ditar o plano de luta dele. Para o atleta, a luta não funciona com instruções prontas do tipo “fique só no jab” ou “faça coisas chamativas” o tempo inteiro. Ele ressaltou que só se vence quando há estratégia antes de entrar e, principalmente, quando se executa esse plano. O brasileiro acrescentou que, sempre que tenta algo fora do que foi desenhado, tende a sofrer e, aí, a repercussão online aumenta. Já desta vez, na visão dele, a performance foi correta: ele afirmou que não ficou apenas segurando Holloway sem produzir, e sim apresentou um espetáculo com tentativas de finalização, transições no chão e acertos na trocação, o que, ainda assim, não impediu que o confronto fosse rotulado como ruim.

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Oliveira, que detém o maior número de finalizações e submissões na história do Ultimate, já brindou o público com várias vitórias por interrupção e por finalização diante de adversários como Michael Chandler, Dustin Poirier e também do atual campeão interino Justin Gaethje.

Voltando ao tema do estilo, Oliveira declarou que, na prática, o que ele quer é que o público escolha uma linha e mantenha a mesma cobrança. Ele afirmou que as mesmas pessoas que o criticaram após perderem o controle do debate — dizendo que ele teria agido “sem inteligência” por não usar o jiu-jitsu — agora estariam reclamando justamente porque ele aplicou a arte no duelo contra Holloway. Na visão do brasileiro, isso mostra que são indivíduos sem entendimento real do esporte, sem coragem para ações do dia a dia, mas com facilidade para ficar online falando besteira.

Para fechar, Oliveira reforçou seu entendimento sobre o MMA como uma modalidade para quem pensa e estuda. Ele disse que o lutador inteligente sabe o que vai fazer para reduzir erros, e que, quando há falhas, o resultado costuma ser duro. Em contraponto, ele citou que, quando se observa os nomes grandes e os atletas do topo, o discurso gira em torno do espetáculo, da técnica, da movimentação e de como as coisas são construídas dentro das regras. Já os críticos, na avaliação dele, não teriam conquistado resultados relevantes no esporte e ficariam apenas no barulho.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.